Amor perfeito

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O olhar de desgosto do pai do Josh deixava evidente a insatisfação de ambos. Estávamos em um jantar, em família. Mas tudo o que aparentava era que sequer família éramos. O seu olhar oscila entre ele e eu, causando um certo desconforto. Era óbvio que ele também não iria gostar de nós juntos. Aliás, não há uma pessoa sequer além de nós dois que está feliz.

_Namorados? - O seu pai pergunta - Eu estou realmente muito surpreso! E quanto à Marina?

_Eu já disse que nós terminamos. E eu não pretendo retornar com ela.

_Ela é uma boa moça, meu filho. Vocês estavam juntos há anos. Isso não conta para você?

_As atitudes e falas cruéis dela conseguiram destruir quaisquer resquício de carinho que eu tinha por ela.

_Você não a ama?

_Não. Eu nunca amei a Marina, pai.

_Eu não sei o que dizer, filho. Essa notícia me deixou sem palavras.

_Talvez um "meus parabéns, eu estou muito feliz por você".

_Como o seu pai poderia dizer-lhe isso? - Murmura Lilian - Estamos preocupados com você. Não somente com você, Joshua. Escute, Sami...

_Ela não é a...

_Sendo sincero, isso é loucura, meu filho. - O meu pai corta as palavras da minha madrasta e as minhas - Você só pode ter enlouquecido.

_Loucura, por quê?

_Porque você sequer conhece essa menina. Ela não tem família, não tem um lar, não tem dinheiro e sequer um nome.

_Meça as suas palavras, Lilian.

_Mas é a mais pura verdade. E você sabe disso. Eu não consigo sequer olhá-la. Quem sabe ela poderia ser, você não a conhece.

_A única coisa que eu sei é que eu estou apaixonado pela Zoe e vou fazer de tudo para ficar com ela. Mesmo que para isso, eu precise lutar contra tudo e contra todos.

_Nós estamos apenas preocupados com você, Josh.

_Preocupados comigo, pai!? Desde quando você se preocupa comigo?! Principalmente você, Lilian.

_É claro que estamos preocupados com você, Joshua. Essa menina poderia ser uma ameaça e você a mantém dentro da sua própria casa. Eu sei que ela parece inofensiva, mas é se não for?! - Sugere sagaz - Você é semelhante a minha irmã. E eu me sinto péssima de dizer isso, mas há tantas possibilidades por trás da sua origem.

_Ela poderia estar mentindo para você. Sabe-se lá o que ela poderia estar arquitetando contra a sua vida.

_Parem de falar como se ela não estivesse aqui.

Entristecida com aquelas palavras, eu decido me retirar da mesa e ir para o quarto.

_E eu não estou. - Digo triste

_Zoe! - Chama - Por favor, fique aqui comigo.

_Eu não posso...

Subo as escadas e tenho tempo de ouví-lo dizer um palavrão. Entro no quarto e fecho a porta, sentando no chão. Não havia mais cama, porquê o Josh realmente havia doado há duas semanas atrás. E com isso passamos a dormir no sofá. Aperto os olhos e sinto quando a primeira lágrima desce. Os sussurros dos silêncio vêm me auxiliar, fazendo-me desmoronar silenciosamente e sozinha. Era sempre assim...
A órfã.
A desabrigada.
A infeliz.
Eram tantos adjetivos e substantivos que usavam para se referir à mim, que eu me esquecia quem eu realmente era.
Mas na verdade, eu não poderia negar as minhas origens. Eu sempre seria a garota pobre e sem ninguém.

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