Girl's Night

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Acordei no outro dia com o meu rosto enterrado no pescoço do Chan e metade do meu corpo em cima dele. Saí de cima dele e me sentei na cama, prendi meu cabelo que estava bagunçado e ainda um pouco molhado da madrugada, mas ao olhar minhas mãos quase surtei ao perceber a falta do meu anel.
- Puta que pariu. - falei.
Rapidamente pulei da cama, procurando pela penteadeira, pelo móvel, no chão e nada de anel. Então eu fui para o banheiro, último lugar que eu me lembro de estar, olhei a pia, o ralo, dentro das gavetas, sem sucesso. Então por fim olhei a banheira, não encontrei nada. Então eu provavelmente estou fudida.
Eu me encostei na porta e senti vontade de chorar. Sim. Chorar. Eu estava desesperada, como eu iria explicar? Eu nem consigo lembrar direito o que aconteceu quando eu cheguei aqui.
Eu parei de chorar e voltei para o quarto, sentei na cama novamente e fiquei assim até sentir o Chan se mexer.
- Que horas são? - perguntou.
- Eu não sei. - falo baixo.
- 9:30. - ele se senta - O que você tá fazendo acordada?
- Nada. - eu o olhei.
- Você estava chorando? - ele passou o dedo na minha bochecha - Seu rosto tá vermelho.
- Eu perdi minha aliança. - mostrei a minha mão - E o pior é que eu nem sei aonde foi. Não me lembro se eu cheguei aqui com ela. Ou se eu perdi no bar, ou na rua, no carro...
Ele ficou em silêncio. Voltei a olhar pra baixo e fiquei quieta.
- Acho que esse é seu dia de sorte - ele falou.
Eu olhei e o vi com o meu anel. Quase pulei de alegria. Sério.
- Caralho. Eu te amo! - eu me joguei em cima dele - Sério!
Ok. Eu realmente pulei.
- Onde você achou? Como? Sabe como eu perdi? - eu o bombardeio de perguntas.
- Você deixou no banheiro. - ele me olha como se fosse uma coisa óbvia - Antes de entrar no banho, você tirou e colocou na pia. Então eu peguei e falei que estava com ela.
- Sério? - me espantei.
- É. Você até falou "Melhor assim, se eu ficar com ela, provavelmente vou perder."
- Oh. - ele falei me sentando novamente - Isso é embaraçoso. - dei uma risada sem graça - Muito embaraçoso na verdade. Que vergonha, dona Katelyn. - falei comigo mesma.
Ele riu.
- Sua aliança, dona. - ele colocou em meu dedo.
- Ok. Agora eu quero me enfiar em um buraco. Sério. Que vergonha.
- Nada demais. Você tava morta de bêbada ontem. Não ia conseguir lembrar de tudo, de qualquer jeito.
Lembra do tombo que levou? - perguntou.
- Não lembro direito. - eu penso - Então é por isso que meu joelho dói?
- Acho que sim. Você caiu de cara. Literalmente. - ele riu.
- Não ria. - eu jogo o travesseiro nele, que o joga de volta - Que maldade. - eu aceno negativamente com a cabeça.

Após o café da manhã eu estava na área da piscina aproveitando o sol da manhã e brincando com a Vênus, Chan estava estava lá também, deitado em uma espreguiçadeira.
- Você não se cansa de ficar deitado? - eu pergunto - Nossa. Nunca achei que iria falar isso.
Me lembrei da minha mãe reclamando, pelo fato de eu passar todo o dia deitada.
- Deitar nunca é demais. - falou se sentou me olhando.
- Essa criaturinha tá tão grande, né? - segurei a Vênus no colo - Parece que foi ontem que você me deu ela.
- Nem faz tanto tempo assim, mas ela realmente cresceu.
- Verdade. Aconteceram tantas coisas, eu descobrir tantas coisas, que parece que alguns anos já se passaram.
Ele veio e sentou do meu lado. E não tenho certeza do porque, mas uma sensação repentina de felicidade me invadiu, apesar de tudo, eu estava me sentindo tão feliz e completa que tenho até medo de falar sobre.

Nós estávamos conversando quando meu telefone tocou.
- Quem é? - perguntei.
- Oi, Katelyn. Sou eu, Juliette.
- Olá, Juliette. Já tá com saudades?
- Claro que não. - brinca - É que eu ando meio sozinha, isso aqui é um porre.
- Imagino. Você não se lembra de nada, todos parecem estranhos pra você.
- Pse, você foi a unica que me fez ficar a vontade, pelo menos eu sei que com você eu posso conversar normal e não vou me arriscar de falar algo que talvez não devesse, ou perguntar algo que eu ja tenha perguntado, dá pra me entender ou eu compliquei tudo?
- Deu pra entender. - eu rio - Tipo repetir uma conversa que já teve ou perguntar algo constrangedor que você já havia perguntado.
- Sim! Tá vendo, você me entende. Eu amo Ana, ela é minha irmã de coração, mas ela não me entende nisso, para ela não é estranho, pois para a nossa relação não muda e isso a faz achar normal, e com você é como se eu pudesse conversar sobre qualquer coisa, pois não havia feito antes. - ela dá uma pausa. - Na verdade eu to me enrolando toda para explicar isso.
- Você pode continuar porque de um jeito estranho eu estou te entendendo.
- Eu to achando que to precisando beber. Tá afim?
- Você não tá grávida, amiguinha?
- Posso fingir que energético é conhaque? Talvez seja depois que eu misturar...
- Eu tenho uma idéia melhor...
- Estou te ouvindo.
- Quer vir pra minha casa? Lugar com pessoas estranhas, em que você não precisa se preocupar em falar algo que já tenha dito, e comer como uma porca grávida? E sem perigo com bebida.
- Pode ser. - ela diz e faz uma pausa - Kat, posso levar uma Ana? E talvez a Trubel?
- Pode sim. Vem todo mundo.
- Ok. Até mais. Te mando uma mensagem de texto quando sair.
- Tudo bem. Até. Mais uma coisa. Eu te dei o endereço?
- Manda mensagem. Tenho que ir, temos visitas...
- Ok. Bye.
Eu desligo.

Era Pra Ser (Completo)Onde histórias criam vida. Descubra agora