Eles vão me matar

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Congelei no lugar, chorando e rindo, sem saber o que fazer.
- Não vai vir até aqui? - perguntou, esticando os braços.
Me aproximei devagar, com medo de estar sonhando e acordar na hora de toca-lo.

O abracei com força, enquanto ainda chorava em seu ombro, ele afagou meu cabelo e esperou eu me acalmar.
- Eu pensei que você fosse morrer. - falei, quando me separei do abraço.
- Eu tô aqui. - disse e eu coloquei minha mão em seu rosto.
- E o que aconteceu com sua mão?
- Fratura no Radio. - dei de ombros - Nada demais.
- Quanto tempo você vai usar gesso? - perguntou.
- De 4 a 6 semanas. E depois tenho que fazer fisioterapia.
- Porque você ainda não foi pra casa?
- Eu também fraturei uma costela, que atingiu uma veia. Fizeram a cirurgia, e estou de molho no hospital desde então. - falei revirando os olhos - Mas e você, como se sente?
- Minha cabeça dói, respirar dói e o meu corpo todo dói, mas tirando isso eu tô bem.
- Quando você acordou? - perguntei após algum tempo.
- Durante à noite. Abri meus olhos e fiquei desesperado com aquele respirador. Minha frequência cardíaca aumentou e a enfermeira veio ver se eu ainda estava vivo.
- Seu pai já sabe?
- Acho que não. Não sei se ele foi avisado.
- Tive uma idéia. - falei - Será que eles vão me matar se eu fazer uma brincadeira?
- Depende. - disse desconfiado - O que você tá pensando?

Fui para o balcão da recepção e ativei o modo atriz.
- Com licença. Você pode me informar se o responsável pelo paciente do quarto 177 já foi avisado que o paciente já está acordado?
- Eu vou checar, só um minuto. - ele pediu - Ele ainda não foi informado, senhorita.
- Ah. - falei sorrindo - Obrigada.
- De nada.
- Só mais uma coisa. Posso fazer uma ligação?
- Claro. O telefone está ali. - apontou.

Liguei para minha tia.
- Tia? - falei com uma voz de choro.
- Oi, kat. O que foi?
- Vocês precisam vir pra cá agora. - disse mantendo o tom - Você e o Rick, venham, por favor.
- O que tá acontecendo? - perguntou.
- Só venham logo, por favor. Os dois. É urgente. - disse e desliguei o telefone.
- Obrigado, novamente. - disse para o carinha da recepção, enquanto me afastava e ele acenou pra mim em resposta.

- Eles vão me matar. - falei rindo, enquanto fechava a porta do quarto.
- Eles vão brigar com você, com certeza. Eles devem estar achando que eu morri ou algo do tipo. - riu.
- Então, o que você acha de aproveitar os meus últimos minutos de vida? - falei sentando em seu lado na cama.
- Interessante. Conte mais.
- Que tal, demonstrar?
Me aproximei, e dei um beijo no pescoço dele, e depois fui pra boca, em um ritmo calmo.
- Não consigo descrever o tamanho da saudade que senti de você. - falei ofegante.
- Eu estou bem acordado agora, e pretendo continuar assim. - disse e eu sorri.

Olhei do lado de fora da porta, e os vi vindo em direção ao quarto.
- Eles estão chegando. - falei voltando pra dentro do quarto.
Parei na frente da cama e fiquei virada para a porta.
Abriram a porta rapidamente e pararam quando me viram.
- Kat, o que aconteceu? - minha tia perguntou com um tom desesperado.
- Adivinha. - disse e saí do meio, dando-lhes a visão mais linda que poderiam ter.

O Rick correu pra abraçar o filho e minha tia estava parada com a mão tapando a boca e os olhos brilhantes de lágrimas, provavelmente sem reação, quase igual à mim.

Passada toda a choradeira, me sentei ao lado do Chan, enquanto minha tia e o Rick, me davam uma bronca.
- Pra resumir. - Rick disse - Foi muito errado o que você fez. Nos assustar daquela forma. Foi errado. - repetiu - Eu achei que meu filho tava morto.
- Eu não disse? - Chan falou baixo pra eu ouvir, e concordei com a cabeça.
- Eu quase tive meu filho no caminho, dona Katelyn. - ouvi minha tia falar.
- Filho? É um menino? - Chan perguntou.
- É, a gente esqueceu que você esteve apagado esses dias. - falei.
- Sim. Você vai ter um irmãozinho. - minha tia confirmou, sorrindo.

