XXIX. O Xeque-Mate

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ATENÇÃO! Este capítulo contém menções a drogas e intenções sexuais. Os detalhes reverberam, mas serão conduzidos levemente.


Seus olhos eram negros e frios, completamente envolvidos em bolsas escuras e sinistras.

O corpo era grande demais para que Breeze conseguisse ter segurança de estar ali, parada defronte ao homem, vulnerável a qualquer coisa.

As mãos eram enormes e com certeza carregava em suas palmas o sangue de muita gente inocente.

O queixo era quadrado, mas com uma diferença: a expressão e as formas de seu rosto pareciam querer algo muito além do que apenas saber quem era ela.

E isso não era um bom sinal.

— Quem é você? — perguntou novamente. A voz era tão autoritária quanto da primeira vez que havia lhe dirigido a palavra.

Breeze se mexeu inquieta no lugar. Era uma sensação terrível, composta de sentimentos extremamente complicados para que ela pudesse permanecer-se tranquila. Ainda não conseguia acreditar que estava diante de um homem com tantos segredos sujos e crimes escondidos por debaixo do tapete. A única esperança que ela tinha dentro de si era que Ethan estivesse dentro da casa pronto para lhe ajudar caso precisasse. Porém, disposta a não se desesperar mais, respirou fundo antes de levantar o rosto até uma altura desejável e encorajadora. Decidiu que encarar o homem era a alternativa mais sensata a se fazer. E, no entanto, não tinha tanta certeza se era uma boa ideia.

— Breeze Vaughn. — o homem franziu o cenho enquanto olhava a menina com os olhos extremamente atravessados. Os lábios se crisparam por um momento até que se desmancharam em um sorriso curioso. — E o senhor é...?

Ele permanecia parado encarando-a com os olhos analíticos, como se conseguisse enxergar dentro da alma da garota. Era óbvio que isso não a tranquilizou nem um pouco que fosse. Manteve-se quieta enquanto esperava a resposta, mesmo sem saber se aquela era uma alternativa a se pesar: conversar com o criminoso.

Nunca se imaginaria numa situação daquelas.

— Marcius Cresswell. — ele cuspiu com arrogância. — Diga-me, o que uma Vaughn faz em minha casa?

As sobrancelhas de Breeze se juntaram em confusão. O que essa pessoa maluca queria dizer?

Dentro de seu coração, ela conseguia sentir com nitidez a certeza de que Marcius sabia muito bem quem era sua família para falar com tanto afinco com relação a seu sobrenome. Era algo que ela não conseguia imaginar ou sequer cogitar dentro de sua mente.

Mais uma vez se viu diante da curiosidade e o quanto a situação lhe obrigava a dialogar com o monstro.

Merda.

— Procuro por Ethan. — nessa hora a face do homem se enegreceu de maneira inexplicável, o que fez com que Breeze mordesse o lábio inferior antes de completar sua frase. — Ele está?

Os braços fortes e grandes do homem se cruzaram defronte o peito duro e o olhar se depositou por cima de Breeze. A menina se sentia extremamente pequena e indefesa perto daquele brutamonte e sua vontade era gritar com toda força o nome de Bobby para que ele pudesse aparecer o mais depressa possível. Porém, ao desviar o olhar de Marcius e encarar atrás de suas costas, viu que o carro estava estacionado um pouco longe da casa de Ethan pelo motivo de que, antes, Bobby havia estacionado defronte à uma garagem alheia.

Nesse momento, o coração de Breeze saltou forte dentro do peito como se estivesse sozinha. Como se fosse somente ela e Marcius.

Um estuprador de garotas e a menina vulnerável em sua frente como um suculento pedaço de carne.

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