A viagem até a cidade vizinha é calma, escolho ir dirigindo para evitar olhares curiosos de vizinhos, e além disso assim eu posso levar algumas malas.
Me aproximo da casa onde passei minha adolescência. Foi um período... anômalo do que eu conheci durante a fase anterior. Durante minha infância eles não se preocuparam tanto com minha educação então não frequentei a educação infantil e os primeiros dois anos do fundamental I, mas como os experimentos que fizeram em mim ampliou meu campo cognitivo, minha memória, habilidade social e de me comunicar, além de focar em algo, expandiu drasticamente. Então apesar de eu chegar na escola durante o segundo semestre da terceira série, assim que eu tive contato com o conteúdo eu aprendi, e assim foi o restante da minha vida acadêmica. Por isso minha adolescência foi cheia de prêmios escolares. As olimpíadas foram fáceis para mim, e isso deixaria meus pais orgulhosos, no entanto minha vida social não foi tão desenvolvida, eu não tinha interesse em amizades, minha irmã bastava. Eu cuidava dela e pronto, tudo ótimo. Pessoas tentavam se aproximar, mas eu afastava. Me autoexclui da sociedade, e gostaria de dizer que me arrependo, mas não... vivo bem sozinha.
Estaciono o carro na frente da casa, inspiro e expiro para me acalmar e ter coragem de descer. Pego minha bolsa de mão no banco de passageiro. Pressiono levemente a campainha e em alguns segundos uma figura, por mim conhecida, abre a porta.
—Ale! Filhinha, que bom que você veio— meu pai me cumprimenta. Vejo a felicidade em seu olhar e sua vontade de me abraçar é enorme, mas ele sabe que não gosto desse tipo de contato corpo a corpo.
—Hey Pai, foi meio que de última hora. — respondo entrando dentro da casa.
Ela ainda está como eu me lembrava, em tons de amarelo claro e branco, logo na entrada está a escada de madeira que leva ao segundo andar em que estão os quatro quartos, mas nesse é onde está a sala de estar, e passando o portal chega à cozinha acoplada com sala de jantar, enquanto na parede adjacente está a porta que leva ao banheiro, enquanto na oposta leva ao escritório.
Adentro a cozinha onde vejo quatro rostos femininos, minha mãe de costas me permitindo reconhecê-la apenas por seus fios preto misturado com grisalho, minha irmã, a ex-grávida de fios castanhos e o bebê careca.
—Estrelinha! — a mais nova vem correndo até mim me envolvendo em seus braços. Me sinto um pinguim pela forma em que ela me aperta.
—Oi abelhinha— cumprimento enquanto ela se afasta. — Oi mãe— digo mais baixo para a figura de cachos longos grisalhos que está cortando alguns legumes. Provavelmente para o almoço.
—Olá Alessa— responde sem me olhar.
Migro minha visão para a garota com uma criança no colo, sinalizando para que Elise nos apresente adequadamente.
—Bem Ale, aquela é a Helena Johnson, e o pequeno é o Rian Johnson, acho que vocês precisavam de uma apresentação mais formal...
—Olá— digo simples, colocando minha bolsa na estante próxima.
—Obrigada por ter me ajudado. — respondo com um sorriso de canto para a mais nova mamãe.
— Precisamos conversar— falo direcionando meu olhar para minha irmã.
Ela logo entende sobre o que me refiro.
—Vamos para cima.
Subimos as escadas e passamos pelo quarto de hóspedes e meu antigo quarto, e logo chegamos ao da mais nova.
A cacheada tranca a porta atrás de si, enquanto eu me sento na poltrona em seu quarto e ela se joga na própria cama, deitando-se de bruços, e suas mãos apoiando seu rosto.
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Mrs. Vênus
Science-fictionAlessa Amaral, CFO da empresa de tecnologia Ceccini Company aos 26 anos, terá que enfrentar as consequências pela exposição dos próprios dons, que vem acompanhado com a volta de um serial killer que manchou seu passado. Movida pela vingança, entre...
