Capítulo 7

161 16 10
                                        

Já havia se passado um mês, e os estudos realmente eram puxados. Tanto que na avaliação semanal dos ossos, eu fiquei com C-, e não estava com animo para a próxima da semana que vem.

Estava voltando da biblioteca, e a um tempo que um dos guardas, estava me encarando, sempre que passava pelo corredor, que era entre a biblioteca e as escadarias.

Estava equilibrando aquele peso todo nos braços, quando ele simplismente surgiu no meu caminho.

- Hã, quer ajuda? - ele disse, mas não havia como ver seu rosto, já que os livros o tampava.

- Sim, por favor! - Falei e ele pegou parte do que estava em cima.

- Vejo você passar por aqui... sempre com pressa e com livros nas mãos!

- Bom para ser uma boa enfermeira e tirar nota na prova, tenho que estudar bastante! - Falei e ele riu.

Seu cabelo estava raspado, seus olhos eram pretos e sua altura era equivalente a minha.

Entramos no quarto e ele deixou meus livros em cima do baú.

- Muito obrigada! - Falei sentando na cama.

- Sabe, normalmente não se pode trazer homens para o dormitório... - ele olhou em volta.

- Sim, não é permitido... mas, você apenas me ajudou com os livros. Então não há porque brigarem comigo.

- Sim... sim, não há mais ninguém por aqui? - ele olhou para a porta.

Sentia uma apreensão em relação a seu comportamento, um tanto estranho.

- Sim, há. As garotas vão e vem... Elas ficam em todo lugar, estudando e fofocando.

Ele me empurrou contra a cama e subiu em cima de mim.

- Isso não significa que elas venham agora! - empurrei-o, mas ele prendeu meus braços para cima. - Calma, não precisa ficar com medo!

- Sai de cima de mim seu imundo! Imprestável! Socorro! Socorro! - Gritei, ele beijou meu pescoço e então percebi que minha perna estava livre e dei uma joelhada onde dói.

Ele caiu no chão se encolhendo de dor. Me encolhi e encostei contra a parede.

- Sua...! Argh! Mais que droga! Merda! - ele gemia e então a porta foi aberta e dois soldados entraram seguidos pela pequena multidão de garotas.

- Mas, o que está acontecendo aqui! - A Enfermeira chefe passou em meio a eles, seu rosto assumiu um tom de vermelho.

- Essa mimada me atacou, me trouxe aqui e depois resolveu... - Um dos militares tirou ele do chão e torceu seu braço para trás.

- Eu já imagino o porque de ela ter te atacado!

- Lizie! - Anna e Erica vinheram em minha direção. Eu tremia e chorava e elas me abraçaram.

- Depois que se acalmar senhorita Jones, quero que desça para o meu escritório... e você, bom vou advertir seu comandante e você estará expulso de seu posto! - ela disse e depois saiu, seguida pelos três, as outras meninas entraram e ficaram me encarando.

- Pobresinha, mas esses homens! - Uma delas disse.

"Um Cretino!"
"Safadão!"
"Como pode ela permitir isso?!"

Foram as frases que mais ouvi até que todos os ânimos se acalmaram.

- E aí, o que aconteceu? - sobraram meia dúzia de meninas a minha volta para ouvir o tal acontecimento.

- Foi assustador!...

Contei para elas como tudo aconteceu, e novamente, ficaram perplexas.

***

- Ele me beijou! - Anna caiu na cama abraçada ao travesseiro - E aí eu não resisti e fiquei com ele a noite toda... pena que ele teve de voltar a sua cidade natal.

- Como você pode! - dei um tapa no ombro dela - Vocês só se conheciam a uma semana!

- Eu sei... mas ele era lindo e gentil e... - ela suspirou - Muita gente acha impossível ou besteira, o amor a primeira vista. Mas foi isso que ocorreu, foi como uma lufada de primavera, como uma manhã ensolarada.

- Você é doida! - ri de seu jeito apaixonado.

- Eu entendo como é isso! - Erica deitou de barriga para baixo. - Basta um único olhar para cair em puro abismo!

- Vocês são duas românticas muito bobas! Se realmente o amor levasse a algum lugar... - voltei minha atenção ao diário.

- O que quer dizer com isso? Já se apaixonou dona Liz! - Erica me cutucou na barriga.

- Hã... Não, mas olhe só, Romeu e Julieta, você e seu amado, Anna e seu viajante misterioso! Todos trazem um bem, mas também um mal... de que vale sofrer por amor?

- Vale a experiência, vale as emoções, vale as lembranças! É, ele tem uma parte ruim... mas nada que a boa não cure!

A porta foi aberta e todas as garotas voltaram para suas respectivas camas.

- Vocês ainda estão acordadas? Já é hora de irem dormir! - A nossa vigia disse.

E nós obedecemos ela.

                       

Além do AlcanceOnde histórias criam vida. Descubra agora