Fora da lei

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O caminho passou muito rápido, quando eu percebi nós já estávamos em frente aos portões de casa. Eu saí do taxi e passei pelos portões, enquanto caminhava até a porta, percebi Kyle me seguindo com o olhar até eu entrar em casa.
- Como foi lá? - minha tia estava sentada no sofá.
- Bem. - falei em um suspiro - Eu vou para o meu quarto.
Subi as escadas rapidamente, e entrei fechando a porta.
Me sentei na cama lembrando sobre tudo que a Geanna havia me contado, tudo o que havia acontecido com ela, estupro, gravidez, separação da filha, mãe insensível, foi pra longe de toda a família, agora descobriu que a sua gêmea está morta, acha que reencontrou a filha, isso tudo é demais até pra mim. Quando percebo estou chorando, se isso está sendo difícil pra mim lidar, imagino como que foi para minha mãe, ser separada da sua gêmea.
Eu me deito na cama, e logo escuto a porta abrir, mas não me mexo para olha-lá. Logo sinto as patinhas da Vênus em minha barriga e abro meus olhos.
- O que aconteceu? - percebo Chan sentado ao meu lado.
Eu me sento na cama e hesito antes de começar à falar tudo o que eu havia ouvido de Geanna.
Quando termino ele me olha com com uma expressão de surpresa.
- O que eu não consigo compreender é como a minha vó foi tão insensível. - continuo - Eu sabia que ela poderia fazer de tudo pela imagem de família perfeita, mas sei lá... Ela costumava brincar comigo no balanço do jardim.
- E a Jessie? Você vai contar pra ela?
- Não, a Geanna me pediu que não contasse, falou que ela queria contar pessoalmente. E eu acho melhor esperar também, por causa da gravidez, séria um choque muito grande, melhor não arriscar. - me joguei de costas na cama.
- Essa situação toda é uma merda. - ele me acompanhou - Olha eu queria ter alguma coisa melhor pra te dizer, mas eu não tenho, então eu só vou ficar aqui com você. - passou as mãos no meu cabelo.
- Tudo bem. Não tem muito a ser dito mesmo, acho que prefiro somente o silêncio e a sua companhia.
Nós ficamos deitados lá, lado à lado, com a Vênus alternando entre latir e pular em cima de nós.

- Como foi a doação? - minha tia perguntou. Eu havia passado todo o fim da tarde na cama, fui à cozinha beber água e à encontrei lá. Estava tentando não falar muito, com medo de acabar revelando tudo, o que poderia acontecer facilmente pois eu tenho boca grande.
- Foi tudo bem, não foi muito demorado, e eu senti tontura depois, mas tirando isso foi tranquilo.
- E a moça que recebeu? Você falou com ela?
- Sim, ela se chama Juliette. - "Pode ser sua sobrinha" pensei - É cunhada da minha amiga, a Trubel. Ela foi sequestrada, teve uma overdose, ficou em coma, acordou sem a memória recente, pra ser especifica dos últimos três meses e meio, esqueceu o namorado e não sabe que está grávida.
- Nossa, coitada da garota. - ela falou - Imagina acordar e descobrir que você esqueceu o que aconteceu nos últimos meses da sua vida. Deve ser horrível.
- Deve ser. - eu me encostei na porta - E você? Como você se sente?
- Nem preciso falar que eu quase morri de susto, achando que meu filho ia nascer, primeiro porque eu realmente não tenho ideia de como é um parto e segundo porque agora que a gravidez está chegando no sétimo mês, ele iria nascer prematuro, e eu teria menos noção ainda de como iria ser.
- Não se preocupa, eu tenho certeza de que ele vai nascer bem, tia. Você só tem que tentar descansar agora, sem muito esforço.
- Eu vou tentar diminuir o ritmo. - ela riu - Vou tentar.
- Eu vou subir agora, tia. Boa noite.
- Boa noite. - a escutei falar da cozinha.
Entrei no quarto novamente e encontrei os dois preguiçosos dormindo na minha cama, me deitei no lado da Vênus e rapidamente dormi.

Eu estava no jardim de casa me perguntando como prosseguir com o plano irracional da Geanna, de pegar um fio de cabelo de Juliette, quando escutei um barulho de passos vindo em minha direção.
- Katelyn. - me virei ao escutar a voz pouco familiar me chamar.
- Kyle. - falei sem simpatia na voz.
- Então, como está sendo pra você, voltar à sua cidade natal? Sentiu falta?
Ele parou ao meu lado de braços cruzados.
- Normal. - dei de ombros - Depois de um tempo a gente para de sentir saudades.
- E eu? Você me esqueceu? - ele falou e eu virei os olhos discretamente.
- Qual é, Kyle? - soltei uma risada rápida - Você sentiu? Aposto que não.
- Vai falar que você não sentiu? Não sentiu falta do garoto por quem era apaixonada?
- Eu tinha doze anos, Kyle. - eu me virei pra ele e cruzei os braços - Aquilo foi no máximo uma queda. Quem não se gostaria de um garoto dois anos mais velho que aparentemente sabia beijar. - eu sorri rapidamente - Comprovamos que não era verdade.
- O que você está insinuando? - ele sorriu de um jeito sombrio.
- Nada. - eu ri debochada - Tenho que ir em um lugar agora, Kyle. - dei as costas e andei até o portão da casa.

Era Pra Ser (Completo)Onde histórias criam vida. Descubra agora