XVII. A Segunda Primeira Vez

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Ver a imagem de Héricles Vaughn parada ali na porta foi como um bálsamo em meio a todo aquele pesadelo que ela estava vivendo e que provavelmente poderia piorar se o homem não tivesse chegado na hora certa. O corpo forte de Khennan ainda se postava em cima dela, machucando-a e afundando-a sobre o colchão, mas assim que a voz de seu pai ressoou pelo quarto, o rapaz tomou um pulo e caiu para o lado, a face amedrontada ao ver a silhueta de Héricles fitá-lo com ódio. Breeze gritava em meio ao choro e nem se importou com sua nudez, apenas tentava sair o mais rápido possível de perto de Khennan e de todo aquele transtorno que ela estava vivendo.

Antes que pudesse chegar ao pai, Nana a abraçou com força enquanto a menina chorava forte. A mulher sentia o coração pesar ao ver sua fille daquele jeito. Os cabelos da menina estavam bagunçados e totalmente fora de ordem enquanto o sangue descia por seu rosto pelo corte fundo que Khennan havia provocado ao lançá-la na cama. Mas nada naquele momento foi mais reconfortante do que o abraço de Nana e a presença inesperada de seu pai.

- Vai ficar tudo bem, mon amour. Não chore, shh. - ela acariciava os cabelos de Breeze que não conseguia murmurar uma só palavra, apenas via o desespero estampado em sua frente e o fato de que quase fora violentada por Khennan.

Héricles Vaughn era um homem alto e forte, de quase um metro e noventa de altura e toda a sua massa muscular foi tomada por ódio assim que ele postou os olhos em cima de Khennan. O loiro estava marcado no rosto pelo tapa que Breeze havia dado, porém o que mais chocava naquela cena era ver que o garoto havia se excitado e realmente estava disposto a estuprar Breeze. O motivo Héricles não sabia, mas nada no mundo significaria coisa alguma quando ele forçava sua visão para enxergar o que estava diante de seus olhos: aquele filho de uma puta tentou estuprar sua filha. Aquele energúmeno havia machucado a sua menina e tudo o que ele mais temia que acontecesse estava bem à sua frente. Ele temia por Breeze se machucar com algum namorado por ele a ter enganado e a feito de idiota, mas aquilo era muito além de machucar. Aquilo era ferir o sentimental e o psicológico de uma pessoa. Um ato completamente abominável que ele não conseguia nem ouvir sua menção.

Cegado pelo ódio e pela vontade de acabar com a vida daquele imbecil, deu passos rápidos e certeiros até à direção do garoto, que se encolheu, mas não foi o suficiente para que Héricles não o pegasse pela gola da camisa e o erguesse uns bons centímetros do chão. Seus olhos azuis escuros furiosos se postaram sobre os verdes amedrontados de Khennan e isso fez com que ele erguesse o garoto ainda mais no alto e puxasse a gola mais força, fazendo com que a respiração do menino ficasse entrecortada.

- O que você pensa que estava fazendo, seu filho da puta? - ele falou baixo, mas as palavras eram mais cortantes que uma espada. O garoto mordeu a língua, tentando procurar a coragem que havia se esvaído tão rapidamente assim que Héricles havia pisado os pés naquele cômodo. - Me responde, seu infeliz! - ele ergueu o corpo de Khennan ainda mais. - O que você estava pensando que ia fazer com a minha filha?

- Eu... Eu... - ele gaguejou e os olhos passaram a ficar vermelhos, como se ele quisesse se debulhar em lágrimas, mas o que mais o afligia naquele momento era o ar que mal passava por seus pulmões. - Eu não...

- Responde como homem, garoto. Eu quero que diga na minha cara o que você ia fazer com a minha filha. Quero ver se você é homem como pensa que é. - ele afrouxou um pouco o aperto no pescoço do menino, fazendo-o puxar o ar com força, mas ainda assim tinha a gola da camisa suspensa em sua mão.

- Eu não sei o que deu em mim, eu...

- Não sabe? - o homem rugiu. - Então você simplesmente entra na minha casa, invade o quarto da minha filha e tenta estuprá-la sem mais nem menos? Você quer que eu acabe com você, idiota?

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