10. Nova experiência

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Max sempre soube do meu gosto por comida japonesa, aliás ele sempre soube de vários gostos meus, mas nunca utilizou seus conhecimentos para me agradar. O convite para almoçar me surpreendeu e a comida estava maravilhosa. Aquele monte de sashimi, com baixas calorias e sabor delicioso, era um banquete que me agradava. Falamos sobre a roupa dos garçons e demos risada do casal estranho da mesa ao lado. Foi tão bom que parecia que eu havia conhecido Max naquele dia. Melhor do que o verdadeiro dia em que nos conhecemos.

Pedi três temakis, que eu chamo carinhosamente de sorvete de peixe. Jogo bastante shoyu e me delicio, enquanto o molho de soja escorre pelas mãos. Pareço criança comendo, e Max me disse isso certa vez. Não tenho nenhuma característica de realeza e, como não existe possibilidade de eu ser princesa algum dia, eu me lambuzo com comida sem dor na consciência.

Eu não queria ter que começar o assunto. Perguntar para Max o que ele achava daquela história maluca das nossas mães arrumarem um casamento para nós dois. Na verdade, eu tinha até sonhado que ele chegava com uma caixinha escondida e me mostrava um anel de noivado, aquela coisa toda de filme. Acho que eu ia esquecer que era loucura e até poderia chorar, para ser sincera. Porque quando um homem pede uma mulher em casamento é um momento especial, mesmo que o homem não seja lá um grande namorado. Tudo bem, eu pensava com a razão completamente esquecida, porque nunca ninguém tinha me pedido em casamento. E o fato é que eu não sabia se queria tudo aquilo o que imaginava com Max, mas se ele tivesse aparecido com uma aliança, teria facilitado a minha decisão.

Do nada, de repente, enquanto eu estava com um sushi na boca, Max começou a conversa que eu estava esperando desde que ele entrou em casa e me chamou para almoçar.

— As nossas mães são malucas, você não acha?

Eu achava, sinceramente, a minha mãe mais doida do que a dele, mas era melhor não fazer comparações. Até porque eu queria ver até onde ia aquele papo e saber sua opinião sincera sobre o casamento.

— Pois é, elas são malucas mesmo.

— Mas pelo menos elas facilitaram um bocado o nosso trabalho, né, Blandinha?

— Que trabalho?

— Ué, de organizar tudo e tal.

— Organizar o quê?

— Como assim, organizar o quê? O casamento, oras!

Não era possível que Max estivesse falando de casamento com aquela naturalidade toda. Não era de um jeito lá muito romântico, mas ele estava falando.

— Max... você está brincando comigo?

— O que deu em você, Blanda? As nossas mães estão facilitando a nossa vida e você não está feliz?

— É que eu queria... sei lá... ter escolhido fazer parte disso tudo...

— Ah, já sei, você está com medo do que elas vão decidir por nós? Não tem problema, eu falo com minha mãe e peço para que ela chame você para todas as decisões. Aí você ajuda. Bom, eu não quero decidir nada, você pode escolher tudo.

— Você não precisa decidir nada, Max. Só precisa decidir se quer.

Nos primeiros dois segundos, achei que ele não tinha entendido. Nos três segundos seguintes eu percebi que ele entendeu, mas não soube como se expressar – ficou com a boca meio mole, como quem vai falar algo e desiste, depois pensa de novo para começar a frase. E demorava mais uns milhões de segundos para falar algo. Pior, o bunda-mole veio com um questionamento.

— Você não quer?

— Eu perguntei primeiro – disse.

— Ah, Blanda, não faz pirraça. O que custa responder?

— Como é que eu vou responder se quero uma coisa com você se eu não sei se por acaso você quer essa coisa comigo?

— Coisa é casamento, você quer dizer.

Eu balancei a cabeça como quem diz sim e ele colocou a mão direita no meu rosto, acariciou os meus cabelos, levantou da mesa e falou no meu ouvido:

— Boba. Claro que eu quero ficar com você.

Ficar não era o mesmo que casar. Mas tudo bem, ele quis dizer "Boba. Claro que eu quero me casar com você", mas de uma maneira mais informal. Não parecia um pedido, mas aquilo me deixou emocionada. Eu me senti uma idiota, porque fiquei com lágrimas nos olhos. E então ele perguntou: "E você?", e eu o beijei. Caramba, havia um segundo que eu não sabia se queria ficar com ele e logo em seguida eu estava nos braços do homem e feliz porque ia casar. Max disse ainda que gostava muito de mim, que era uma mulher bacana, inteligente, uma boa companhia e seria uma experiência boa. Não gostei de ele se referir ao casamento como uma experiência, mas elas podem ser eternas, não podem? Eu não acreditava em contos de fadas, mas pensava que, se era para acontecer parecido comigo, teria que ser para sempre. Porque eu também queria um final feliz.

9 Minutos com BlandaOnde histórias criam vida. Descubra agora