Lexa saiu do elevador como um trovão.
— Vamos embora daqui.
Ela agarrou minha mão, me puxou da cadeira e seguiu em direção à porta. Quase tive que correr para acompanhá-la. Seu maxilar estava trincado, os olhos em chamas. Quando chegamos ao carro, ela me ajudou a entrar e deu a volta sem dizer uma palavra. Colocou a chave na ignição e ligou o motor.
— Você está bem? — perguntou ela.
— No geral, sim.
— Ele passou a mão em você.
— Eu disse a ele que sabia do caso com a aluna, e ele ameaçou me expulsar do programa. Ele também disse que se eu divulgasse a informação, ele tornaria impossível conseguir outro orientador para mim. Então mostrei o vídeo no meu celular. Ele tentou pegá-lo da minha mão.
Lexa respirou fundo algumas vezes, apertando e soltando o volante, olhando pelo para-brisa. Eu não conseguia enxergar nada além da raiva dela, e minhas próprias emoções estavam muito abaladas.
— O que aconteceu depois disso?
— Eu abri a porta. Você estava lá.
Enfim, ela olhou para mim.
— Foi só isso?
— Ele segurou meu braço para pegar o celular, mas não conseguiu, então
acabou puxando a manga do meu vestido.
— Você vai ter um novo orientador no começo do próximo semestre.
— O quê? Como isso é possível?
Normalmente a gente leva meses para
conseguir algo assim.
— Jaha vai dar um jeito; ele acha que, se não fizer isso, o vídeo vai chegar à reitoria.
— Deveria chegar à diretoria de qualquer forma.
Se Jaha fez aquilo comigo e com aquela outra menina, ele provavelmente já tinha feito antes e faria de novo.
— Sim, mas primeiro eu quero que aquele filho da puta encontre um novo
orientador para você. Aí você pode derrubar o castelo de cartas dele.
Lexa pegou o celular e fez uma ligação.
— Oi, Harper. — O tom dela era cortante. — A que horas é a minha primeira sessão?… E a próxima?… Você pode reagendar a primeira para o meio-dia e deixar aquele espaço de tempo livre? Vou me atrasar… Aham… Não… Sim.
Ela desligou.
— Você não precisava ter reagendado seu primeiro cliente. Eu estou bem.
— Eu não.
— Ele não me machucou.
— Mas poderia ter machucado. Se eu não estivesse lá, talvez tivesse tentado.
Lexa se aproximou e tocou meu rosto. Seus dedos tremiam, como se ela
estivesse tendo dificuldades para controlar as emoções.
— Mas você estava lá, então está tudo bem — falei, tentando acalmá-la.
— Vou levar você para casa.
— Não precisa. Quer parar em algum lugar primeiro? Podemos comer alguma coisa.
— Não estou com muita fome.
— Talvez você se sinta melhor.
— Só tem uma coisa que vai me fazer me sentir melhor. — Ela me fitou com
olhos sombrios. — E, apesar de eu não me importar nem um pouco em transar com você no banco de trás, prefiro mil vezes fazer isso no conforto da minha cama, porque acho que não vou conseguir ser muito cuidadosa.
VOCÊ ESTÁ LENDO
Marcadas para sempre
RomantikSegunda temporada de flor da pele. Depois de perder Clarke, a tatuadora Lexa Woods volta a ser atormentada por seu passado traumático, e suas noites são tumultuadas por pesadelos sobre a morte dos pais. A única maneira que encontra para ficar em pa...
