Contra tudo e contra todos

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Observo angustiado o momento em que a Zoe sai da mesa. Provavelmente ela deveria estar arrasada e a culpa é minha. Eu não deveria ter convidado ninguém aqui para conhecê-la. É óbvio que o meu pai e muito menos a Lilian iriam gostar dela. O arrependimento me bate em cheio, principalmente ao perceber o quão duras palavras eles usaram e como ela estava sentindo-se magoada.

_Vocês não tem o direito de se referir à ela com essas palavras.

_A gente está visando o seu bem, filho.

_Você é jovem. Eu sei que está deslumbrado agora com ela mas e no futuro?

_Infelizmente é difícil imaginar um futuro com ela ao seu lado. E é pela sua segurança que estamos agindo assim.

_Pela minha segurança? - Pergunto incrédulo - E desde quando você se preocupa comigo, pai?

_Eu sempre me preocupei. Você é o meu filho.

_Agora você se lembra deste detalhe?! - Protesto - E todos esses anos afastados, que você sequer se prestava a enviar uma única mensagem perguntando por mim?

_Eu estive ocupado, Josh. Você sabe disso.

_Você não pode culpar o seu pai pelo afastamento. Ele sempre deu-lhe o melhor.

_É claro que ele deu. - Murmuro - Distância e sequer um abraço verdadeiro.

_Não seja ingrato. Você sabe muito bem que eu sempre tentei ser um bom pai para você.

_Mas você falhou!

Eu estava com raiva. Não só de mim, como também deles, por isso abri o meu coração como deveria ter feito há anos.

_Você nunca foi um bom pai. Desde que a mamãe morreu, você se dedicou a esquecer que havia tido um filho.

_Você acha que foi fácil para mim perder a Elizabeth?

_E você acha que foi fácil para mim? Eu era apenas uma criança. Eu não somente perdi a minha mãe, como perdi o meu pai.

_Você nunca disse isso...

_Porque você nunca se interessou em ouvir. Você nunca se preocupou em me perguntar como eu me sentia, nunca quis conversar comigo. A única coisa que você fez foi viver o seu luto isolado.

_Você era uma criança tão inteligente. Eu pensava que você conseguiria superar mais fácil.

_Eu era uma criança! - Aperto os punhos - Só uma criança.

_Por que está me dizendo isso agora?

_Porque eu estou cansado, pai. Eu não quero que você e muito menos você Lilian venham se intrometer na minha vida. Vocês não tem esse direito.

_Nós somos seus pais e te amamos. Por isso estamos na retranca em relação ao seu relacionamento.

_Você não é a minha mãe, Lilian. Em hipótese alguma você conseguiria ocupar o lugar dela.

_Respeite a minha esposa, Josh. Ela quem criou você, em meio as diversas circunstâncias.

_Ela me criou? - Manuseio a cabeça - Você é mesmo um tolo, pai. A Lilian nunca gostou de mim e muito menos de você.

_Esse moleque enlouqueceu!

_Por quê? Por que estou dizendo a verdade, Lilian? - Sorrio sarcástico - Você nunca amou o meu pai. Todos vêem isso, só ele que continua enfeitiçado e não vê o seu repúdio à ele.

_Você já está passando dos limites, filho.

_Ela nunca quis se casar com você. Mas como o Paul Williams preferiu a Samila, ela teve que se contentar com o reles italiano.

Sublime AmorOnde histórias criam vida. Descubra agora