Pov. Rick
Mais uma madrugada agitada na delegacia. Muitos policiais estão trabalhando nas ruas, então o trabalho é dobrado. Escuto o telefone tocar e a telefonista atende.
Ela desligou o telefone e chamou nossa atenção.
- Gente! Ouve um acidente entre um carro e um caminhão. O carro capotou, temos dois jovens e o motorista do caminhão feridos. O acidente foi feio. As ambulâncias estão à caminho, mas nós precisamos de muita gente lá.
Começou a correria, os policiais se prepararam e foram para os carros, pela falta de pessoal, eu acabei tendo que ir junto.
Chegando lá, haviam algumas pessoas que olhavam a cena. O acidente realmente foi bem feio, o carro havia capotado e estava fora da pista, destruído. O caminhão ainda estava na pista e não estava em um estado muito melhor.
- Se afastem! - ouvi um dos policiais dizer quando as ambulâncias e o corpo de bombeiros chegaram.
Os bombeiros começaram a fazer a retirada das ferragens e os paramédicos foram retirar as vítimas. Primeiro retiraram uma garota, que foi colocada em uma maca, para os procedimentos de emergência. O motorista foi retirado do caminhão logo depois, enquanto trabalhavam para retirar a terceira vítima das ferragens.
Não demorou muito, tiraram o garoto desacordado. Logo foi encaminhado para fazer os procedimentos.
- Qual a situação? - perguntei à um dos paramédicos.
- O cara do caminhão não teve ferimentos sérios, só alguns arranhões, ele já está lúcido e provavelmente estava embriagado. Os dois jovens estão em estado grave, ambos estão desacordados. É difícil falar todos os traumas que eles tiveram, porque aqui nós não temos todos os equipamentos necessários. Eles vão ser retirados e levados ao hospital de helicóptero. Nós estamos procurando alguma identificação aqui no momento. Com licença. - ele disse e se retirou.
Continuei com os outros policiais, então ouvi um médico falar.
- Achei um documento.
Me aproximei, enquanto ele conversava com o atendente.
- Posso ver? - pedi e ele me deu.
Olhei a carteira de motorista e não acreditei no que vi.
- Você tem certeza de que estava lá dentro? - perguntei enquanto sentia meu pulso acelerado.
- Sim, estava lá dentro.
- Meu Deus. - falei e corri em direção à maca que o adolescente estava deitado.
- Me deixe ver. - falei à médica que cuidava dele.
Ele me olhou e me mostrou o rosto. Era ele. Eu não consegui acreditar, caí no chão como se derrepente meus joelhos não aguentassem mais meu peso.
- Você tá bem? - escutei perguntar.
- Esse é meu filho. - falei olhando-a.
Ela tinha uma expressão de surpresa, mas se adiantou em dizer.
- Nós vamos fazer o possível pra ele melhorar. Ted! - chamou um médico que estava perto da outra maca.
- Oi? - falou ao se aproximar.
- Ajuda ele. - apontou pra mim - É o filho dele.
- Vamos, senhor.
Eu o segui até a outra ambulância. Me encostei e coloquei a mão no rosto, minha respiração estava muito rapida. Tentei ficar calmo. Escutei ele falar.
- Senhor, você precisa se acalmar. - tirei a mão do rosto - Nós faremos tudo que tiver ao nosso alcance para que eles dois fiquem bem.
- Dois? - perguntei.
- Sim. Ele e a garota.
- Me mostra ela. - falei me lembrando da Katelyn - Agora.
- Aqui. - disse tirando a manta térmica do rosto da garota.
- É ela. - falei baixo - Como eu vou avisar pra minha namorada? Ela tá grávida.
- Elas tem algum parentesco? - perguntou.
- Sim. Ela é sobrinha.
- Sinto muito. - falou me olhando.
Eles foram retirados e levados para o hospital. Eu fui junto com o meu filho. Pensando como iria contar pra Jess.
Ambos foram para o centro cirúrgico e eu pedi à um dos enfermeiros para me manter atualizado, enquanto eu ia na casa da Jessie.
- Lauren? - liguei do carro enquanto eu dirigia.
- Eu? - a ouvi falar sonolenta do outro lado da linha - O que aconteceu?
- Olha, os meninos sofreram um acidente de carro.
- Meu Deus! - falou com a voz embargada - Como eles estão? Foi grave?
- Sim. Ambos foram para o centro cirúrgico.
- Mas o que aconteceu?
- Um caminhão bateu no carro do Chandler. Ainda não se sabe direito o que aconteceu.
