XX. Pressionado

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Os olhos de Nana voltaram totalmente para a porta assim que Breeze e Héricles colocaram os pés dentro de casa. O sorriso de Breeze se refletia no rosto do pai que não tirava a felicidade da expressão desde quando havia saído da escola na companhia de uma Breeze incrivelmente realizada. A menina não tinha nem palavras para expressar o quanto estava feliz e contente por Ethan ter conseguido a matrícula e tudo o que ela queria era estar ao lado dele novamente para lhe dar, mais uma vez, parabéns pela conquista.

Seu pai não estava diferente, dentro do peito do homem algo se movia como quem sente a sensação de dever cumprido, de uma boa obra realizada com sucesso. Era assim que Héricles se sentia. Como alguém que tinha feito o bem para outro alguém sem medir esforços ou contar com a possibilidade de consequências. Apenas fez o bem e nada mais tinha que interferir em sua decisão. Lembrava-se das conversas que teve com o rapaz e sua filha e ali ele pôde ver o quanto o garoto precisava e necessitava daquele curso. Por dentro, ele sentia uma chama quente de felicidade aquecer seu coração pelo motivo de que Breeze também havia percebido a necessidade do menino e logo o contatado, com a pura e clara intenção de ajudar.

Os cursos do prédio cultural eram direcionados aos estudantes que tinham dinheiro, por ser um curso avançado com preparatórios que exigiam muito dos patrocinadores. Cada matéria tinha o seu preço e cada professor tinha um salário de acordo o seu currículo. Ambos eram caros demais. Os utensílios que cada matéria exigia eram realmente caros quando comprados novos em lojas confiáveis, as aulas que os professores davam também não eram baratas por conta da experiência e sabedoria de ambos, o que resultava ao prédio de cursos uma fatura já um pouco alta por conta desses motivos. Além dos professores e materiais, havia a cantina do prédio, os outros funcionários, as exposições, passeios e tudo o mais que eles ofereciam. Tudo isso custava uma fortuna e, para oferecer um curso de qualidade para os alunos, era mais do que necessário impor esse dinheiro.

Exatamente por esse motivo que a mensalidade do curso era um tanto quanto alta. Mas mesmo os alunos pagando o tal preço, eles faziam valer o dinheiro pelo tanto que aprendiam nas aulas e, se estudassem para valer, levavam a experiência para a vida inteira, o que era algo muito em conta para muitos empregos na área da cultura. Quanto mais se soubesse de diversos assuntos, mais você tinha chance de ser empregado com um salário considerável para sua experiência. E era isso que Héricles e todos os professores do curso desejavam para um aluno. Esse era o caminho que o curso tinha que trilhar.

E por mais que ceder a matrícula para um aluno fosse algo que ele não poderia se dar ao desfrute de fazer novamente, Héricles se sentia na verdadeira posição de um educador. Educando a quem precisa.

- Mon Dieu, me contem tudo, por favor! - Nana exclamava enquanto se aproximava de Héricles e Breeze. - Como foi com Eth?

Breeze sorriu, erguendo os braços para abraçar Nana. A mulher a tomou nos braços enquanto Héricles observava a cena. Ele mordeu o lábio inferior, as lembranças atingindo sua memória.

- Foi ótimo, Nana! - Breeze exclamou. - Eu fiquei tão feliz por ele. Acho que fizemos o que deveria ser feito. - ela se virou para o pai. -Não é mesmo, pai? - Héricles sorriu, confirmando com a cabeça.

- Ele é um excelente rapaz. - ele olhou para Nana. - Confirmou tudo o que você disse. Educado, bom moço... Estou contente de ter ajudado. - ele sorriu.

- Posso imaginar. - a mais velha falou e passou as mãos pelo rosto de Breeze. - Aposto como deve estar se sentindo.

- Melhor do que eu poderia tentar expressar. - ela vibrou e logo saiu em direção à cozinha, deixando Héricles e Nana sozinhos.

A mulher baixou o olhar enquanto Héricles fitava por onde a filha havia saído.

- Vocês se parecem. - ele disse por fim.

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