A lágrima que escorrera do canto do olho de Lauren permaneceu imóvel por alguns segundos sobre a curva suave de seu rosto, refletindo a luz esverdeada dos monitores cardíacos. Era uma gota minúscula, quase insignificante para qualquer observador distraído. Mas para Karla Essel, aquela única lágrima possuía o peso de um universo inteiro.
Ela não respirava.
Seus dedos continuavam entrelaçados aos de Lauren, incapazes de fazer qualquer movimento além daquele contato silencioso que sustentava sua própria existência havia dois meses. O aperto quase imperceptível que recebera segundos antes ainda queimava em sua pele como uma assinatura gravada a ferro.
Não havia sido um reflexo. Karla conhecia Lauren.
Conhecia a firmeza daqueles dedos ao segurar uma taça de vinho, ao conduzir o Mustang pelas estradas da Flórida, ao dedilhar distraidamente a mesa durante reuniões de conselho, ao tocar seu rosto nas madrugadas no Coral Gables.
Aquilo havia sido Lauren. Ela estava ali. Ainda escondida atrás do muro espesso do coma, mas estava ali.
Seus dedos longos permaneceram imóveis depois daquele breve movimento, como se todo o organismo tivesse gasto uma quantidade absurda de energia apenas para executar aquele único comando.
Karla ergueu lentamente a mão livre. Não enxugou imediatamente a lágrima.
Apenas aproximou os dedos do rosto da mulher e permaneceu observando-a, como quem contempla uma obra de arte que levou décadas para ser concluída.
O quarto parecia respirar junto com elas.
O ar condicionado espalhava uma corrente fria constante, carregando o cheiro característico de álcool isopropílico, clorexidina e plástico esterilizado. O respirador continuava emitindo o mesmo ritmo metálico e previsível.
Hiss...
Click.
Hiss...
Click.
O som que, durante sessenta dias, havia sido a trilha sonora da sobrevivência.
Karla finalmente deixou a ponta do indicador tocar aquela lágrima.
Ela recolheu a gota cuidadosamente. Depois olhou para a umidade transparente repousando sobre sua pele.
— Meri Jaan... — Disse, aos sussurros. — Você chorou...
Sua voz mal existia. Era um sopro. Um segredo dividido apenas entre duas almas. Ela fechou os olhos por um instante.
A imagem da noite em Clewiston atravessou sua memória com uma violência inesperada.
Lauren caída. O sangue. O estampido do disparo. Os olhos verdes perdendo o foco. O gosto metálico do medo.
Karla abriu os olhos imediatamente, recusando-se a permanecer naquela lembrança.
Não.
Aquele tempo havia terminado.
Ali, naquela cama, não existia morte. Existia retorno.
Ela aproximou a cadeira alguns centímetros. Segurou novamente a mão direita de Lauren entre as suas.
— Escute a minha voz...
Falava agora num tom tão sereno que parecia conversar com alguém desperto.
— Não tente correr. Não tenha pressa. Você sempre quis resolver tudo sozinha. Sempre acreditou que precisava carregar o mundo inteiro nas costas. Mas desta vez não. Agora quem vai carregar você... sou eu.
Ela sorriu discretamente. Era um sorriso pequeno. Cansado. Profundamente apaixonado.
— Você já fez demais por mim. Você atravessou o inferno. Você enfrentou um exército inteiro. Você venceu a morte. Agora descanse. Eu cuidarei do restante.
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FRUTA PROIBIDA
FanfictionKarla Essel é filha de um indiano milionário, dono de uma multinacional com sua sede situada em Mumbai. Cresceu sob os holofotes e na mira da mídia, por se envolver profundamente com os negócios da família e por querer dar seguimento a carreira de s...