Fez um silêncio na linha.
- Lauren? Ainda está aí?
- Sim - falou com a voz baixa - Estou.
- Vem abrir o portão pra mim. Por favor.
- Já estou indo.
Esperei alguns minutos lá fora. Ela apareceu já de calça e blusa pra sair.
- Eu tenho que falar com a Jess. - disse quando ela abriu o portão - Como eu vou fazer isso?
- Eu vou junto. - falou limpando o rosto.
Entramos no quarto dela e ela dormia calmamente.
- Jessie. - chamei - Acorda, amor.
- Ei. - falou abrindo os olhos - O que você ta fazendo aqui?
- Eu tenho uma notícia pra te dar.
- Oque foi? - perguntou se levantando - Os meninos estão bem?
Eu e Lauren acenamos que não com a cabeça e eu vi ela se apavorar.
- Oque aconteceu? Me falem.
- O carro do Chandler foi atingido por um caminhão. Eles estão no hospital em estado grave.
- Não pode ser. - falou com a mão no rosto - A gente vai pra lá, agora.
Ela chorou enquanto se vestia, se trocou e nós fomos para o hospital.
- Alguma mudança? - perguntei na recepção.
- Ambos ainda estão em cirurgia.
Me sentei ao lado da Jess, e ela colocou a cabeça no meu ombro.
- Eu não posso perder ela também. - falou chorando e eu me virei pra ela.
- Você não vai. Eles vão ficar bem. Nós não vamos perde-los, você vai ver.
Após algumas horas passaram, a Jess não parava quieta, andava de um lado pro outro, incansavelmente.
- Jess, se senta. E se acalma. - falei.
- Como você quer que eu fique calma? - parou e se virou pra mim - São nossos filhos que estão lá. Eles são tão novos, eu não quero perder mais ninguém. - falou em um tom de desespero.
- Eu sei, e eu te intendo. Mas não há nada que a gente pode fazer daqui. E você tá grávida, a gente tem que pensar nessa criança. Se você ficar assim, não vai fazer bem pra ela.
Ela veio e se sentou no meu lado, finalmente se dando por vencida.
- Da última vez que eu estive em uma situação parecida, perdi minha irmã e meu cunhado. - me olhou - Não posso perder minha sobrinha também.
Pov. Jessie
7h30 da manhã, já estamos sentados na sala de espera a quase seis horas. Meu coração está apertado. Peço a todos os Deuses e à todas as forças maiores do Universo que cuidem dos dois.
- Café? - a Lau me ofereceu.
- Sim, por favor.
Peguei e senti o calor nas minhas mãos. Lembrei da kat, segundo ela "Café acalma a alma".
- Eu não aguento mais esperar. - eu disse - Parece que tem uma escola de samba na minha cabeça.
- Finalmente! - exclamei me levantando quando a medica apareceu.
- Como eles estão, doutora? - Rick perguntou.
- Bom, a Katelyn teve uma fratura na parte superior da costela, essa fratura atingiu uma veia, houve perda de sangue, nós conseguimos controlar o sangramento. Ela também teve uma fratura no pulso, não foi exposta, já cuidamos e ela está com gesso. Agora ela está na UTI.
Naquele momento, dez milhões de quilos foram tirados das minhas costas.
- E meu filho? - Rick perguntou aflito.
- O caso é um pouco mais sério. O lado dele teve um maior impacto, portanto ele teve ferimentos mais sérios. Ele teve uma ruptura no baço, houve uma grande perda de sangue, que também foi controlada. Durante a operação ele teve três paradas cardíacas. - nós nos espantamos - Devido a isso o cérebro ficou se oxigênio por alguns instantes. Devido à isso, nós não sabemos como o corpo dele vai reagir, as primeiras 24 horas são cruciais para sabermos se ele vai reagir aos medicamentos. Logo vocês poderão vê-los, sinto muito. - se retirou.
Ela se foi e eu não sei se eu estou aliviada pela kat, ou mais aflita pelo estado do Chandler.
- Ele vai ficar bem. - falei abraçando o Rick - Você vai ver.
- Eu não vou aguentar. - disse retribuindo o abraço - Não vou aguentar se ele se for.
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Era Pra Ser (Completo)
FanfictionLivro 1 da trilogia "Era pra Ser". Katelyn Nacon, de 17 anos, perdeu os pais, e com eles a sua vontade de viver. Desde então foi como se ela tivesse perdido o ar e vivesse no automático. Então ela o conheceu, e foi como se ela pudesse respirar nova...
