Epílogo

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Eu abro meus olhos. Ainda na minha cama, sem vontade de viver ou levantar, simplesmente puxo meu cobertor para mais perto do corpo.

Fecho meus olhos outra vez.
Hoje é dia 24 de dezembro, véspera de Natal. Normalmente eu sou a pessoa mais animada para esse dia, mas esse ano não. Tudo o que eu quero é ficar no coforto e calor da minha cama, sem ser incomodada por ninguém.

- Acorda! - eu abro os olhos quando sinto uma pancada no rosto.
- Eu estou acordada, porra. - falo e me sento.
- Olha a boca. - minha tia me bate com o travesseiro outra vez.
- Foi mal. - eu arrumo o cabelo que agora está na minha cara - Por que você me acordou tão cedo?
- São 10h30. - ela revira os olhos - E você disse que iria as compras comigo.
- Ok... - digo sem esperanças de continuar deitada e me arrasto para fora da cama.

Estamos no carro após as compras. Nós compramos de tudo, desde doces e presentes até bebidas alcoólicas.
- O que você vai usar hoje? - ela puxa conversa.
- Pijama. - eu dou partida no carro e saio do estacionamento.
- Não. Você não vai ficar no quarto. Eu te proibo de ficar trancada e na fossa na véspera de Natal.
- Eu não quero ir. - eu bufo - Me deixa em paz no meu canto.
- Eu disse que não. - ela me encara - Você vai nem que eu tenha que te puxar pelas pernas e depois te amarrar na mesa.
Eu reviro os olhos. Parece que alguém vai ter que ser sociável hoje à noite, não é mesmo?
- Ok então. Mas não espere caras felizes da minha parte.
- Tanto faz. Desde que você esteja lá. - ela sorri satisfeita.

Nós estacionamos na frente da casa de Juli onde vai ser a festa.
Saímos e eu vou até o porta-malas pegar as sacolas.
- Eu vou roubar. - pego o saco de marshmallow em uma das sacolas, e falo quando ela se junta a mim.
- Você que comprou, dona bolinha. - provoca, e eu resisto à vontade de mostrar do dedo do meio para ela.
Nós subimos a escada da frente, e eu bato na porta da casa.
- Olá, sobrinha. - minha tia fala entusiasmada, quando Juli abre a porta.
- Oi. - diz com um sorriso fraco.- Entrem ai. Minha mãe está lá na cozinha. - fala nos ajudando.
- Ok. - minha tia entra em minha frente.
- Oi, juli. - eu entro também e fecho a porta.
- Oi prima. - ela me dá um abraço. - Eu estou deprimida gente, desculpa ai. - ela fala e se senta no sofá.
- Bem vinda ao clube, querida. - eu me sento ao lado dela - O que aconteceu? Foi algo com os bebês?
- Não, depois que Merlia foi presa mais nada aconteceu. O problema é com o Nick... - ela suspira e olha para nós duas com os olhos marejados.
- O que aconteceu, Juli? - minha tia se senta do outro lado - Conta logo.
- Ele foi convocado para as forças armadas do Iraque. - ela começa a chorar, minha tia puxa ela para que chore em seus ombros. - Perdão Jessie. Você deve estar tão triste ou pior do que eu.
- O quê? Como assim? - minha tia me olha confusa - Porque eu estaria, Juli?
- Pera. - ela seca as lágrimas. - O Rick não te falou nada?
- Não. - ela franzi o rosto.
- Desculpa tia, mas você precisa falar com ele. - ela fala.
- Me conta logo, Juliette. - ela se levanta - Ele foi convocado também? É isso? É por isso que você não quer me contar?
- Isso vocês dois tem que conversar, tia. Eu não deveria ter tocado no assunto, mas eu pensei que ele ja havia falado com você. - Juli se levanta também. - Desculpa...
- Odeio coisas interminadas. - ela diz agitada e saí pela porta.
- Eu tenho que ir junto, juli. - eu ando até a porta - Nos vemos mais tarde, ok?
- Ok. Desculpa, Kat.
Eu balanço a cabeça.
- Não é comigo que tem que se desculpar.

Pov. Jessie

- Como assim?! Iraque?! - eu falo contendo a minha raiva - Eu vou na casa da minha sobrinha e volto com a notícia de que você vai para o Iraque!
Kat e eu voltamos para casa, e eu encontrei Rick sentado no quarto com a cabeça entre as mãos.
- Eu ia te contar, Jess. - ele me olha.
- Quando, Rick? No dia anterior à sua ida? Ou quando eu recebesse um memorando da sua morte? - eu desabo no divã em frente a ele. A raiva está diminuindo e o medo cresce em meu peito.
- Eu não sabia como contar. - ele segura meu rosto com as duas mãos, fazendo-me olhar para ele - Como você conta para o amor da sua vida que vai ter que ir para uma guerra? Eu não recebi instruções para isso.
- Eu não quero te perder, Rick. - as lágrimas escorrem pelo meu rosto - Eu não posso te perder.
Ele me puxa para um abraço e passa a mão pelos meus cabelos.
- Eu não quero ir também. - fala em um sussuro - Não quero deixar você ou nossos filhos, mas não tenho escolha.
- Quando você volta?
- Eu tenho que ficar lá pelo tempo que eu for necessário.
- Sem previsão?
- Sim. - ele responde.
Eu coloco meu rosto em seu pescoço e continuo a chorar.
- Como eu vou ficar sem você? E as crianças? O que eu faço se você não voltar? - eu soluço.
- Jess, você é forte. Se tem alguém aqui que consegue sobreviver é você.
- Eu não vou conseguir sem você.
- Eu vou voltar, Jess. Por você e pelos meninos. Eu te prometo.

Era Pra Ser (Completo)Onde histórias criam vida. Descubra agora