Dulce Maria
Acordei sobressaltada, Tânia estava me chamando, pois Christopher me esperava para o café. Só depois que olhei na direção da varanda foi que notei que havia adormecido e que o dia já tinha amanhecido. Depois da desastrosa noite passada não sei como eu pude dormir sem ser perturbada por meus malditos pesadelos, acho que fiquei anestesiada com toda a discussão acalorada que tivemos. Quando notei o tamanho do estrago do meu descontrole, refleti e cheguei à conclusão que tudo foi desnecessário. Onde estava com a cabeça para me comportar daquele jeito.
Às vezes, acho que não saí da adolescência. Se é que tive uma. Talvez seja isso, pulei várias fases da minha vida, e agora adulta, estou tentando recuperá-la, mas, recuperando a pior parte; a parte da rebeldia, teimosia e inconsequência.
Eu não tinha nada de ter me rebelado daquele jeito. E daí se eu seria mais uma submissa dele, se era esse o acordo, não tinha nada que questionar. Seria por apenas cinco meses e depois daria o fora de tudo isso e com a vantagem de sair livre de todas as minhas dívidas; com mais dinheiro do que quando entrei nesse jogo. Mas a idiota aqui, se achou no direito de se sentir enciumada.
E enciumada, por quê? Eu não tenho e nem devo sentir nenhum tipo de sentimento por esse homem. Se isso for possível.
Preciso falar isso para meu coração, porque o meu corpo já foi possuído pela luxúria, já anseia por esse demônio.
É, estou completamente perdida, eu o odeio, e ao mesmo tempo... não sei bem o que estou sentindo por ele, mas posso garantir que ele me aquece por dentro em todos os sentidos. Há horas em que quero me jogar nos braços dele e pedir pelo amor de Deus! Que me torne sua, que me marque, que me possua, que me amarre em sua cama e faça todas as sacanagens que quiser. Mas, quando lembro o que ele representa, quero socá-lo e xingá-lo de todos os nomes possíveis, porque eu sei que ele odeia isso, vem em mim essa necessidade de irritá-lo, desafiá-lo. Sei que corro o risco dele me mandar para o inferno, mas minhas vontades e meus medos, são maiores do que eu, maiores do que a minha necessidade de ficar calada e fazer tudo o que ele quiser.
Eu tinha e devia, encarnar a submissa, ou perderia a chance de ganhar esse jogo. Afinal, seria por apenas alguns meses, só isso.
Só que agora é tarde demais. O homem poderoso, mandão, viciado em controle e domínio não quer mais nada comigo. Ele me mandou embora.
Foi frio, duro, cruel.
De nada adiantou querer bancar a submissa obediente, dedicada, meiga. Todo o meu esforço foi completamente ignorado.
Nem quando eu me humilhei, me rastejei aos seus pés, ele mudou de ideia, até pensei que iria me chutar como se chuta um cachorro sarnento.
Contudo, admito, a culpa foi minha, eu flertei com o perigo, subestimei o inimigo e a astúcia de exímio jogador. Eu mereci perder o jogo, na verdade, eu fiz de tudo para perder esse jogo.
— Senhorita, tem água no compartimento no seu lado esquerdo.
— Não, não preciso de água, preciso de muito dinheiro — articulo para Martins. Eu sei que ele quer me acalmar, pois desde que entrei no carro, não paro de chorar, simplesmente não consigo parar de pensar em toda a escuridão que acabei de me envolver.
— Dinheiro eu não tenho, mas garanto que a água irá acalmá-la.
— Martins você sabe que é mito essa coisa de que água acalma os nervos.
— Eu sei sim, é psicológico, mas não custa se hidratar, já que perdeu muito líquido com todas essas lágrimas. — Ele me olha ligeiramente através do retrovisor sorrindo levemente.
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JOGO DA SUBMISSÃO
Fanfiction(+18) FANFIC VONDY. Christopher Uckermann Controle e domínio duas palavras que regem minha vida, tanto a pessoal, quanto a empresarial. Sou viciado nessas duas palavras. No mundo em que vivo se você perder o controle e o domínio perde tudo. As pess...
