– Isso é bem tarde. Tem certeza?
– Ah, por favor! Foi Maya quem escolheu a boate e, segundo ela, não abre antes das nove. Vamos chegar até cedo demais. Vá se arrumando com calma e nos vemos à noite. Você vai ficar maravilhosa!
Carina desligou e ficou admirando seu lindo vestido novo. Melissa tinha o mesmo espírito generoso da mãe. Era uma pena que Maya não tivesse sido contaminada por esse espírito. Carina se perguntou como conseguiria dançar com aqueles sapatos sensuais e perigosos. Em seguida, pensou na perspectiva excitante e ligeiramente assustadora de dançar com uma certa professora. Mas Melissa disse que ela se recusa a dançar. Típico.
Num arroubo de inspiração, Carina foi até sua penteadeira e abriu com cautela a gaveta de roupas íntimas. Sem olhar para a fotografia escondida no fundo dela, pegou a pequena e sexy tira de pano que só com muito boa vontade poderia ser chamada de roupa íntima – e mesmo assim se você considerasse "roupa íntima" qualquer coisa usada por baixo de um vestido. Carina segurou a tira de pano na palma da mão (sim, ela era minúscula a esse ponto) e meditou diante dela, como se fosse uma imagem de Buda. Então, sem pensar muito no assunto, decidiu usá-la, na esperança de que, como um talismã ou um amuleto, lhe desse a coragem e a confiança de fazer o que precisava fazer. O que queria fazer. Que era lembrar a Dante o quanto ele havia perdido ao abandoná-la. Beatriz já não queria saber de lacrimosa.
O Lobby era um bar e lounge sofisticado na Bloor Street. Gabriel, no melhor estilo dantesco, sempre se referia ao clube como O Vestíbulo, pois gostava da ilusão de que os frequentadores eram como os pagãos virtuosos que passavam a eternidade na versão de Dante para o Limbo. Porém a verdade era que o Lobby e seus clientes tinham muito mais em comum com os vários círculos do Inferno. Maya não queria levar Carina ali, muito menos Melissa, pois aquele era seu local de caça, aonde sempre ia para saciar seus apetites. Muitas pessoas a conheciam ali, ou tinham ouvido falar a seu respeito, e ela temia o que elas poderiam dizer – as indiscrições que poderiam escapar de lábios vermelho-sangue. Mas Bishop se sentia confortável no Lobby, confiante de que poderia controlar o ambiente. Não havia a menor hipótese de Maya levar Melissa e Carina a um ambiente que não pudesse controlar. Quando Melissa e Carina saltaram do táxi e a seguiram obedientemente até a porta do Lobby, depararam com uma fila enorme. Maya ignorou as pessoas na fila e se aproximou do segurança, um homem branco e grande com brincos de diamante. Ele apertou a mão de Maya, cumprimentando-a com formalidade.
– Sra. Bishop.
– Bobby, gostaria de lhe apresentar minha irmã, Melissa, e sua amiga, Carina – disse Maya, indicando as jovens, ao que Bobby sorriu e meneou a cabeça, dando um passo para o lado para que elas entrassem.
– O que foi isso? – Sussurrou Carina para Melissa enquanto elas entravam num espaço preto e branco moderno, decorado com bom gosto.
– Minha irmã está na lista VIP. Não pergunte – respondeu Melissa, franzindo o nariz.
Maya as conduziu até os fundos do clube. Tinha reservado uma área exclusiva chamada Salão Branco – um nome inventivo escolhido em função de sua decoração monocromática. As duas amigas se sentaram num banco branco acolchoado, acomodando-se nas almofadas de pele. De onde estavam, conseguiam ver a pista de dança, localizada bem no centro da boate, com acesso para todos os salões privativos. Não havia ninguém dançando. Melissa lançou um olhar de admiração para sua protege.
– Carina está linda, não está, Maya? Deslumbrante. – A pele de Carina adquiriu um tem incomum de vermelho, e ela começou a puxar a bainha do vestido.
– Melissa, por favor – sussurrou.
– O que foi? Ela não está linda? – Melissa fechou a cara para a irmã, que lançava um olhar de alerta para ela.
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HEAL
Fanfiction- Você implorou para que eu a encontrasse, que a procurasse no Inferno. Foi exatamente onde achei você. E, por mim, pode ficar para sempre onde está. - Do que você está falando? - Nada. Para mim chega, professora Bishop. - Por que escreveu aquele bi...
