Capítulo 32

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O céu estava tingido por azul claro e um rosa tímido ao fim da linha que separa o céu e o oceano, o sol despontava no horizonte, com promessas felizes.

Terminei meu café sentada na escada que desce até a praia. A pedra fria me ajudava a despertar e o café quente ligava as engrenagens que conduziam meu cérebro a funcionar.

Aqueles dias estavam sendo amontoados, Bia não compareceu a nosso encontro marcado. Ainda me sentia curiosa com o que tinha para me contar, e seu sumiço não me pareceu natural, mas resolvi aguardar mais um dia, antes de ir atrás dela. Drake seria solto, Cesar já marcou uma comemoração para hoje a noite e aqui estou eu, novamente presa nas armações que rodam soltas, invisíveis para o restante que aqui vive. Me pergunto se alguém desconfia de algo além de nós.

Margareth me convocou cedo, queria uma reunião em particular, talvez para finalmente discutir sobre a morte repentina da jovem, ou apenas para me passar mais um punhado de pacientes com nada além de feridas e viroses.

O vento soprou meus cabelos soltos, fechei os olhos por um momento, podia ouvir claramente as ondas e as gaivotas ao longe. Gostaria de abrir os olhos e estar novamente sentada no chão da sala de casa, com Eduardo atirando bolinhas de papel na janela, proibido de sair para aprontar atrás de Mike.

- Isso é tão injusto!

- Seria mais injusto se ela punisse eu e mike também - estava tentando colocar as roupas de frio em minha boneca - sorte que eu posso sair. Ninguém mandou bater no Drake.

- Grande coisa, ele mereceu e sem mim você vai ficar entediada - ele mostrou a língua - Mike jamais vai te deixar acompanhar até a linha do trem.

- Ele pode achar que manda em mim, mas eu só faço o que eu quero - dei de ombros - e Drake vai me deixar ir.

- Aquele traidor - ele balançou a cabeça - Acha que Mike é mais amigo dele que eu? Vai ver só quando quiser que eu o acoberte de ser pego!

- Vocês dois resmungam alto demais - Mike colocou a cabeça para dentro da sala - eu até estava considerando deixar você vir - olhou para o Edu com um sorriso irônico.

- A mamãe iria te matar - falei me levantando - sabe que ela mataria mesmo.

- Ela não precisa saber - ele entrou e piscou para mim - Preciso de vocês dois, vamos invadir o casarão da rua de trás.

- Você enlouqueceu? - Edu se pôs de pé rapidamente - Tem fantasmas ali.

- Vai me dizer que está com medinho Edu?

- Jamais, um homem não recua - ele estufou o peito - Mas acho isso uma bobagem, prefiro jogar futebol.

- Ótimo, jogue sozinho, aposto que a Lizie vem - ele se virou para mim - Não é anãzinha?

- Eu não tenho medo de fantasmas - sai marchando em direção a porta - Vocês vem?

Abri os olhos, a lembrança trouxe um aroma doce de biscoitos e terra. Sentia saudades de casa, dos meus irmãos, da minha familia, agora dividida.

Se você estiver vivo, eu deixo você me irritar o quanto quiser. Apenas esteja vivo.

- Céus Jones você está com uma aparência péssima! - Rita falou assim que nos cruzamos no corredor em frente a sala de Margareth.

- Dias ruins Rita.

- Acabei de sair daqui - ela apontou para a porta da sala - o humor não está dos melhores.

- Obrigada por avisar.

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