O vento frio passa por mim, fazendo-me abraçar o meu corpo. A minha cama estava extremamente confortável, principalmente depois da recepção da Marina. Estava tudo maravilhoso, mas no meio da noite eu senti uma imensa vontade de vir até o jardim. Alguma coisa estava me incomodando, eu não consigo explicar o que é. Eu só sei que precisava vir até aqui.
Portanto, eu deixei a minha namorada dormindo e vim tentar entender o porquê desse incômodo. Observo com calma e não me surpreendo ao não encontrar a Zoe. As horas marcavam mais de duas da manhã, com certeza ela deveria estar dormindo.
Infelizmente eu não pude vê-la ou sequer conversar com a própria. Eu não a vejo desde que saí para trabalhar mais cedo. Mas esse problema seria resolvido rapidamente, pois amanhã voltaremos a nos ver. Hoje eu fiz questão de procurar nos dados de pessoas desaparecidas e para a minha infelicidade não havia ninguém com as mesmas descrições que ela. Mas eu continuaria procurando, até encontrar alguém. E se porventura eu realmente descobrir que seus pais a abandonaram por motivos torpes, eu não iria contá-la. Eu imagino o quanto ela deve ter sofrido e ainda sofre com a possível rejeição. E tudo que eu menos quero ver é ela sofrendo. Eu a pouparia de tamanho sofrimento, se for necessário.
Me abaixo até a minha rosa favorita e vejo o quanto a Zoe é realmente cuidadosa. Ela está linda e florescendo de forma incrível, assim como as outras flores. Desde que a Zoe começou a cuidar do jardim, eu venho percebendo o quanto ela também gosta daqui. O mais interessante é que ela realmente gosta de me ouvir e em momento algum fez um comentário machista à respeito deste meu hobbie. Algumas pessoas achariam estranho ver um homem demonstrar esse tipo de sensibilidade, mas ela não. E não é atoa que eu confiei em contar-lhe algo tão íntimo assim.
Levanto-me e por alguns milésimos de segundos, eu ouço um grito abafado.
Olho ao redor e percebo que provavelmente eu deveria ter ouvido demais. Começo a caminhar e novamente ouço gritos, alguns baixíssimos e outros mais audíveis. Aparentemente não há nada de errado em minha casa, mas ainda assim os gritos persistem. E então eu ouço de onde eles vêm.
Corro até a porta do quarto que a Zoe dorme e consigo ouvir perfeitamente. Abro a porta com rapidez, acendo a luz e vejo uma imagem que faz o meu coração diminuir em meu peito.
Eu não sei o que está acontecendo, mas ela parece estar em um pesadelo.
E deveria estar sendo horrível, pois ela parecia estar sofrendo muito.
_Zoe! - Me aproximo da cama - Zoe, acorda!
_Não... - Ela aperta os lençóis - Por favor, não me deixe aqui sozinha.
Tento fazê-la acordar, mas ela parecia imersa. Eu não sei se é um pesadelo ou até mesmo uma lembrança de seu passado.
_Eu tenho medo. Por favor, me tira daqui!
_Acorda Zoe. Sou eu, o Josh, você precisa acordar agora.
A medida que ela vai se mexendo, a sua roupa vai subindo. E apenas naquele instante eu percebi as diversas cicatrizes e machucados em seus braços e na barriga.
Meu Deus!
Quem foi o monstro que fez isso com essa menina?
_Eu estou com medo do escuro. - Sua voz é sofrida - Eu não quero ficar aqui.
_Zoe, acorda pelo amor de Deus! - Me desespero - Por favor, ouve a minha voz e desperta.
_Não, não, não. - Manuseia a cabeça - Eu só queria um pedaço de pão. Eu não sou uma criança má.
Mesmo adormecida, as lágrimas começam a descer pelo seu rosto. Eu estou totalmente estarrecido com a situação. Eu odiava sentir que ela estava sofrendo, principalmente quando eu não podia ajudá-la. As suas palavras parecem ser de uma lembrança sua e ouvi-las me fez compreender que poderia ser pior do que eu imaginava.
_Zoe! - Seguro sua mão - Ouve a minha voz. Sou eu, o seu amigo Josh.
_Josh...
_Por favor, acorda. Seja lá o que está acontecendo com você, eu estou aqui.
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Sublime Amor
RomanceA vida sempre foi bastante injusta com Zoe Benhama. Abandonada recém-nascida, cresceu em um orfanato sofrendo diversas agressões físicas e psicológicas devido à sua condição. Josh Wander está vivendo o ápice que qualquer um almejaria. Delegado reno...
