—Preciso falar com a senhorita Melina. —digo na recepção.
—Bem... —a secretária me fita de cima a baixo. Talvez o traje seja muita informação.
—Agora. —sou mais firme em minha fala.
—Vigésimo quinto andar.
No que eu trabalho?
Caminho em direção ao elevador enquanto recebo olhares curiosos ao me verem trajada dessa maneira.
Divido a caixa metálica com duas pessoas até chegar no local desejado, e sem saber muito o que fazer vou até a secretária da CEO — por ser a única outra sala do andar.
—Onde está a Melina? — questiono séria.
—Não posso compartilhar essa informação— diz sem tirar a visão do computador.
—Preciso que me diga onde ela está, e isso não é um pedido— sou mais firme, recebendo a atenção da mais velha.
—Eu não pos— ela é interrompida.
—Ela está no andar do porão, desça no elevador executivo que logo chegará— a voz da CEO ecoa na minha cabeça.
Assim como dito me direciono até o elevador só usado por algumas pessoas, algumas pessoas significam apenas ela.
Aperto em "-1" o andar do porão acredito. Os poucos segundos se parecem horas intermináveis em que sinto meus dedos gelarem e uma leve ansiedade por não saber exato o que posso encontrar. Até assustaria por não saber quem é Melina já que ela trabalha aqui, mas eu não conheço ninguém mesmo.
A porta de abre e vejo enormes caixas espalhadas, jogadas por todos os lados, mas com uma iluminação boa apesar de tudo. Vejo enormes estantes do chão ao teto com diversas coisas neles, livros, vidraçarias, papéis aleatórios... adentro mais no local e vejo uma enorme mesa branca e cadeiras ornamentadas ao redor. Vejo alguns itens de metais espalhados. Itens de laboratório. Vidraçarias, estufa mais afastada e alguns outros aparelhos.
—Mannaggia!— ouço uma voz com sotaque resmungar, não sei exatamente de onde— Onde deixei? Ah, achei! — ela comemora com um gritinho estridente, a mulher cantarola alguma música desconhecida por mim.
Caminho com cuidado, prestando atenção na voz e nas batidas do coração que parecem normais até o momento.
—Talvez senhorita Melina, se você não fosse cabeça de vento não perderia as coisas! — a voz doce persiste em falar, aparentemente, só.
Com quem ela está falando? Só ouço e vejo ela aqui. E pelo fone ela só está ouvindo música.
Aproximo lentamente do cômodo que ela está. Vejo a silhueta de uma mulher. Ela tem os fios loiros, e está usando um jaleco branco. Ela está vendo algo em um microscópio.
—Ok, ok, vamos ver o que temos aqui— ela continua.
Noto que a mulher é loira com ondas caindo como cascata sob o jaleco branco que está usando, e usa um tênis preto. Não vejo seu rosto por ela estar de costas.
Me aproximo de suas costas e fico ali parada até ela me notar.
—Do que você é feito senhor tecido? — ela permanece dentro da própria bolha.
Pigarreio para conseguir a atenção da mulher, mas não adianta.
—Achei!— cutuco seu ombro— AHHH— a mulher se atrapalha e se vira para mim, a mesma encosta o próprio corpo na mesa em que seu microscópio está e leva a mão ao peito suspirando ofegante. Seus batimentos acelerados chamam minha atenção— Oddio!— diz entre inspiradas profundas— Quase que você me mata de susto! Senhor!— a vejo se esquivar de mim indo até uma das estantes.
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Mrs. Vênus
Science FictionAlessa Amaral, CFO da empresa de tecnologia Ceccini Company aos 26 anos, terá que enfrentar as consequências pela exposição dos próprios dons, que vem acompanhado com a volta de um serial killer que manchou seu passado. Movida pela vingança, entre...
