- Por que tanta gente no meu quarto? - Nos viramos vendo Juliette perguntar com uma voz fraca.
- Nós viemos trazer a Katelyn para te ver, amiga. - Diz Trubel.
- Olá. - eu digo me aproximando de Juliette. - Como está?
- Muito bem, não vê? - Diz Juliette cheia de sarcasmo.
- Que bom. - Respondo entrando na brincadeira.
- Você também me conhece?
- Na verdade não.
- Então por que está aqui? - aponto para o recipiente onde foi depositado o sangue (bolsa de sangue).
- Meu sangue.
- Ah tá! Desculpe.
- Tudo bem, eu também sou amiga da sua cunhada.
- Quem?
- A Trubel.
- Ah ta! As vezes me esqueço que perdi 3 meses e meio da minha vida.
- É, acontece.
-Sim. É muito normal as pessoas perderem uma parte da memória.
- Dá pra parar com o jogo de ironia? -Diz Trubel. - Obrigada.
Enquanto nós conversávamos, e a Juliette fazia um joguinho de ironias, eu decidi sair e ir atrás da Geanna.
- Gente. - olho meu relógio - Eu tenho que ir agora.
- Por que? Ta tão cedo. - Trubel pergunta.
- Eu tenho que ir... - hesito - Pra casa. Minha tia também não está muito bem.
- Tudo bem, então. - ela vem me abraçar - Obrigada e desculpa mais uma vez, por te colocar no meio dessa confusão.
- Nem esquenta, Trubel. - a olhei - O que seria a vida sem um pouquinho de bagunça, não é mesmo? - ela sorri.
Me virei para Juliette.
- Melhoras pra você, moça. Faça um bom proveito do meu sangue. - acenei sorrindo - E Nick - ele me olhou - Boa sorte com a fera. - nos sorrimos e eu saí do quarto.
Andei pelos corredores do hospital á procura da doutora. Avistei o balcão da recepção e fui até lá.
- Com licença? - a moça me olhou.
- Em que posso ajudar?
- Eu estou procurando por uma médica, a dra. Geanna. Você pode me informar onde encontra-lá? - forcei um sorriso.
- Você pode procurar no consultório dela. - ela fez cara de "óbvio".
- Se eu soubesse já teria ido, não acha?
Ela olhou e depois desviou seu olhar para o computador.
- Ok, me desculpe. - fiz sinal de rendição - Pode por favor me informar aonde fica o consultório dela?
Ela revirou os olhos.
- Segundo andar, sala 209.
- Obrigada. - falei dando um sorriso forçado - Vadia. - falei após me afastar do balcão.
Andei pelo corredor à procura da sala 209, quando finalmente achei meu coração acelerou, mas eu entrei de qualquer jeito.
- Geanna? - chamei.
- Oi. - ela diz e se levanta de sua cadeira e me encara - Você parece tanto com a sua mãe... e... comigo
Eu respiro fundo.
- O que tá acontecendo? Eu não consigo... - meus olhos ardem - Você se parece com ela...
- Eu não sei se você entenderia tudo isso. É uma longa história, querida.
- Eu tenho tempo. - me sento na cadeira.
- Sua mãe e eu somos irmãs gêmeas.- Começa. -Eu não me dava muito bem com sua avó. Eu não gostava que me prendessem, eu queria ser livre e isso sua avó não aceitava...
Ela me olha como se quisesse saber se eu quero continuar a ouvi-lá
- Gêmeas. - falo boquiaberta - Minha mãe nunca mencionou nada. Em momento algum. - a confusão se instala em minha cabeça.
- Sua avó as vezes era um pouco controladora de mais, ela não permitiu que falassem de mim, sua avó me mandou morar com uma tia minha, assim ela não tinha que aturar meus atos rebeldes... Então um dia... eu estava no meu quarto na casa da minha tia... e...
- Eu sei, minha vó era mais do que dura. Ela conseguia ser muito fria
- Querida, essa história toda pode afetar a imagem que você tinha de tua avó. Tem certeza de que quer saber toda a história?
- Eu prefiro a verdade dura, do que viver no escuro a vida inteira. - suspiro - Me conte tudo.
