Ela não pode me fazer mal.

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Quando Meagan conduziu as duas mulheres de volta à sala, Carina já havia roído as unhas até os sabugos e a adrenalina de Lena estava no limite. Os olhos de Carina foram imediatamente atraídos para Maya, mas o que ela viu a deixou perturbada. Seus ombros estavam curvados e ela estava inclinada para a frente na cadeira, com as mãos unidas entre os joelhos, tensas, e a cabeça baixa. Ficou olhando para ela, tentando forçá-la a retribuir o olhar. Mas foi em vão. A Professora Drumond estava sentada ao lado de Maya, de braços cruzados. Não parecia nada feliz.

– Srta. Deluca, permita-me ir direto ao ponto. Tendo em vista o testemunho da professora Bishop, a senhorita está dispensada. Informaremos a Secretaria de que a nota que lhe foi atribuída no curso da professora Bishop deverá ser mantida. – Carina ficou boquiaberta ao ouvir o pronunciamento do pró-reitor.

– Faremos tudo ao nosso alcance para garantir que a senhorita não seja ainda mais prejudicada. – O professor Webber lançou um olhar fulminante na direção de Maya. – Se a professora Bishop lhe causar qualquer tipo de problema ou se tiver qualquer preocupação quanto à repercussão do seu envolvimento com ela no passado, tenha a gentileza de comunicar a professora Drumond imediatamente. A senhorita tem toda a liberdade de prestar uma queixa de assédio contra a professora Bishop, mas deve fazê-lo em um prazo de até 60 dias após a entrega do seu último trabalho acadêmico. – O pró-reitor meneou a cabeça para Lena.

– Tenho certeza de que a sua advogada poderá lhe explicar os detalhes da política da universidade no que se refere a assédios. Também estou ciente de que prestou uma queixa contra a Srta. Alvarez, mas esperamos que vocês duas retirem as denúncias uma contra a outra, levando em conta o resultado desta audiência. A senhorita está liberada. – Ele começou a remexer seus papéis.

– Obrigada, Dr. William. – Lena abriu um largo sorriso e trocou um aceno de cabeça e um olhar significativo com kalinda.

– Não sou vítima de nada – insistiu Carina, teimosa.

– Perdão? – falou o pró-reitor, olhando por sobre a armação dos óculos.

– Eu disse que não sou vítima. Nosso relacionamento é consensual. – Ela se virou para encarar Maya. – O que está havendo? – Maya manteve os olhos fixos no chão.

– Srta. Deluca, o comitê fez questão de levar em conta o relato da professora Bishop – disse o professor Webber em tom gentil. – Mas, tendo em vista sua confissão, consideramos que ela deve ser responsabilizada pelos seus atos. O que inclui assegurar o bem-estar da senhorita.

– Meu bem-estar está relacionado a ela. Se ela vai ser punida, então que eu também seja.

Ela deu um passo em direção à mesa atrás da qual os membros do comitê estavam sentados. Maya ergueu a cabeça de repente, lançando um olhar furioso para Carina.

– Srta. Deluca, a universidade tem o dever de evitar que seus alunos sejam molestados por seus orientadores. Por favor, deixe-nos fazer nosso trabalho. – O tom de voz da professora Sharma não deixava de ser compassivo.

– Nós fizemos isso juntas. Se ela é culpada, eu também sou.

– Não necessariamente.

– Então me contém o que ela falou! Vocês precisam me dar a oportunidade de contra-argumentar. – Carina olhou em pânico para os rostos dos auditores, um a um, esperando que alguém, qualquer um deles, cedesse.

– A professora Bishop admitiu ter se envolvido em um relacionamento impróprio com a senhorita enquanto era aluna dela. A professora Bailey confirmou que avaliou o seu trabalho de conclusão de curso e orientou sua dissertação. Então estamos dispostos a ser lenientes com ela. A menos que a senhorita insista no contrário.

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