Demorei alguns segundos pra entender o que havia acontecido. O Chan havia acertado um soco nele.
- O que foi isso? - perguntou com a mão no rosto quando se levantou.
- Isso foi pelo que você fez com ela. - o Chan respondeu com uma expressão de repulsa.
- Acho melhor te levar pra casa. - falei depois que a discussão havia acabado.
- É. - respondeu.
O caminho foi demorado porque ele parava o tempo todo e ficava olhando pro nada.
Chegamos em casa, e passar com ele pela sala foi um sacrifício. Falava coisas sem sentido e ria de tudo.
Finalmente chegamos no quarto. Consegui fazer ele sentar na cama, e andei pelo quarto tentando decidir o que fazer com ele. Quando vi, ele estava dormindo, coloquei o cobertor em cima dele e ia sair quando ele me puxou e me abraçou como se fosse um urso de pelúcia. Como eu não estava no meu melhor juízo, adormeci por lá mesmo.
Acordei com ele me balançando.
- O que aconteceu? - perguntou segurando a mão.
- Você deu um soco no Ronald. - apontei a mão dele - Por que fez isso?
- Perguntei pra Lizza porque você tinha ficado calada depois que aquele pessoal chegou. Ela me apontou seu ex, e quando ele ia falar com você, a minha mente de bêbado achou uma boa idéia dar um soco nele. - riu.
- E foi. - eu disse - Foi uma ótima idéia.
Não sei se eu não sei se hoje ainda estava bêbado ou o que aconteceu. Mas tudo que vinha na minha mente era pular em cima dele e beija-lo. E eu ia quando ouvi minha tia me chamando.
- Eu vou ir lá. - falei andando pra porta e saí.
À tarde, nós resolvemos sair pra dar uma volta.
- Eu esqueci meu celular. - falei pra minha tia - Podem ir descendo. Encontro vocês lá embaixo.
Encontrei no meu quarto, desci a escada correndo e fui pra porta.
- Que droga! - exclamei quando o Chan pulou na minha frente - Filho da mãe. - falei mais baixo, colocando a mão no peito.
- Desculpa. - falou rindo - Mas sua cara foi impagável.
Entramos no elevador e paramos lado à lado. Aquela vontade havia voltado mas agora eu estou completamente sóbria.
Olhei pra ele, sem virar a cabeça e sorri quando percebi que ele me olhava. Desviei o olhar, mas naquele estante veio uma frase na minha mente "Que se foda".
Andei alguns passos pelo elevador com a cabeça baixa. Então eu fui e me joguei de cabeça.
Me aproximei e coloquei meus braços ao redor da sua nuca, vi sua expressão de surpresa e confusão, mas ele colocou os braços ao redor da minha cintura e me puxou pra perto. Alguns segundos se passaram até nossas bocas se tocarem. O beijo foi uma mistura de urgência e carinho. Suas mãos agora estavam nos meus cabelos, e as minhas nas suas costas. Naquele momento eu percebi, ele queria tanto quanto eu.
O elevador parou e nós nos separamos, saindo como se nada tivesse acontecido.
- Podemos ir? - o Rick perguntou quando chegamos.
Eles foram na frente, enquanto minha tia ficou atrás comigo.
- Seu cabelo tá todo bagunçado. - ela falou.
Olhei na câmera do celular e realmente, eu estava uma bagunça.
Passamos o dia todo fora, e só voltamos à noite.
- Boa noite. - minha tia falou enquanto subia a escada.
Todos subiram, e só restou nós dois na sala.
- Eu vou subir também. - disse e me deu um beijo no canto da boca. Covardia.
Logo eu subi também. Troquei de roupa e me deitei na cama. Algum tempo depois, eu ainda estava acordada. Levantei e sai do quarto.
Bati de leve na porta, e ele logo abriu.
- Sem sono? - perguntou.
- Sem sono.
Ficamos parados frente à frente, enquanto nos olhavamos.
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Era Pra Ser (Completo)
FanfictionLivro 1 da trilogia "Era pra Ser". Katelyn Nacon, de 17 anos, perdeu os pais, e com eles a sua vontade de viver. Desde então foi como se ela tivesse perdido o ar e vivesse no automático. Então ela o conheceu, e foi como se ela pudesse respirar nova...
