Capítulo 14: Cemitério Kouford.

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Me dirijo para casa para tomar um banho e me arrumar para o velório. Tive que sair mais cedo, já que meu horário de saída são as 17:30. Trabalho das 08:00 às 10:00 e das 13:00 às 17:30.

Saí da empresa as 16:00. Não precisei explicar muito para a Dominique, pois Melina já havia deixado o recado que eu sairia mais cedo. Aparentemente ser a dona tem suas vantagens.

De banho tomado, cabelo lavado, mas já seco e liso, escolho algo para vestir. O tempo está confortável, não sei dizer se é minha pele que é muito gelada, que me faz ser um pouco mais aconchegada ao frio. Mas está um clima gostoso.

Visto meu vestido preto justo. Ele é simples, nada chamativo. Molda minhas pequenas curvas, desde meu joelho ao meu ombro com duas alças pequenas e um pequeno decote.

Procuro um sobretudo felpudo e o deixo escorrer sob meu corpo me mantendo quente.

Jogo meus fios para trás, e coloco meus brincos com pequenos diamantes na orelha. Olhando para baixo noto o colar com pingente de tulipa.

Suspiro pesado. Talvez seja hora de deixar ir? Não sei se estou pronta...

Ajeito o pingente entre meus seios o deixando escondido por baixo do tecido.

—Quem sabe depois...— digo olhando minha imagem em frente ao espelho.

Coloco meu scarpin preto, e faço uma maquiagem leve. Apenas o comum e um batom vermelho vinho escuro que marca meus lábios.

Olho para o relógio em meu pulso.

—17:30.

Conversei com Melina após o almoço e ela disse que virá me buscar. Então só me resta aguardar.

Ouço o som da campainha.

—Na hora exata. — sussurro para mim.

Vou até a porta e vejo Melina vestida com um vestido preto justo na cintura e levemente mais solto do quadril para baixo. O decote em formato V mostra um pouco da renda de seu sutiã do mesmo tom. Enquanto seus fios loiros percorrem seu rosto e caem sob a alça grossa de seu vestido. Utilizando uma boina francesa também preta.

Não consigo ver seus olhos por estarem atrás das lentes escuras de seus óculos de sol.

Não falamos nada. Não trocamos nenhuma palavra. Nem mesmo nos tocamos. Simplesmente a vejo virar para o elevador, enquanto tranco meu apartamento.

Ela me espera para andarmos lado a lado até o carro, em que por gentileza, ela abre a porta para mim, e só então vai para o banco de motorista.

Em uma viagem longa e silenciosa vejo o céu começar a escurecer revelando que a noite se aproxima. Estamos quietas, recostadas em nossos assentos em silêncio, porém ele é confortável. Como se não precisasse de palavras para nos confortar.

Aproximando do local vejo inúmeros carros. Meu primeiro pensamento é que provavelmente ele tinha diversos amigos.

—Mannaggia! — seu sotaque italiano reverbera suas palavras em tom irritação.

Gostaria de saber o que ela falou, mas não me parece o melhor momento ao notar inúmeros paparazzis e repórteres próximos à entrada do cemitério.

É sério que eles não vão ter ao menos a sensibilidade de esperar o corpo esfriar?

Vejo Melina dar a seta indicando que vai estacionar o carro. Gesto este que não passa despercebido pelos entusiastas à fora que correm, como se fossem hienas lutando pela mesma carne.

E eles estão. Pela opinião de Melina sobre tudo isso.

—Espera. — sinalizo vendo a mulher querer a abrir a porta.

Mrs. VênusHistórias para pegar e não largar. Descubra agora