18. Clarke

524 54 9
                                        

Eu queria muito dizer a Lexa quanto tinha amado o cordão. Niylah havia me dado muitas joias, mas nenhuma delas tinha a minha cara tanto quanto aquele pingente. E era exatamente por isso que eu estava desmoronando. A ausência da minha família tornava as celebrações de fim de ano muito difíceis. Adicionando a isso a consciência cada vez maior dos meus sentimentos por Lexa, pronto: eu era uma bomba-relógio. A ansiedade dificultava o raciocínio, então apenas me sentei no colo dela e fundi a boca à de Lexa. O celular de Lexa vibrou no bolso, mas ela ignorou. Quando o meu começou a tocar, alguns segundos depois, ela suspirou e se afastou.

— Deve ser a Harper querendo saber se a gente já saiu.

— O que vai acontecer se eu não atender?

— Ela vai ficar ligando.

Lexa tinha razão. Meu telefone parou de tocar e o dela começou de novo. Ela me colocou na almofada ao lado e enfiou a mão no bolso.

— Vamos sair em cinco minutos — disse ela como forma de cumprimento.

Não consegui ouvir a resposta, mas a testa franzida de Lexa denunciou a bronca de Harper. Chequei a hora. Já deveríamos estar na casa de Indra. Lexa quase nunca se atrasava para nada; eu é que enrolava.

Tínhamos retomado os velhos hábitos nos últimos dias, nos isolando e recusando convites para beber a fim de passarmos mais tempo sozinhas. Na maior parte do tempo, na cama dela. O contato físico me ajudava a não pensar muito.

— Já estamos chegando — disse Lexa com um pouco mais de veemência. — Sim… Não… Está bom. Não vou esquecer a salada. Não, não é comprada pronta. Estou ofendida. Até daqui a pouco. — Ela desligou com um suspiro irritado.

— É melhor a gente ir, né? — sugeri. Eu me sentia mal por haver pessoas
esperando por nós.

— A Indra só vai servir o jantar às cinco. Temos tempo de sobra. A Harper só quer a gente lá para começar os drinques.

— E ela não pode fazer isso até a gente chegar?

— Pode. Ela só está sendo chata. — Ela pegou a caixa que estava na mesa de centro e a colocou no colo. — Vou abrir isso aqui antes de sairmos.

Lexa deslizou o dedo com cuidado por baixo da borda de papel presa com fita adesiva. Conseguiu abrir o pacote sem rasgá-lo. Eu me mexi impaciente enquanto ela erguia a tampa e tirava o enchimento que protegia as bordas. Então ela virou o quadro.

— Puta que pariu.

Os olhos dela passearam pela imagem preta e branca que começava no meu pescoço e terminava no meu quadril. O corpo estava ligeiramente inclinado, de modo que a curva do meu seio estava visível, mas o foco era minha tatuagem inacabada. Harper ia ter que tirar outra colorida quando estivesse completa.

— É você.

— Gostou? — perguntei, preocupada com a expressão sombria dela.

— Vou fazer uma pergunta e não quero que você fique chateada comigo. — Como não respondi, ela continuou: — Quem tirou isso?

— A Harper tirou todas.

— Todas?

— São três.

— Você está pelada em todas?

— Em duas, sim.

Ela lambeu o lábio inferior.

— Quando vou ver as outras?

— Você vai ganhar uma na casa da Indra e outra amanhã de manhã. A da Indra é a menos reveladora.

Marcadas para sempre Onde histórias criam vida. Descubra agora