Capitulo 12

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Me segurei na porta do carro para descer, mas antes que o fizesse, Drake se aprontou em me pegar pela cintura e me por no chão. Com a ação repentina, eu acabei por ficar sem saber o que dizer, alias isso aconteceu bastante durante a noite, conforme ouvi elogios vindos dele.

- Não precisa de tanto - Falei enquanto me recompunha. - Mas obrigada pela ajuda.

- Sempre ao seu dispor Liz - ele deu um sorriso e piscou o olho esquerdo, o que me fez soltar um risinho.  - Foi muito agradável hoje.

- Com certeza, temos que conversar mais, quero muitos detalhes da história do meu irmão.

- Com certeza, não conseguiria pensar em companhia melhor para passar a tarde, se não você.

- Opa, acho que estamos atrapalhando os pombinhos! - Megan falou se aproximando junto ao restante.

Nos afastamos de imediato, e só então notei que estávamos muito próximos. Balancei a cabeça, negando com um sorriso discreto, ainda estava repassando os acontecimentos.

- Eu só estava a ajudando, apenas isso. - ele deu de ombros e se juntou aos rapazes.

Estavamos em frente a casa, prontos para nos despedirmos de todos, Anna aproveitou a oportunidade que surgiu, assim que Cesar se aproximou dela, para lhe roubar um beijo e logo o afastar e entrar, sem nem dizer uma só palavra. Todos ficaram meio confusos com a repentina ação dela, mas eu, sabia muito bem que era tudo questão de uma jogada de mestre.

- Então, Milady, aqui vos deixo. - Francis falou se inclinando e depositando um beijo nas mãos de Megan que corou de imediato.

Taylor e Erica estavam um pouco afastados, apenas conversando, o que fizeram por boa parte do passeio. Me perguntava se Erica se deixaria levar por alguma paixão passageira.

- Boa noite Liz, te vejo pela manhã? - Drake falou, me tirando dos devaneios.

- Claro, se por algum acaso você se ferir com alguma arma, eu estarei na enfermaria. - Falei sorrindo.

- Então, aguarde um soldado ferido pela manhã, ou com algum mal estar. - ele piscou novamente e pegou minha mão, deixando um beijo suave, que me causou uma certa estranheza.

Então para esconder um pouco a minha expressão, dei um sorriso doce e me despedi do restante, entrando com leveza, pelo menos até estar dentro de casa, e correr para o quarto.

De fato aquilo me pareceu estranho, a proximidade, os elogios, e até mesmo alguns olhares, nunca pensei em Drake dessa forma, como um possível "caso amoroso". De qualquer forma, eu teria de cortar essas investidas, afinal, eu o considerava como um irmão, vê-lo agir assim, me fez querer esconder-me de vergonha.

Deitei na cama após vestir uma camisola e acabei por demorar muito tempo a dormir, já que as cenas iam e vinham em minha mente e não tinha a minima ideia, de como começar a por isso em palavras, no diário.

Drake elogiando minha atitude, em passar por cima dos ideais do meu pai, para seguir com meu sonho. Drake elogiando minha aparência, Drake elogiando minha perfeita falta de jeito na dança, Drake que não tirava os olhos de mim. Drake, era tudo que tinha em mente, até cair no sono.

Obri os olhos e o sol me cegou, ouvi a voz de alguém ao fundo, mas não pude identificar quem era, me levantei um pouco tonta, não parecia que estava ali de fato, ainda mais sendo uma zona de guerra. Vi uma silhueta que poderia jurar ser meu irmão, mas passou tão rápido que não consegui chamar sua atenção. Olhei em volta e tudo parecia extremamente caótico e confuso, ouvi um tiro, alguém gritou "Não", tentei ir até quem quer que fosse mas não o alcancei, já que uma bomba explodiu.

Acordei um pouco assustada e confusa, parecia real e ao mesmo tempo totalmente imaginário. Estava suando, que sonho estranho.

- Liz? Tudo bem? - Anna perguntou entrando com uma pilha de lençóis nos braços.

- Tudo, foi só um sonho... que horas são? - me espreguicei.

- Oito e quinze. Achei estranho você não ter acordado ainda, afinal, você é sempre pontual. - ela disse abrindo o armário e organizando os lençóis.

- Meu Deus! - me levantei apressada - Estou atrasada!

- Come alguma coisa! - ela gritou.

Cheguei quase meia hora depois na enfermaria, tinhamos de cumprir horário, mesmo não tendo muito o que fazer por lá.

- Lizie, achei que não viria. - Margaret falou me entregando uma caixa - organize isso nas prateleiras.

- Sim senhora.

Estava indo em direção a porta quando esbarrei em alguém, e esse alguém era Drake.

- Perdão - falei me afastando.

- Tudo bem, bom como prometido, aqui estou eu e... hã, acho que cortei o dedo - ele me mostrou o dedo sangrando e eu segurei a risada.

- Tenho certeza, que você cortou o dedo. Certo, vou guardar essas coisas e já volto para, cuidar dessa ferida.

Ele se sentou na maca vazia e eu me aprontei, em ir terminar minha primeira tarefa. Estava repassando o que poderia dizer, caso ele insinuasse  algo, de forma a não ser grossa.

Peguei a caixa de metal, com os materiais de higienização e me sentei, frente a ele.

- Posso saber como você conseguiu isso? - examinei o corte, que na verdade era bem profundo.

- Estava arrumando um jeito de me machucar, mas não consegui, sem que ficasse evidente a minha tentativa. Felizmente, por um acaso do destino, esqueci que havia uma faca ao meu lado e aconteceu. - ele coçou a cabeça rindo - Pelo menos estou aqui de qualquer forma.

Limpei a garganta antes de continuar.

- E então, não encontrou nenhuma garota como o Eduardo?

- Talvez, digamos que não estou mais procurando.

- Sabe nós crescemos juntos, te conheço bem, e se quiser ajuda para encontrar uma garota, estarei aqui. Conheceu minhas amigas ontem, são encantadoras não?

Ele fez que sim com a cabeça, mas ficou em silêncio, apenas examinando meu trabalho.

- Liz, não é que elas não sejam encantadoras, mas acho que você possa...

- Ter entendido errado? Creio que entendi tudo muito bem, não sou inocente a ponto de não entender as atitudes de um homem. - suspirei me levantando - Considero você como um irmão Drake, não acho que isso possa mudar.

- Claro, sim eu entendo... mas, as coisas estão diferentes e achei que, achei que... Não sei ao certo. Quando te vi - ele deu um longo suspiro e se levantou  pousando a mão em meu ombro. - Sinto muito, se a deixei desconfortável.

E com isso ele saiu, sem me dar a chance de responder. Será que o magoei? Droga, talvez tenha sido franca de mais. Deveria pedir desculpas, por ser tão direta, estava me sentindo péssima, mesmo não tendo feito nada.

Liz, você não é assim! Disse a mim mesma. Você fez o certo, cortou o mal pela raiz. Pelo menos eu espero que sim.

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