Batuquei os dedos sobre a madeira do balcão, estava impaciente, precisava saber se estava realmente tudo bem. O olhar de Richard, o Carteiro, me deu um arrepio. Era como se ele soubesse o que eu havia feito, mas ignorei quando tive em mãos a carta.
Lizie.
Rasguei o envelope da carta, meu coração estava acelerado, mal havia saído do correio quando percebi que a carta não era exatamente como as que meus irmãos me enviavam, ou que minhas família escrevia.
Afinal apenas uma única carta havia chego, um único selo - Eduardo nunca colocava apenas um em suas cartas, dizia que eram muito legais para se usar um só - e as letras, como as de uma maquina de escrever, não me eram nada amigáveis.
- Não vai ir ao porto? - Ouvi alguém comentar logo a minha frente.
- Já estou indo, vamos ter de descarregar muita coisa hoje - o outro rapaz falou retirando do bolso um maço de cigarros - Soube que eles foram bem sucedidos.
- Vamos saber quando desembarcarem.
Eles saíram em direção a um carro e a pergunta surgiu.
A frota que havia ido com Drake já havia chego?
Meti a carta no bolso e me apressei até o porto, avistei o navio que estava prestes a chegar e uma meia dúzia de pessoas se amontoaram junto a mim, próximos ao deck de acesso. Talvez devesse ir até Anna e arrasta-la para cá.
Corri tão rápido quanto corria na infância, apostando corrida contra o tempo. Entrei no hospital e assim que a vi, peguei sua mão e a puxei sem lhe dar qualquer explicação.
- Pelo amor de Deus Lizie! Onde vamos com tanta pressa? - ela começou a correr junto comigo, olhou para o navio enorme e a quantidade de homens descendo por ele - São eles?
- Sim!
Corremos ainda mais rápido, paramos apenas para buscar os rostos entre tantos, e ali, com uma caixa de madeira pequena nas mãos, estavam eles.
Eu apenas corri e me joguei em seus braços, Drake havia derrubado a caixa assim que me viu, seus braços me envolveram em um abraço firme e caloroso.
Ficamos assim por alguns minutos, o rosto enterrado em seu ombro e o coração batendo a toda velocidade. Era desconcertante descobrir que pude sentir tanta falta e tanta preocupação por ele a esse ponto.
Me afastei e seus olhos buscaram os meus, ele tinha um sorriso divertido nos lábios e me olhava com diversão.
- Oi - ele disse.
- Oi! - me afastei, quase como se recobrasse a consciência - Que bom que estão a salvo.
- Nunca corremos perigo para começo de conversa - ele pegou a caixa no chão - Não foi preciso, e visto o seu ânimo em me ver, você ficou bem preocupada.
- Obviamente! O mundo está em guerra e eu não sou uma pessoa com informações constantes da situação.
- Pode ficar tranquila Lizie, a guerra está longe de chegar aqui - Cezar sorriu com um braço em volta dos ombros de Anna.
Me afastei de Drake e ajeitei a roupa que havia ficado levemente amassada.
- Bom, então posso ficar despreocupada, e vejo que vocês vão ter muito trabalho por hoje, vamos te deixar em paz - me virei para Anna que estava aos beijos com Cesar sem o menor pudor - Ok. Bom eu vou indo.
- Espere Lizie - Drake deu dois passos e parou a minha frente - O que acha de vir com a gente hoje a noite? Vamos comemorar uma Vitória no Sam's.
- Estarei lá - apertei seu braço e sorri - obrigada por voltar.
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Além do Alcance
Fiksi SejarahSe parte de sua família estivesse preste a desmoronar? Se você não tiver chance de salva-los? Lizie enfrenta um destino cruel e triste. Com a segunda guerra prestes a começar, Lizie só pensa em entrar para a enfermagem e cuidar dos feridos. Tudo co...
