Bati na porta antes de entrar na área de internação, indo até Margaret, que cuidava de uma moça, com um corte no dedo.
- Ela está ali, conseguimos fazer com que comesse. - ela apontou para uma cortina fechada ao fundo da sala.
- Obrigada. - andei em direção ao leito e assim que abri a cortina, me deparei com uma Bianca sorridente.
- Lizie! - ela sorriu.
- Bianca e... Drake?! - assim que entrei o vi sentado na poltrona com um livro em mãos.
- Ele veio me fazer companhia - ela bateu com as mãos na cama - Vem, preciso conversar com você.
- E essa é minha deixa, senhoritas. - ele tirou o quepe e logo saiu nos deixando a sós.
Queria saber como isso aqui começou? Fazia três dias desde o ocorrido e finalmente voltaria para meu dormitório, depois de ter passado por alguns interrogatórios, exames gerais e muita, muitas perguntas a responder a Anna, que havia ficado indignada comigo por ter agido como agi com Drake, mas eu resolveria esse assunto depois, sabia que tinha me exaltado, mesmo que meu orgulho falasse mais alto, eu tinha de me desculpar por agir de forma tão irracional.
Limpei a garganta para começar a falar mas ela me interrompeu.
- Lizie - ela olhou para os lados, encarou a parte onde se abria a cortina para entrar - Preciso que confie em mim...
- O que houve?
- Sinto que aquela história não acabou por aqui, creio que ele conseguirá vir atrás de nós. - ela suspirou, estava pálida e parecia irritada - Olhe, preciso lhe confiar algo, mas preciso ter certeza de que guardará somente para você.
- Claro Bianca, seja o que for, estamos juntas nisso.
Ela se desencostou das almofadas e retirou de dentro da fronha, um bilhete amassado, me entregando em seguida.
- Isso veio na minha bandeja de café, hoje de manhã. Escute, não foi a primeira vez que aquele homem me atacou, houve outra, dois dias antes daquilo, ele invadiu meu aposento de madrugada. - ela fechou os olhos, mas continuou - Não entendo porque não consegui fazer nada, nem antes e nem naquele momento em que você apareceu, de alguma forma eu paralizava de medo.
Olhei para ela, ainda chocada com a informação, eu já suspeitava que ele a perseguiu antes, mas não sabia que já havia feito pior.
- Entendo querida - apertei sua mão - Ele irá pagar, custe o que custar.
- Não, não, você não entendeu? Ele pode fazer o que quiser! Não há nada o que possamos fazer, não houve testemunha, apenas eu e você, não havia outro homem para validar o que aconteceu. - ela secou as lágrimas - Ele será solto, e continuará a fazer o que quiser, mesmo que estejamos machucadas, isso não significa nada para eles, precisamos fazer outra coisa!
- O que então? O que tem em mente se não a justiça? - olhei um pouco indigninada com tudo aquilo.
- Justiça? Que justiça? As dos homens? Não, não há justiça que apague o que ele fez, e não haverá, mesmo que tentemos - ela me olhou no fundo dos olhos - Você é muito jovem para entender, mas confie em mim.
Jovem? Eu não era jovem de mais para entender, talvez um pouco mais jovem que ela, mas isso não era relativo. Porém, concordei com a cabeça e ela deu um sorriso apertando minha mão.
- Não conte nada a ninguém, mas vamos conversar mais, assim que eu sair daqui. Não podemos confiar em nenhuma pessoa no momento.
- Tudo bem, bom tenho de ir - aquela conversa havia me perturbado um bocado - Mas volto amanhã, podemos abrir as cartas, provavelmente elas chegarão amanhã cedo.
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Além do Alcance
Historical FictionSe parte de sua família estivesse preste a desmoronar? Se você não tiver chance de salva-los? Lizie enfrenta um destino cruel e triste. Com a segunda guerra prestes a começar, Lizie só pensa em entrar para a enfermagem e cuidar dos feridos. Tudo co...
