79 - Preocupações

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Duas semanas depois...

O quarto escuro não deixa saber que ainda são 2 horas da tarde, mesmo querendo muito abrir as cortinas e deixar a luz entrar, Teh se segura, o menor deitado na cama não parece bem, prefere não incomodá-lo, mas não sabe também até onde é bom deixá-lo fazer como quer, dormir como tem dormido, chegar em casa depois das aulas, mal comer, aquela situação era diferente de tudo que já tinham vivido antes.

Caminhou em silêncio até a cama onde se deitou sem ser muito brusco pra não despertar Khai, mas era automático o modo como o outro se virou imediatamente e se aninhou em seus braços encaixando a cabeça na curva do seu pescoço mesmo sem despertar, era natural dormirem assim agora, já fazem tantos dias, o corpo de um está tão acostumado com o do outro, Teh abraça carinhosamente o menor o apertando em seus braços, encosta a ponta do nariz no topo da cabeça daquele garoto que dorme de forma tranquila e beija com carinho aqueles cabelos que tem um cheiro tão famíliar agora. Consegue sentir através do abraço que o corpo do outro já não é mais o mesmo, ele emagreceu tanto em tão pouco tempo, está realmente preocupado cada dia mais com seu pequeno, a mente trabalha rápido, o tempo todo busca possíveis soluções para ajudar Khai a voltar a ser tão feliz como era antes.

O barulho do celular faz com que o menor se contraia em seus braços franzindo a testa, Teh pega rápido o aparelho que está em um móvel próximo, não é o seu, a mensagem que vê na tela faz seus olhos se iluminarem instantaneamente.

"Khai o que vamos fazer para o aniversário de Max?"

*****

Quantos dias fazem? 10? 15? Khai não sabe mais as datas, não se importa mais com as horas.
Sabe que despertou nos braços de Teh depois de uma noite de bebedeira e tem estado nos braços dele todo tempo depois disso.

No primeiro momento tiveram uma longa conversa onde explicou sobre toda chantagem que sofreu, o maior parecia preocupado o tempo todo, mas não disse nada sobre estar aborrecido ou chateada, pelo contrário, só o abraçou forte e pediu que Khai não se afastasse novamente, se algo assim acontecesse no futuro era pra conversarem sobre e Khai concordou.
Na sequência disso algumas coisas aconteceram, primeiro Chai e Sinn anunciaram que em breve estariam viajando para fora do país, a princípio Teh foi quem ficou transtornado com a ideia da mudança e foi Teh quem convenceu o pai dos meninos que era melhor que os dois continuassem ali na casa cuidando dela para Chai, o que acabou pesando mais que tudo foi o fato das notas de Khai terem realmente melhorado nos últimos tempos, isso decidiu tudo, aprovação dos pais, a mãe viria sempre que pudesse dar uma olhada na casa e ajudar os meninos, o pai sentia alegria em ver o filho com um bom Tutor, Chai a princípio receoso, também acabou vendo vantagem em deixar seu irmão ser assistido por alguém que podia fazê-lo estudar, alimenta-lo e apoia-lo.

Mesmo eles sendo tão jovens Khai tinha apenas 20, Teh 21, esse voto de confiança da família os apoiando a ser independentes e lutar pelo futuro vinha com muitas outras responsabilidades. Teh estava plenamente disposto a assumir todas elas, então Khai concorda com isso também.
Não são namorados, não são amantes, não são amigos, no fundo Khai não sabe definir o que eles são um do outro, mas é bom estar com Teh. A dor que sente é menor ao lado de Teh, em pouco mais de uma semana Chai e Sinn se foram com os pais de Sinn, Khai pediu pra se afastar um pouco do trabalho na livraria dizendo que queria focar nos estudos, o real motivo claro era ficar longe do estúdio de dança, mas ninguém precisava saber disso.

Quanto a dança... Max e Pawat lhe questionaram sobre essas coisas por conta das chantagens que sofreu, teve que explicar para os amigos que não era nada de mais, só um passa tempo que fazia as vezes, e não falou mais disso, nem com os dois nem com Teh, mesmo que Teh as vezes tentasse entrar no tema, ele desviava desse assunto. Só não queria falar, ou pensar sobre, sentia uma dor tão grande que as vezes era difícil até de respirar.
Tinha pensado muito sobre o que faria depois da noite no bar, por algum motivo Kiak trancou a faculdade e não apareceu mais por lá, o que foi um verdadeiro alívio, mas tinha outras coisas nas quais pensar, vendo o desfecho da história de Sinn e Chai a primeira coisa que decidiu era que ia apoiar incondicionalmente Teh, queria que ele fosse assim tão bem sucedido como o primo, dessa forma seria um nome conhecido internacionalmente, a carreira do maior seria tão brilhante e bonita quanto seu lindo sorriso. A vantagem também seria sua já que estando ao lado de Teh o rapaz o ajudaria a estudar, dentro de alguns anos ele estaria terminando a faculdade e ingressando na empresa do pai, e Teh estaria começando um novo capítulo de sua vida em algum país distante.

