XXII. Anabell Cresswell

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O despertador nem precisou acordar Breeze Vaughn, pois antes mesmo que o sol pudesse nascer forte do lado de fora, seus grandes olhos azuis já estavam bem abertos e seu sono muito longe de seu corpo ainda repousado em cima da cama, coberto apenas até a cintura. O dia começou com um ar diferente e toda ansiedade passou a ficar cada vez mais forte assim que Breeze se colocou para fora da cama, buscando olhar depressa as horas e contar quanto tempo ainda teria de esperar para o meio-dia, a hora marcada de Ethan vir buscá-la.

Por um lado, ela não entendia o porquê de toda aquela ansiedade sendo que iria apenas conhecer Anabell Cresswell, talvez até mesmo o pai de Ethan, Marcius, o qual despertava mais a curiosidade da garota. Talvez este seja o motivo para tanta ansiedade e inquietação. Conhecer os pais de Ethan era como um novo começo, um passo muito importante que ambos estavam dando enquanto diziam "sim" para um futuro que se abria para eles. Ethan confiar nela significava muito mais do que ela poderia imaginar ou querer. Era como se a confiança de algo muito valioso fosse depositada em seus cuidados para que ela pudesse fazer aquilo que é o melhor. E por dentro ela sentia que conhecer a família de Ethan era o melhor que deveria fazer.

Por outro lado, ela não tinha muita certeza se essa realmente era a melhor decisão a se tomar. Como não tinha mais como voltar atrás, a única alternativa era enfrentar qualquer consequência que viesse acontecer sendo ela boa ou ruim. E não poderia utilizar Nana como apoio aos seus problemas, porque se lembrava muito bem de que a governanta não estava de acordo com Breeze se meter na vida de Ethan sem que o menino a convidasse. Por mais que ele tivesse concordado em levá-la para conhecer sua casa, poderia não ser exatamente aquilo que o menino queria. E era nessas horas que ela pesava sua decisão que a vontade de desistir dava as caras.

Mas ela não podia.

Anabell Cresswell a esperava e não tinha mais o que fazer a não ser se levantar, procurar uma roupa apresentável e adequada para conhecer sua "sogra"?

É, era assim que ela considerava Anabell. Como sua sogra. Mesmo que Ethan não tivesse a pedido em namoro ainda, o envolvimento intenso dos dois mostrava que era assim que ambos deveriam ver seus pais e se tratarem dali em diante. Não tinha melhor título para o relacionamento deles que um namoro, mesmo o pedido ainda não sendo feito completamente. E não era nem necessário, já que o que sentiam dava nome e conceito a tudo o que circulava a ela e Ethan.

Não demorou muito a constatar que dez e meia da manhã marcou o horário do relógio e lhe informou que era a hora de começar a se aprontar. Escovando os dentes e os cabelos, desceu as escadas em rumo à cozinha vazia constatando que seu pai havia ido trabalhar muito cedo naquela manhã de segunda-feira. Os empregados só voltariam para casa no fim do mês, com exceção de Nana e Bobby, o motorista, que depois de um pequeno tempo em que havia ficado afastado por conta de problemas de saúde, havia voltado ao trabalho. Fazia muito tempo que não tinha uma conversa com Bobby e encarou aquela chance como uma das únicas que ela tinha de conversar com o homem sem que ele estivesse em serviço para seu pai.

Tratou de tomar um iogurte como café da manhã e, sem delongas, subiu as escadas novamente se enfiando debaixo de um jato forte de água quente que emanava do chuveiro de seu banheiro. Lavou os cabelos com calma, massageando os fios com leveza, deixando a água levar embora a espuma do shampoo e deixar impregnado o cheiro de morango que ela tanto gostava. Ao terminar, escorregou o sabonete pelo corpo, passando a espuma perfumada por todo o corpo enquanto a água revestia seu corpo, ajudando a deixar o corpo tão perfumado que o aroma inundou até o lado de fora do banheiro. Logo, passou o creme pelos cabelos voltando novamente ao cheiro de morango ainda mais adocicado, penteando os cabelos com os dedos ao mesmo tempo em que enxaguava o excesso do cabelo.

Vestindo o roupão branco felpudo, saiu do banheiro com um sorriso no rosto, imaginando como Ethan estaria vestido para buscá-la. Era algo a se pensar, pois sempre via o menino vestido na roupa social da escola e quase nunca via o rapaz com uma vestimenta mais simples, vestimentas de casa. E isso fez com que a menina se questionasse com que roupa ela deveria ir. Uma roupa que agradasse ao mesmo tempo em que ela se sentisse bem.

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