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O anexo dos fundos do galpão de Clewiston não era mais um depósito de máquinas velhas. Havia se transformado em um templo profano onde a justiça e a vingança dançavam uma valsa sangrenta. A única luz vinha de uma lâmpada pendurada por um fio, balançando levemente, criando sombras que aumentavam e diminuíam nas paredes manchadas de mofo.

Radesh Ambani, algemado ao cano de ferro, olhou para Karla. Ele esperava ver medo. Esperava ver a garota indiana submissa que tremeria diante da violência. O que ele viu fez seu sangue gelar.

Karla Essel não estava lá.

Quem estava de pé diante dele era uma estranha. Seus olhos castanhos, antes poços de doçura e tradição, haviam escurecido, tornando-se abismos de um vazio frio e mortal. A postura dela era ereta, rígida, não por tensão, mas por uma autoridade divina e terrível. Ela segurava a faca de caça — a lâmina ainda suja com o sangue do capanga que Lauren matara — com uma firmeza assustadora.

— Você acha que venceu, Radesh? — A voz de Karla era baixa, destituída de qualquer emoção humana. Era a voz de uma sentença. — Você acha que, por ter atirado nela, eu não conseguirei ter forças?

Radesh tentou sorrir, tentou manter a máscara de dominador.

— Eu tirei o seu brinquedo, Karla. Sem ela, você não é nada além de uma...

O som de um estalo úmido cortou a frase. Karla desferiu um tapa com as costas da mão no rosto dele, usando tanta força que o lábio de Radesh, já ferido pela surra de Lauren, se abriu novamente.

— Calado. — Ela ordenou. — Você não tem mais permissão para falar. Agora você vai ouvir.

Ela se agachou na frente dele, invadindo seu espaço, o cheiro de sangue e suor preenchendo o ar.

— Durante anos, eu deixei você acreditar que eu era sua. Que eu seria a esposa perfeita, a mãe dos seus filhos, a guardiã da sua honra. — Karla aproximou a faca do rosto dele, a ponta fria traçando a linha do maxilar. — Mas eu vou te contar um segredo. Eu sempre senti nojo de você.

Radesh arregalou os olhos.

— Nojo. — Karla repetiu, saboreando a palavra. — Repulsa física. Toda vez que você tocava na minha mão, eu sentia vontade de vomitar. Seu cheiro... esse cheiro de perfume caro misturado com a podridão da sua alma... me dava náuseas. Seu cabelo, sempre cheio desse gel seboso... eu olhava para você e via algo patético.

— Você mente! — Radesh cuspiu. — Você me desejava!

Karla riu. Uma risada seca, cortante.

— Desejar você? Radesh, eu chegava em casa depois dos nossos encontros e ia direto para o chuveiro. Eu esfregava minha pele com bucha vegetal até sangrar, tentando tirar a sensação das suas mãos em mim. Eu jogava seus presentes no lixo. As flores, as joias... tudo o que vinha de você era sujo.

Ela levantou-se e chutou o estômago dele com força. Radesh curvou-se, tossindo, o ar saindo de seus pulmões.

— Mas então... — O tom de Karla mudou. Ficou suave, quase devoto. — Eu a conheci.

Baptist Health – Centro Cirúrgico

O monitor cardíaco gritava um som contínuo e agudo do bipe de frequência.

— Parada cardíaca! — O cirurgião chefe gritou. — Afastem-se! Carregando em 200 joules!

O corpo de Lauren Jauregui, pálido como mármore, saltou na mesa de operação com o choque elétrico. O peito dela estava aberto. O sangue encharcava os lençóis estéreis, manchando o chão branco da sala.

FRUTA PROIBIDA Histórias para pegar e não largar. Descubra agora