18. Sabor do amor

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Pessoal,

Neste fim de semana estarei na Bienal do Rio de Janeiro. Quem vai??? Quero muito conhecer vocês!!!

Estarei no estande da editora Planeta (E06 / F05 - pavilhão azul) nos seguintes dias e horários:

Dia 12/09 (sábado) - das 11h às 17h - Às 11h haverá bate-papo e em seguida lançamento oficial de O Pulo da Gata (meu novo livro!)

Dia 13/09 (domingo) - das 13h às 16h

Nos dois dias, irei autografar qualquer um dos meus livros (9 Minutos com Blanda, Malas, memórias e marshmallows e os dois livros publicados pela Planeta e que estarão à venda no estande - Bolsas, beijos e brigadeiros e o lançamento O Pulo da Gata), além de marcador, caderno, gesso de braço quebrado, papel de pão, etc.) ;-) Espero vocês lá, pessoal!!! Convidem as(os) amigas(os) e passem para me dar um abraço bem apertado!!! ♥ Esse será o único lançamento no Rio de Janeiro. Até sábado e domingo, pessoal!!!

Ahhhhh, e por causa disso, hoje libero três capítulos. Um por hoje, outro por sábado e outro por domingo. Promessa é dívida! :-) Volto aqui na segunda. Beijos, amores!

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No dia seguinte, enquanto ainda estava na cama, tentando encontrar coragem para levantar, Teca telefonou para falar sobre a notícia no jornal da cidade. Havia uma foto minha estampada e de alguns de meus quadros. Na matéria, foi citado algo como "novo talento da região" e "mostra imperdível". Ganhei cinco estrelas e uma sensação de reconhecimento que experimentei pela primeira vez na vida.

Não passaram nem dez minutos e eu já estava pronta e em direção a uma banca de jornal. Comprei vinte e cinco exemplares. Tudo bem, eu não sabia o que fazer com tanto jornal, mas pensei em colocar moldura, enviar um para cada amigo e guardar para montar um álbum com meus trabalhos como pintora. Seria o primeiro, mas tudo começa de algum lugar.

Max ligou quando eu voltava para casa.

— Você viu o jornal de hoje, Max?

— Vi sim, por quê?

— A página de cultura, você viu?

— Vi, Blandinha. Parece que gostaram do seu trabalho. Legal.

Como assim, parece que gostaram do meu trabalho? Legal? Que ódio! Legal é a palavra mais imbecil do nosso vocabulário, porque não diz nada, não tem emoção e qualquer coisa pode ser legal. Um filme, um lugar, uma pessoa e até um prato de comida. Legal não é simpático, não é educado e não é gentil. Mas só o que o meu quase marido conseguia dizer sobre a minha primeira aparição pública era: "Legal".

— Mas eu liguei para falar sobre outro assunto, boneca.

— Fala.

— Você parece brava.

— Eu? Não, não estou. Muito pelo contrário, estou ótima.

— Agora você parece irônica.

— Imagine, querido. Qual é o assunto importante?

— Mamãe pagou a primeira parcela do nosso casamento e você precisa assinar o contrato. Posso deixar na portaria do seu prédio?

— Pode.

— Você quer almoçar comigo?

— Sinceramente? Acho melhor você continuar procurando trabalho.

— Não quero um trabalho, Blandinha. Quero um emprego, é bem diferente.

Eu senti nojo daquele comentário. Estava com uma vontade enorme de trabalhar, de descobrir a minha vocação, de passar o dia tendo tarefas úteis para fazer e ele diz que quer apenas um emprego? Algo como ganhar sem muito esforço? Ele deveria ter seguido na política, então.

— Preciso desligar.

— Qual o motivo?

— Nada importante. Preciso só relaxar antes de falar alguma besteira para você. E eu prefiro o silêncio a ser mal-educada – mesmo que eu tenha seguido um instinto de falta de educação e desligado o telefone em seguida. Eu avisei e ele mereceu.

Já em casa, resolvi ficar de pernas para o ar, deitada no sofá, por alguns minutos. Tentei não pensar em quantos minutos, porque tenho uma necessidade doentia de medir o tempo para tudo. Aí se acaba uma quantidade de minutos que eu considero razoavelmente boa, decido parar o que estava fazendo e pronto. Se for sentar no sofá também, deitar ainda mais, porque eu tenho a sensação de que a preguiça vai tomar conta de mim e nunca mais serei capaz de levantar. Então um bom despertador ao lado coloca tudo em ordem e eu posso relaxar, afinal ele vai tocar.

Mas eu nunca relaxava muito. Faltava algo na minha vida, ou tinha de sobra onde não sabia. Não conseguia sentir emoções ligadas ao casamento, mas tinha raiva do meu noivo em dias alternados, às vezes em todos, então voltava a pensar: "Por que eu vou me casar?".

Mas também: "Por que eu não me casaria?". Então, já que eu não sabia a resposta da primeira, eu ficava com a segunda pergunta, quase uma afirmação, sem sentido ou explicação, mas resolvia o meu problema. Afinal, por que não casar? Então casemos.

Só que Max nem deu valor à crítica dos meus quadros no jornal. Já cheguei a pensar que ele sequer gostava das minhas telas. Não sabia se podia me casar com quem não me apoiava e ainda fingia que gosta da minha arte. Será que quando eu casasse tudo iria piorar? Se eu casasse, é claro.

TRIM.

— Posso falar com a Blanda?

— Sou eu, quem é?

Pensei em dizer que não era. Quando eu não quero atender, eu mesma digo que não estou, que me chamo Filomena, não sei quando a Blanda volta e coisas do tipo. Mas naquele dia eu resolvi dizer que era eu mesma. Quase um ato de bondade.

— Bom dia. Sou produtor da TV10 e estou ligando para marcar o local e horário para o ônibus da emissora buscar a senhorita.

— Acho que você ligou errado.

— Blanda? Não, está certo. Sua ficha foi aprovada e você vai participar do programa Madalena Show.

— É trote?

— Uma amiga sua inscreveu o seu nome.

— Já sei. Ela se chama Tereza, né? – Só podia ser a Teca.

— Isso mesmo. O ônibus vai buscá-la em frente ao Centro Cultural da cidade às sete horas da manhã de amanhã. Vamos ao estúdio da capital. Você irá participar do novo quadro "Sabor do amor" ao vivo, amanhã às três da tarde. Tenha um bom-dia, Blanda.

Do nada, ele desligou. Tudo bem, me deu bom-dia, mas desligou. E se eu não quisesse ir? Mas segundos depois, no telefone, Teca me convenceu de que era uma oportunidade única e o prêmio valia o sacrifício de acordar cedo e o mico de aparecer na televisão no programa da doida da Madalena.

— Blandinha, não perca essa chance. Vai ser bom para você. Olha, você só precisa fazer uma receita no palco e a melhor ganha o prêmio.

— Eu não sei cozinhar. Ou eles aceitam macarrão instantâneo?

— Invente, mas vá.

E eu fui, sem saber a surpresa que me aguardava.



9 Minutos com BlandaHistórias para pegar e não largar. Descubra agora