50- Distúrbios

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Thahan fecha os olhos, move o pescoço de um lado para o outro, a manhã está sendo cansativa, não são nem 8 horas ainda e já teve dois casos graves um com um gato e outro com pequeno porquinho da Índia. Só quer que esse dia passe rápido, vai atender até meio dia, depois almoçar no restaurante de Jhony, combinou com Eric de irem ver apartamentos a tarde e finalizar com um jantar com a mãe de Eric a noite, era hoje o dia em que finalmente iria se apresentar a ela como namorado de seu filho, então estava um pouco estressado já desde e hora em que se levantou.

Um barulho de algo sendo colocado na sua mesa o faz abrir os olhos e o que vê de imediato acaba com o resto do seu humor, é um frasco de comprimidos, a mão que segurava eles antes e está se afastando de leve é conhecida, a mão mais familiar do mundo, não precisa levantar os olhos, apenas da um sorriso cansado enquanto fala com certa indiferença na voz.

- Fort já foi fazer fofocas não é mesmo?

Arthit cruza os braços sob o peito, suspira fundo, não quer um conflito, mas sabe que é inevitável.

- Seu rosto com essas sombras de hematomas já te entrega, o que seu irmão me disse ou deixou de dizer é só um complemento.

- Quando vocês vão deixar eu viver minha vida em paz?- Thahan levanta os olhos para o pai, agora está visivelmente irritado.

- Talvez quando você se curar, ou ao menos se tratar...

- Por que eu tenho que me curar se não estou doente? Por que temos que voltar nessa conversa de novo agora? fazem anos que eu estou bem.

Arthit suspira fundo, tem que reunir paciência para lidar com o filho do meio sempre, prometeu a esposa que não iam ter uma grande discussão, mas provavelmente não podia manter essa promessa, Malee teria que perdoá-lo.

Se senta na cadeira em frente a mesa do pequeno escritório do veterinário, olha o filho com cuidado,  não quer que ele simplesmente tenha um ataque e se recuse a conversar, então pretende ir com todo cuidado possível, mesmo estando no limite com Thahan.

- Quando aconteceu aquelas coisas com Fort, você era tão pequeno, estávamos tentando lidar com um adolescente que passou por um trauma, então foi tardio o seu diagnóstico, sei que desde então entramos em conflito tantas e tantas vezes, mas estou aqui para conversar apenas meu filho, pode baixar a guarda? Pode ouvir seu pai ao menos uma vez?

Thahan suspira fundo.

- Quando eu não te ouço pai? Você só sabe gritar comigo, é impossível não te ouvir.

Ambos passam a mão no cabelo de forma nervosa ao mesmo tempo, se encaram por alguns segundos, até Arthit ter certeza que o filho está disposto a conversar.

- Quando entrou na faculdade, apresentou melhoras, quis parar o acompanhamento psiquiátrico, disse que tomaria o remédio, aos poucos foi se adaptando, tendo amigos, seus interesses amorosos, buscou estágios. Nos vimos seu desenvolvimento e por mais que eu e você tenhamos pensamentos tão distintos que entramos em conflito as vezes, eu reconheço que você vinha vindo bem meu filho. Mas sabe que relaxou, sabe que parou com a medicação, sabe que se não está curado, isso vai voltar e te atormentar novamente.

- Do que tem medo pai? De ser chamado na escola por que seu filho maluco brigou novamente? De me ver suspenso cada vez que eu enfrentava algum professor? De ser chamado no pronto socorro por que seu filho novamente se meteu em uma situação de risco? Fraturas, hematomas te assustam? Só por que nunca tive nenhum trauma como Fort, não é justificável ter algum distúrbio? O que espera de mim? Eu não sou mais criança, não vou te causar os problemas do passado, então por que estamos tendo essa conversa agora?

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