Na sexta-feira, Carina encontrou um comunicado oficial em sua correspondência dizendo que a professora Bishop havia aceitado ser a orientadora da sua dissertação. Ela estava olhando assombrada para o comunicado, se perguntando por que ela teria mudado de ideia, quando Gabriela surgiu atrás dela.
— Pronta? — Ela a recebeu com um sorriso e guardou o comunicado em sua mochila remendada. Elas saíram do prédio e começaram a descer a Bloor Street em direção à Starbucks mais próxima, que ficava a apenas meio quarteirão de distância — Quero saber do seu encontro com Maya, mas antes preciso lhe contar uma coisa — disse Gabriela, séria. Carina olhou para ela com algo parecido com ansiedade no rosto — Não se assuste, Coelhinha. Não vai doer — Ela afagou seu braço. O coração de Gabriela era quase tão grande quanto ela própria, por isso ela era muito sensível à dor alheia. — Sei o que aconteceu com seu bilhete. — Carina fechou os olhos e praguejou.
— Gabriela, me desculpe. Eu iria lhe contar que fiz a burrice de escrever o recado no seu bilhete, mas não tive oportunidade. Não disse a ela que a letra era sua. — Gabriela apertou o braço de Carina para que ela parasse.
— Sei que não. Eu disse. — Carina ergueu os olhos para ela, pasma
— Por que faria uma coisa dessas?
— A Sra. Coady me contou que Bishop tinha chamado você e calculei que ela a pretendia dar uma bronca daquelas. Encontrei uma cópia do seu bilhete numa pilha de papéis que ela deixou para mim. — Gabriela deu de ombros. — Ossos do ofício quando se é assistente de pesquisa de uma perfeita idiota. — Carina bebericou seu café e esperou que ela prosseguisse. — Então, quando encontrei uma cópia do seu bilhete no meio das coisas que Bishop deixou para mim, não tive dúvidas de que ela lhe daria uma dura. Descobri o horário da sua reunião e marquei um encontro com ela antes. Então confessei que tinha escrito aquele bilhete. Até tentei convencê-la de que eu tinha forjado sua assinatura de brincadeira, mas ela não engoliu.
— Você fez tudo isso por mim? — Gabriela sorriu e abriu casualmente seus braços.
— Estava tentando ser um escudo humano. Achei que, se ela gritasse comigo, a raiva já teria passado quando chegasse a sua vez. — Gabriela analisou a expressão no rosto de Carina. — Mas não adiantou nada, adiantou?
— Ninguém nunca fez nada parecido por mim antes. Fico lhe devendo essa.
— Esqueça. Só queria que Maya tivesse despejado toda a raiva em mim. O que ela falou para você? — Carina concentrou sua atenção no café e fingiu que não tinha ouvido a pergunta. — Tão ruim assim, é? — Gabriela coçou o queixo, pensativa. — Bem, a raiva deve ter passado, porque ela foi educada com você na última aula. — Carina deu uma risadinha.
— Ah, claro. Mas não me deixou responder a uma única pergunta, nem mesmo quando levantei a mão. Estava ocupada demais deixando Beth, falar tudo sozinha. — Gabriela observou sua indignação repentina e achou graça.
— Não se preocupe com Beth. Ela está prestes a ter sérios problemas com Maya por causa da tese. Bishop me disse que não gosta da direção que ela está tomando.
— Isso é péssimo. Ela já sabe? — Gabriela deu de ombros.
— Deveria ser capaz de perceber sozinha. Mas quem sabe? Está tão concentrada em seduzi-la que tem sido negligente com o trabalho. É constrangedor. Hey, você gosta de comida tailandesa?
— Gosto. Costumava ir a um tailandês ótimo com... — Ela se deteve antes de falar o nome dela em voz alta.
O restaurante era aonde Carina sempre ia com ela. Ela se perguntou se elas costumavam ir lá agora, se comiam na sua mesa, riam do cardápio, zombavam dela... Gabriela pigarreou baixinho para atrair gentilmente sua atenção de volta.
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HEAL
Fanfiction- Você implorou para que eu a encontrasse, que a procurasse no Inferno. Foi exatamente onde achei você. E, por mim, pode ficar para sempre onde está. - Do que você está falando? - Nada. Para mim chega, professora Bishop. - Por que escreveu aquele bi...