Sentiria tanta falta de Teh quando esse momento chegasse, não queria nem pensar, então resolveu só parar de fugir ou lutar contra, tinha aceitado a atração que o maior sentia, mesmo por que também estava atraído, gostava a tanto tempo de Teh, mesmo não admitindo isso em voz alta, será que amava ele?... amor... em algumas anos quando chegasse o momento ele deixaria Teh prosseguir em uma vida que o levaria para muito, muito longe, então no momento é melhor não pensar na palavra amor.

Deixar seu sonho, deixar o trabalho, ver o irmão partir, viver só com Teh, tantas mudanças, tudo aconteceu tão rápido, mesmo que tenham passado apenas alguns dias pareciam anos. Agora dormia nos braços de Teh todas as noites, iam juntos para faculdade, voltavam para casa, muitas vezes Teh ia trabalhar, então dormia, andava sentindo tanto cansaço, e também não queria passar muito tempo acordado os pensamentos lhe atormentavam de mais, Inn e Ae tentaram entrar em contato, Top vinha conversar na faculdade, mas só pediu a todos que respeitassem sua decisão e foi o que aconteceu, ninguém mais falou nada sobre, e a vida foi seguindo, aos poucos foi perdendo o apetite, não queria preocupar Teh, não queria ficar doente ou ser um fardo, então se obrigava a comer algumas vezes, via Teh sorrir nessas ocasiões e seu coração doia, mas enquanto tivesse o sorriso de Teh, o calor de Teh, tudo estaria bem. Imagina que com o passar dos meses a dor passe por completo e uma hora esqueça o passado e a sua história com a dança, vivendo bem novamente, assim que se sentir forte o suficiente vai iniciar como estagiário na empresa do pai, e vai se preparar bem, por que esse tipo de dor que sente agora, imagina que vai voltar a sentir novamente quando tiver que se afastar de Teh...

*****

- Sabonete, desodorante, papel higie...

- Camisinha sabor morango...

Aquele que está conferindo a lista para abruptamente ao ser interrompido e olha pra aquele que está empurrando o carrinho de compras.

O sorriso de Thahan é largo agora, ele para no meio do corredor e pisca para o namorado que suspira fundo antes de retribuir o sorriso, se aproximando pra acariciar o rosto bonito e sorridente de quem tanto ama.

- Isso eu acho só na farmácia esqueceu?-Eric volta a olhar a lista em suas mãos- Acho que pegamos tudo amor, vamos?

O outro concorda com um aceno, olhando o carrinho pra ter certeza que pegaram mesmo tudo o que precisavam.

- Pegamos poucas frutas, devíamos levar mais um pouco, mamãe vai gostar.

- Ainda temos as que sua mãe mandou lembra?

- Ah verdade, minha mãe é exagerada. Ou isso ou quer engordar a gente.

Os dois estão rindo quando um carrinho para diante do deles, estão claramente obstruindo a passagem, já se preparam para se desculpar e sair da frente quando percebem quem é...

- Chef...- Eric sorri um pouco sem jeito.

Faz exatamente 2 semanas agora desde a última vez que se viram. Thahan por algum motivo que Eric não consegue entender até agora simplesmente surtou de uma hora pra outra, dizendo que não gostava do Chef nem da proximidade deles no trabalho, nenhum argumento parecia convencê-lo e no final Thahan concordou em que o Chef podia continuar no restaurante, mas ele nunca mais iria pisar os pés lá. Tanto a insistência quanto a explosão fizeram Eric lembrar da praia, da situação inusitada e do comportamento irregular de Thahan, o rapaz no geral só fica fora de si quando a situação envolve Eric e ciúmes.

Não queria se livrar do novo Chef por motivos tão infantis, mas no fim aquele trabalho fazia por Thahan, pra terem uma vida melhor e boa juntos, então como algo que fazia pelo bem deles dois podia fazer se isso os afastasse? Acabou que teve que dispensar o rapaz no dia seguinte e agora tinha uma nova Chef no restaurante uma que tinha virado já melhor amiga de Thahan inclusive, ao ver como tudo ficou tão tranquilo assumiu que foi a melhor escolha dispensar o outro.

Ayan apenas acenando com a cabeça cumprimentou os dois antes de seguir com as próprias compras, Eric levantou as mãos em respeito, Thahan apenas revirou os olhos e depois fingiu estar escolhendo um shampoo na prateleira do mercado.

- Ciumento...-Eric criticou assim que Ayan estava longe- Vai sair daquele trabalho onde tem aquele traste que gosta de você também vai?

Thahan sorri amplamente e olha Eric nos olhos.

- Verdade, não te contei o que aconteceu com meu querido P'Sun ontem...

- Como assim? O que diabos aconteceu com aquele bastardo que fez você sorrir assim?

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