Após irmos à delegacia, a moça prestou a queixa sobre aqueles homens e sentou-se no banco da delegacia.
Eu ainda estava muito curioso sobre aquela menina, porquê ela não possuía um teto, família e até mesmo documentos. Algo que dificultou a queixa. Ela era de poucas palavras e escrevia com dificuldades. Eu não faço a mínima idéia de quem seja ela mas sentia uma alucinante vontade de protegê-la. Ela era apenas uma criança, a mercê dos vários perigos existentes. E hoje, se não fosse a minha última rota, aqueles covardes teriam feito uma crueldade com essa pobre moça.
Ela se encolhe na minha blusa e passa os dedos no ferimento provocado por eles. Eu não conseguia imaginar o sofrimento dela ao estar nas mãos sujas daqueles desgraçados e menos ainda a dor que ela sentiu. Ela parecia muito frágil, uma menina e ainda assim eles agiram com covardia com ela. E se ela saísse por essas ruas, outros poderiam fazer ainda pior. Eu me sentiria culpado, portanto eu tentava pensar em uma opção mais viável.
Até que me recordo da conversa que tive de manhã com a Miranda. Ela me disse que precisaria de uma ajudante, pois os serviços estavam a sobrecarregando.
E eu prometi resolver essa situação ainda hoje, mas não tive tempo. Eu não deixaria o trabalho ezaurir a Miranda e correr o risco de perdê-la. Porque antes de tudo, eu penso no bem estar das minhas funcionárias.
Portanto eu precisaria convencê-la a trabalhar. Havia um quarto para as que preferisse dormir no trabalho, mas a Miranda gostava de ficar com a família. E talvez essa seja a solução para esses dois problemas.
_O que se decidiu? - Matt pergunta ao meu lado
_Eu vou levá-la para trabalhar na minha casa. Ela será útil para a Miranda e eu poderia ajudá-la.
_Pretende colocá-la em sua casa?
_Ela não tem absolutamente nada.
_Por isso mesmo é perigoso. E se ela for uma espiã ou infiltrada dos seus inimigos?
_É serio?! - Arqueei a sobrancelha - Matthew, olha para ela. Você acha mesmo que ela aparenta ser uma espiã?
_As aparências enganam, Josh.
_Eu sei. Mas eu tenho certeza que ela não é.
_Ela não tem documentos, sequer sabe ler e escrever corretamente. Ela não tem família, não tem casa e a única coisa que sabemos dela é que se chama Zoe. Mas este poderia ser um nome inventado também.
_Você está certo. Mas eu prefiro me arriscar a deixar essa menina nas ruas.
_A Marina não vai gostar disso.
_Eu não acho que a Marina sentiria ciúmes dela.
_Ela é uma mulher.
_É uma criança. Quantos anos ela deve ter? 15?
_Ela não deixa de ser do sexo feminino. E você estará debaixo do mesmo teto que ela. Você sabe que algumas mulheres são muito ciumentas.
_A minha namorada não é. E não precisa ser.
Quando ela souber da história dessa menina, eu tenho certeza que irá se solidarizar.
_Eu espero que sim. Eu vou para casa, estou esgotado.
_Até amanhã. - Me despeço
Pego os meus pertences na minha sala e caminho até a menina. Ela continua sentada, encolhida aparentemente ainda com medo.
_Zoe? - A chamo
Ela apenas me olha e se encolhe mais na cadeira.
_Eu sei que você ainda está com medo. Mas saiba que eles estão presos e eu não vou te machucar.
_Eu acredito em você. - Sua voz é quase inaudível
_É... - Começo a falar - Você realmente não tem para onde ir?
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Sublime Amor
RomanceA vida sempre foi bastante injusta com Zoe Benhama. Abandonada recém-nascida, cresceu em um orfanato sofrendo diversas agressões físicas e psicológicas devido à sua condição. Josh Wander está vivendo o ápice que qualquer um almejaria. Delegado reno...
