Olá, queridas e queridos!
Pela minha breve ausência, mais um capítulo!
Quem quer capítulo ainda hoje, terça-feira, mais tarde? ;-)
Beijo grande e boa leitura!
Fernanda.
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Naquele dia, eu só conseguia pensar no sorriso irônico daquela mulher. Não esqueci o rosto das pessoas me acusando sem nem mesmo saber o que tinha acontecido, então procurei me concentrar em algo bom. E só me veio o gerente do banco à cabeça. O baterista do bar. Aquele homem que eu não sabia como se chamava, mas me deixava com as pernas bambas. Eu me senti culpada, porque mesmo a situação sendo estranha, eu estava noiva. Apesar de Max não fazer minhas pernas tremerem, ele era um cara bacana e eu gostava dele. Gostava, sim, de um jeito que eu não sabia explicar, mas não deixava de gostar.
Mamãe já tinha ido para sua casa, ela disse para eu não esquecer a história da loja, porque aquela mulher deveria devolver o que eu paguei, mas eu nem estava pensando no dinheiro. Prometi pensar em justiça, mas esse assunto ficaria para depois. Primeiro eu tinha que preparar uma exposição em poucos dias.
Sem local especial para pintar, transformei a sala de jantar minúscula em meu ateliê. Pedi para Freddy não fazer nenhuma de suas obras nas minhas telas novinhas em folha e ele deve ter entendido, porque durante horas ficou quieto deitado em cima do meu sofá branco amarelado.
Eu parei de pintar às seis horas da manhã do dia seguinte. Foram momentos tão bons que me esqueci de tudo e nem ao menos lembrei que não tinha falado com Max. Pintei dois quadros e gostei dos dois.
O primeiro foi uma catarse. Coloquei na tela o sentimento da injustiça em pinceladas abstratas. Pensei no ocorrido, naquela ruiva me tratando como uma ladra, nas pessoas me julgando sem saber quem eu era, na humilhação, na falta de respeito e de justiça e pintei durante muito tempo. Em seguida, para amenizar o sentimento ruim, eu pintei a tranquilidade. Olhei para o meu gato e foi o que senti. E, como um sentimento bom é poderoso e muito melhor do que uma sensação ruim, eu vi o dia amanhecer e dormi tranquila, no sofá, ao lado do Freddy.
**********
Acordei na terça-feira poucas horas depois de ter me deitado naquele sofá, com a ligação do Max.
— Onde você estava ontem, Max? Nem me ligou...
— Mas você não me ligou também. Fiquei em casa, Blandinha.
— Tá bom, o que você quer?
— Você fica sexy quando está brava.
— Nem adianta tentar se desculpar com elogios desse tipo, Max. Quer vir almoçar em casa? Traga o almoço, então. Estou com vontade de comer comida chinesa e, se você se lembrar, traga também aqueles bolinhos doces maravilhosos de sobremesa. Mas chegue só depois das duas da tarde, porque preciso dormir. Tchau.
Max obedeceu. Faz sentido tratar o homem assim quando ele esquece que você existe. Eu também me esqueci de dar um telefonema para ele, mas foram horas importantes em minha companhia. O meu noivo – estranho chamar Max de noivo – chegou na hora marcada e com um delicioso almoço. Ele trouxe três bolinhos doces, um de maçã, um de abacaxi e um de banana. Eu até estranhei tamanha generosidade, mas gostei. Olhou para os quadros que estavam secando e soltou um "Oh" que eu não identifiquei à qual emoção pertencia.
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9 Minutos com Blanda
RomansaO maior inimigo de Blanda é o despertador. A advogada está desempregada, quase sem dinheiro e divide o apartamento com seu gato Freddy Krueger. A presença constante de Max a recorda que ela tem um namorado, embora ele nunca tenha assumido o relacion...
