Já havia se passado um mês, e os estudos realmente eram puxados. Tanto que na avaliação semanal dos ossos, eu fiquei com C-, e não estava com animo para a próxima da semana que vem.
Estava voltando da biblioteca, e a um tempo que um dos guardas, estava me encarando, sempre que passava pelo corredor, que era entre a biblioteca e as escadarias.
Estava equilibrando aquele peso todo nos braços, quando ele simplismente surgiu no meu caminho.
- Hã, quer ajuda? - ele disse, mas não havia como ver seu rosto, já que os livros o tampava.
- Sim, por favor! - Falei e ele pegou parte do que estava em cima.
- Vejo você passar por aqui... sempre com pressa e com livros nas mãos!
- Bom para ser uma boa enfermeira e tirar nota na prova, tenho que estudar bastante! - Falei e ele riu.
Seu cabelo estava raspado, seus olhos eram pretos e sua altura era equivalente a minha.
Entramos no quarto e ele deixou meus livros em cima do baú.
- Muito obrigada! - Falei sentando na cama.
- Sabe, normalmente não se pode trazer homens para o dormitório... - ele olhou em volta.
- Sim, não é permitido... mas, você apenas me ajudou com os livros. Então não há porque brigarem comigo.
- Sim... sim, não há mais ninguém por aqui? - ele olhou para a porta.
Sentia uma apreensão em relação a seu comportamento, um tanto estranho.
- Sim, há. As garotas vão e vem... Elas ficam em todo lugar, estudando e fofocando.
Ele me empurrou contra a cama e subiu em cima de mim.
- Isso não significa que elas venham agora! - empurrei-o, mas ele prendeu meus braços para cima. - Calma, não precisa ficar com medo!
- Sai de cima de mim seu imundo! Imprestável! Socorro! Socorro! - Gritei, ele beijou meu pescoço e então percebi que minha perna estava livre e dei uma joelhada onde dói.
Ele caiu no chão se encolhendo de dor. Me encolhi e encostei contra a parede.
- Sua...! Argh! Mais que droga! Merda! - ele gemia e então a porta foi aberta e dois soldados entraram seguidos pela pequena multidão de garotas.
- Mas, o que está acontecendo aqui! - A Enfermeira chefe passou em meio a eles, seu rosto assumiu um tom de vermelho.
- Essa mimada me atacou, me trouxe aqui e depois resolveu... - Um dos militares tirou ele do chão e torceu seu braço para trás.
- Eu já imagino o porque de ela ter te atacado!
- Lizie! - Anna e Erica vinheram em minha direção. Eu tremia e chorava e elas me abraçaram.
- Depois que se acalmar senhorita Jones, quero que desça para o meu escritório... e você, bom vou advertir seu comandante e você estará expulso de seu posto! - ela disse e depois saiu, seguida pelos três, as outras meninas entraram e ficaram me encarando.
- Pobresinha, mas esses homens! - Uma delas disse.
"Um Cretino!"
"Safadão!"
"Como pode ela permitir isso?!"
Foram as frases que mais ouvi até que todos os ânimos se acalmaram.
- E aí, o que aconteceu? - sobraram meia dúzia de meninas a minha volta para ouvir o tal acontecimento.
- Foi assustador!...
Contei para elas como tudo aconteceu, e novamente, ficaram perplexas.
***
- Ele me beijou! - Anna caiu na cama abraçada ao travesseiro - E aí eu não resisti e fiquei com ele a noite toda... pena que ele teve de voltar a sua cidade natal.
- Como você pode! - dei um tapa no ombro dela - Vocês só se conheciam a uma semana!
- Eu sei... mas ele era lindo e gentil e... - ela suspirou - Muita gente acha impossível ou besteira, o amor a primeira vista. Mas foi isso que ocorreu, foi como uma lufada de primavera, como uma manhã ensolarada.
- Você é doida! - ri de seu jeito apaixonado.
- Eu entendo como é isso! - Erica deitou de barriga para baixo. - Basta um único olhar para cair em puro abismo!
- Vocês são duas românticas muito bobas! Se realmente o amor levasse a algum lugar... - voltei minha atenção ao diário.
- O que quer dizer com isso? Já se apaixonou dona Liz! - Erica me cutucou na barriga.
- Hã... Não, mas olhe só, Romeu e Julieta, você e seu amado, Anna e seu viajante misterioso! Todos trazem um bem, mas também um mal... de que vale sofrer por amor?
- Vale a experiência, vale as emoções, vale as lembranças! É, ele tem uma parte ruim... mas nada que a boa não cure!
A porta foi aberta e todas as garotas voltaram para suas respectivas camas.
- Vocês ainda estão acordadas? Já é hora de irem dormir! - A nossa vigia disse.
E nós obedecemos ela.
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Além do Alcance
Fiksi SejarahSe parte de sua família estivesse preste a desmoronar? Se você não tiver chance de salva-los? Lizie enfrenta um destino cruel e triste. Com a segunda guerra prestes a começar, Lizie só pensa em entrar para a enfermagem e cuidar dos feridos. Tudo co...