- Acabei de falar com a Esther, Chandler. - Rick falou, entrando no quarto - Se prepara, porque ela vai vir te visitar. - colocou a mão na tempora e fechou os olhos.
- Ah. - respondeu com uma careta.
- Eu sei. Vou ficar o mais longe possível enquanto ela estiver aqui. - Rick disse e saiu do quarto.
- Quem é Esther? - perguntei com a sobrancelha arqueada.
- É uma prima distante da minha mãe, eu chamava ela de "tia Esther". - fez aspas - Ela insiste em me juntar com a filha dela.
- Sério?
- Sim. E eu desconfio que ela quer meu pai. - falou pensativo.
- Ela quer seu pai? - perguntei incrédula.
- É o que eu acho. Ela joga muito verde pra cima dele.
- Ela não é casada?
- Divorciada, o ex percebeu que ela é louca e saiu fora. Esperto ele.

- Oi, meu querido. - falou a mulher, enquanto entrava no quarto.
Ele olhou pra mim antes de responder e eu dei de ombros, sem ter o que fazer.
- Esther. Oi.
Ela se aproximou da cama, uma mulher com cabelos negros e estatura mediana. Ela pode até ser louca, mas é bonita pra cacete.

- Como você está, querido? Fiquei muito assustada quando soube do acidente

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- Como você está, querido? Fiquei muito assustada quando soube do acidente.
Me impressionei com a mulher, não dirigiu uma palavra à mim. Educação mandou lembranças, queridinha.
- Eu estou bem agora. - falou sem vontade.
- A Meg ficou muito assustada também. Ela até chorou, a coitadinha. Medo de perder o futuro marido.
Cruzei meus braços no peito, enquanto senti meu sangue ferver. Queria que tivesse engasgado com as lágrimas e morrido.
- Pena. - Chan disse. - Esther, eu quero te apresentar a Katelyn, minha... amiga. - eu o encaro boquiaberta.
- Oi. - ela diz sem interesse
O telefone tocou, ela pediu licença e foi lá pra fora.

- "Medo de perder o futuro marido". - resmunguei - Ela devia ter medo de perder os dentes. - disse e ele olhou pra mim rindo.
- Isso é ciúmes?
- Não, por que teria? Somos apenas amigos.
- Você realmente ficou brava com isso?
- Não, CHANDLER, imagina.
- Deixa disso, baixinha. Vem aqui. - chamou e eu recusei com a cabeça.

- Desculpe, querido. Era a Megan, tenho que ir busca-lá no aeroporto, elas estava em New York, em uma sessão de fotos. Quando ela soube, quis vir na mesma hora.
- Esta bem.
- Mas não se preocupe que logo voltarei com sua futura esposa.
Revirei os olhos, e silenciosamente pedi para que aquela mulher saísse logo do quarto. E finalmente ela saiu.

- Ei! - Chan chama minha atenção - Eu lembro que antes dela entrar, pedi para vir aqui.
Caminho até sua cama, revirando os olhos.
- Que é? - digo.
- Calma ai, grossa. - ele me puxa por completo, tentando me beijar, viro o rosto me afastando.
- O que foi, encrenca?
- Que eu saiba amigos não se beijam. - falei irônica.
- Entendi, ok, vou jogar seu jogo.
- Ta bom então, to indo embora. - levantei da cama.
Que os jogos comecem.
-Espera. - ele segura meu braço - Tá, chega de graça. Só disse isso, porque precisava formalizar isso com você.
- Formalizar o quê?
- Um namoro. Nunca te pedi diretamente.
- Então pede agora. - me sento novamente na cama, ficando frente à frente com ele.
- Olha, eu pensei em algumas maneiras de fazer isso, e em nenhuma delas envolvia nós dois em um hospital. Alguns eram ridículos, envolviam cantar pra você em um caraoke, mas eu certamente iria passar vergonha, devido ao fato de quê eu não sei cantar. - rimos - Tinha outro que envolvia somente nós dois, na praia ou na cachoeira, e eu falando coisas bonitas, mas claramente não sou muito bom nisso também.
- Quando o sentimento é recíproco, as vezes as palavras não são suficientes. - falei olhando em seus olhos.
- Aceita namorar comigo, pequena?
Uma onda de excitação percorreu meu corpo, e eu não pude conter meu sorriso. Coloquei minha mão em seu rosto e o beijei calorosamente, mesmo durante o beijo, não consegui conter o sorriso.
- Isso foi um sim? - perguntou, quando nos separamos.
- Sim, com certeza e muitos outros termos afirmativos que puder pensar. - Só falta uma coisa.
Ele procurou pelo quarto e pegou uma fitinha vermelha que achou em cima da mesinha ao lado da cama.
- Isso.
- Que é isso, exatamente?
- Me dá sua mão. - pegou a minha mão esquerda e amarrou no meu dedo anelar, sorri ao perceber do que se tratava.
- Sério? - perguntei rindo.
- Eu vou te dar um de verdade. - falou com a mão na nuca.
- Não precisa, bobo. - o beijei novamente - É lindo.

Era Pra Ser (Completo)Onde histórias criam vida. Descubra agora