Segunda-Feira. Dia 15 de outubro. Último dia de descanso de Melina.
Eu disse que seria melhor que eu ficasse com ela durante o dia, mas ela insistiu que estava melhor e eu devia vir trabalhar. Então aceitei, já que estou apenas à alguns andares acima. E ela prometeu que se sentir qualquer coisa irá me ligar, no entanto como sei que ela pode ser bem teimosa, fico monitorando seus batimentos daqui de cima.
Foram dias calmos. Bem, ao menos espero que tenha sido para ela, pois a cada vez que eu notava que ia ter que entrar com ela debaixo do chuveiro, foi motivo para meu coração acelerar, sem contar com a aquele sentimento abaixo que não é causado pelo ar condicionado.
O telefone vibra em cima da minha mesa me tirando dos meus devaneios.
—Senhorita Amaral. A senhorita Elise Amaral está aqui fora.
O que será que ela quer? Faz um tempo que não nos falamos, mas até onde seu está tudo bem com ela, Helena e o bebê de pouco mais de um mês. Qual era o nome mesmo? Luiz? Ruiz? Richard?
—Deixe-a entrar.
A porta se abre e uma figura extremamente animada adentra meu escritório.
—Está muito contente para uma manhã de segunda-feira. —digo para a cacheada com os olhos pequenos pelo tamanho do sorriso.
—Claro que estou! O Rian está ficando de joelhos já! Ele é muito inteligente. Até está flexionando os bracinhos. Ele é muuuito fofo! Você tem que ir vê-lo. — comenta empolgada se jogando no sofá.
Rian! Isso.
—Quem te vê animada assim acredita que você também é mãe dele... — comento brincando e a vejo ruborizar um pouco— Elise?
—Estou apaixonada por aquela criança. E confesso que se a Helena quisesse dividir isso completamente comigo de forma oficial eu aceitaria. —responde nervosa brincando com os dedos.
—Vocês...?
—Oh não. Não temos nada romântico ou sexual nem nada. Mas compartilhamos um amor muito grande pelo Rian.
—E você tem vontade?
—Não sei. Sinceramente não tenho... sabe... desejo de ter essa intimidade com alguém. Ou sei lá...
—Como assim? —franzo a testa me levantando indo até a garota.
—O sexo sabe. Não tenho interesse nisso...— confessa um pouco tímida— Sei lá. Talvez eu esteja confusa, ou não achei a pessoa certa, ou...
—Ei tudo bem —me sento ao seu lado. —As pessoas são diferentes. Elas amam e desejam coisas diferentes de forma diferente. E tudo bem. Talvez você seja assexual e está tudo bem. Você não é obrigada a gostar disso, porque outras pessoas gostam. —passo um braço ao redor de seu pescoço.
—Mas e se ninguém quiser ficar comigo por isso? — sua insegurança é palpável.
—Vou ser sincera com você abelhinha. Nem todos que chegarem em sua vida irão te entender, assim como não é obrigação de ninguém ficar. Mas é obrigação respeitarem você. Não faça algo que não gosta e te deixa mal, pois pode perder alguém. Pessoas vêm e vão, e no final ficará apenas você, e você quem ficará com as consequências. Se alguém chegar na sua vida, e te amar, e você amar essa pessoa. Acredito que juntos poderão lidar com isso e se adaptarem. Sempre tem alguém perfeito para a gente. Inclusive tem pessoas que tem sorte de ter mais que uma. —mantenho a calma para explicar.
—Eu tenho medo...
—Significa que você é humana e corajosa. Eu tive a imensa sorte de te ter na minha vida. Minha irmãzinha pela qual eu moveria céus e terra. —ela encosta a cabeça no meu ombro.
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Mrs. Vênus
Science FictionAlessa Amaral, CFO da empresa de tecnologia Ceccini Company aos 26 anos, terá que enfrentar as consequências pela exposição dos próprios dons, que vem acompanhado com a volta de um serial killer que manchou seu passado. Movida pela vingança, entre...
