20. Clarke

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— Pronta? — sussurrou Lexa na minha orelha depois que todos trocaram presentes.

— Por favor — respondi, virando o que ainda restava do chá na minha xícara.

Depois que a medicação fez efeito, tudo se tornou uma névoa sem complicações. Quando chegássemos em casa, eu poderia me entregar a Lexa. Ela me deu um beijo demorado no ombro, seguido por uma mordida, a promessa de intimidade como uma tentação inegável.

— Clarke e eu estamos de saída.

— Vocês não vão passar a noite aqui? — perguntou Indra, frustrada.

— A AG está sozinha — respondeu Lexa, com as mãos em torno da minha
cintura enquanto eu me levantava.

Com o movimento, a sala girou: o remédio me deixava levinha, levinha.
Lexa colocou todos os presentes na caixa que tínhamos trazido e me ajudou a vestir o casaco. Usei o banco para me sentar e calçar os sapatos, pois estava sem equilíbrio para ficar em pé. Mal notei os abraços e os “tchaus” porque minha cabeça estava em outro lugar.

Lexa me levou até o carro e destrancou a porta.

— Sinto muito que o dia não tenha sido mais fácil — disse ela. As palavras se transformaram em espirais fantasmagóricas, desaparecendo no ar frio.

— Você estava comigo. Isso ajudou.

Segurei seus ombros e a puxei. O corpo dela veio pressionar o meu enquanto seus lábios se abriam e continuávamos de onde tínhamos parado no banheiro. As mãos dela foram parar na minha cintura, sua ereção insistente contra minha barriga.

— Preciso levar você para casa.

— Por favor — falei, procurando a maçaneta.

Lexa me ajudou a entrar no carro gelado. Ela se ajeitou enquanto dava a volta pela frente, suas intenções tão claras quanto as minhas. Os presentes foram jogados sem cerimônia no banco de trás.

— Eu devia ter aquecido o carro antes — disse ela enquanto ligava o motor.

— Vai esquentar rápido — comentei, colocando as pernas para cima e esfregando-as por cima do náilon fino.

Ela engatou a ré e arrancou com pressa assim que chegamos à rua. Sem conseguir me manter longe dela, pousei a mão em seu joelho. Lexa olhou para baixo, mas não disse nada. Subi a mão para a coxa. Os músculos da perna se contraíram. Lexa ofegou quando acariciei sua ereção.

— O que você está fazendo?

— Tocando você.

Peguei o cinto dela, passando o couro por baixo da fivela, abrindo-a e desabotoando a calça.

— Não sei se isso é uma boa ideia.

— Não consegue fazer várias coisas ao mesmo tempo?

— Depende do que for.

Deslizei a mão por dentro da calça dela, passando o dedo na bolinha quente de aço. Lexa segurou o volante com força. Ela sussurrou um “Puta merda”. Seus olhos se viraram para mim.

— Devíamos ter ido embora mais cedo.

Ela ligou a seta e fez uma série de curvas, levando-nos mais para dentro de um bairro enquanto eu a libertava da calça e continuava as carícias.

— Espere — rangeu ela, por entre os dentes cerrados, enquanto girava o volante e o carro virava de repente.
Lexa diminuiu a velocidade e embicou em uma entrada de garagem antes de pisar no freio de supetão. Sua respiração ofegante foi abafada pelo zumbido alto de um portão de garagem se abrindo.

— Onde estamos?

— É esse o lugar que estou reformando com o Kane.

— Ninguém mora aqui?

— No momento, não.

Ela estacionou na garagem. Com o carro já lá dentro, o portão se fechou. Lexa desligou o motor e os faróis se apagaram, nos lançando na escuridão.
Cegas, tateamos em meio ao breu, mãos buscando uma a outra, bocas se conectando. A língua dela forçou meus lábios a se abrir, e eu logo desafivelei o cinto de segurança para me aproximar mais. Éramos uma massa de membros enrolados, puxando e empurrando enquanto tentávamos transpor o espaço entre nós.

Eu estava pressionada contra a porta do carona, pernas abertas, uma das mãos no painel e a outra segurando o encosto de cabeça. Lexa estava em cima de mim, meio apoiada no console, contorcida em uma posição desconfortável com a qual ela não parecia se importar. Ela procurou a barra do meu vestido, deslizando a mão pela perna até chegar na borda de renda das minhas meias sete oitavos.

Então, ela parou. Sua mão bateu no teto e a luz interna se acendeu. Pisquei, me acostumando ao brilho repentino.

— Como é que eu não vi isso?

— Eu coloquei pouco antes de a gente ir embora, enquanto você pegava os
presentes.

—Você é uma espertinha gostosa.

Ela passou o dedo por baixo da liga cor-de-rosa e subiu até o cetim entre minhas pernas. Acariciou meu clitóris. Eu arqueei o corpo e joguei a cabeça para trás, que acabou batendo na janela.

— Merda. Você está bem? — A mão dela continuou entre as minhas pernas, mas ela parecia confusa enquanto examinava meu corpo. Seus olhos foram ao encontro dos meus. — Talvez seja melhor a gente não fazer isso aqui. Não tenho a chave para entrar. É melhor eu levar você para casa.

O dia tinha sido pesado demais. Eu queria que Lexa o apagasse.

— Não quero esperar até chegar em casa. Quero que você me coma agora.

Após um momento de hesitação, ela mexeu na alavanca do meu banco e eu caí para trás rapidamente. A caixa com os presentes virou em cima de mim, derrubando tudo.

— Droga — disse Lexa, esticando o braço para tentar evitar que caíssem no chão.

— Deixa pra lá. — Segurei o queixo dela, meu desejo cada vez mais urgente.

Lexa chupou meu lábio inferior e tentou montar em mim, mas não conseguiu encaixar as pernas no espaço entre o banco e o painel. Ela grunhiu quando bateu a cabeça no teto.

— Não tem espaço suficiente — reclamou ela, erguendo meu vestido até a cintura.

— E se a gente fizer no capô?

Ela congelou.

— Como é?

— Tem bastante espaço lá.

Apontei para a ampla extensão de metal preto, me lembrando da vez em que ela mencionou a ideia de usá-lo antes de eu voltar a Arden Hills.

— Eu estava meio que brincando — disse ela, me repreendendo.

— Não, não estava.

Lexa saiu do carro antes mesmo que eu pudesse reagir e abriu a porta para mim. A luz interna deixou o rosto dela na sombra, tornando seu sorriso quase sinistro quando se debruçou no teto.

— Sai do carro, gatinha.

...

Abaixem as facas!!!
*Desvia das pedras*
Não me matem por causa desse final, por favor...

Marcadas para sempre Histórias para pegar e não largar. Descubra agora