- Eu tinha 14 anos, quando sua avó me mandou morar com minha tia, eu pelo menos podia ter mais liberdade com ela, comecei a namorar um menino, tudo estava indo bem, até aquela maldita noite!
- O que aconteceu?
- Eu estava no meu quarto vendo um filme, quando escutei minha tia gritar, eu corri para o quarto dela no mesmo instante para ver o que havia acontecido. - Ela começou a chorar - Ela estava deitada na cama, uma poça de sangue envolta de seu corpo, sujando o seu vestido branco... eu me aproximei e a chamei, mas ja era tarde demais. Eu gritei de tanto chorar, eu desci as escadas correndo para pegar o telefone e ligar para a polícia, mas um homem estava parado lá, ele estava com uma arma.
- E? - passei a mão no rosto - O que aconteceu?
- Ele foi horrível, ele me agarrou, eu tentei afasta-lo, juro que tentei, mas ele era forte de mais, ele me empurrou no chão subiu em cima de mim, me despiu... - Ela me olha com olhos de dor. - Eu acordei em um hospital. Chamaram minha familia, meu pai foi lá, até minha irmã conseguiu me ver, mas nada de sua avó. Ela só apareceu para me ver quando ficou sabendo que o maldito me engravidou.
Eu dei um pulo.
- Grávida? Ele te engravidou? Esse foi o motivo?
- Sim e não, minha mãe não podia ter sido mais insensível. Ela pagou os médicos para que eles não abrissem a boca e falasse da minha gravidez, depois ela queria abortar o bebê, mas eu não podia, eu tinha medo e além do mais isso é errado, mas mesmo assim ela deu o jeito dela. Me levou para uma fazenda da família e fez eu ter minha filha lá, eu fui mãe de uma menininha linda por quatro dias, mas sua avó me tirou ela dos braços.
- Eu nunca imaginei que ela poderia ser tão fria. - me levantei - Eu conhecia a minha vó, sabia que ela era capaz de tudo pela aparência, mas isso? - parei de andar pela sala - É demais. É muito além do que eu poderia sequer imaginar.
- E não parou por ai minha querida, ela me mandou para Londres estudar medicina, ela me manteve lá para que eu não tivesse como e nem tempo de procurar minha bebê, quando terminei todos os meus estudos decidi voltar, mas eu não tinha coragem de olhar na cara dela de novo, eu tinha medo de ver qualquer um da minha família e relembrar de tudo oque passei, eu nunca mais vi sua mãe e nem Jessie.
Eu respirei fundo.
- Jessie provavelmente não se lembra de mim
- A tia Jessie ta grávida.
- Como? - ela se lrvanta e sorri
- Tem um bebê no útero dela - ironizo - Seis meses.
Cruzo meus braços.
- Eu fico muito feliz por ela, mas e sua mãe? Como esta? Eu sinto tanta falta dela. Eu e sua mãe vivíamos grudadas.
Uma lágrimas escorre dos meus olhos e eu nego com a cabeça.
- Ela faleceu.
- Não! - Ela chora. - Eu devia der voltado por ela, eu devia estar do lado dela sempre... Eu não sei como vivi tanto tempo longe dela... Como isso aconteceu? Quando?
- Cinco anos atrás, acidente de carro, meu pai também se foi. - as lágrimas agora saem descontroladamente - Eu tava lá. Eu vi...
- Isso é muito para digerir... todo o meu passado e presente está se chocando, você, sua mãe, Jessie e agora Juliette...
- O que tem Juliette? - pergunto.
- Somos compatíveis a ela.
- É, eu doei pra ela... - eu me dou conta - Você acha que é ela?
- Sim, você não sabe como ela é parecida com o seu avô e o nosso tipo sanguíneo e muito raro para logo três pessoas serem compatíveis.
- É, ela realmente se parece com ele. O formato do rosto, e o cabelo dela se parece com o meu...
- Sim, veja os olhos - Ela sorri de leve - De qualquer forma terei que fazer um teste.
- O verde, de toda a família. - paro - Tá pensando em quê? Entrar lá e falar: Oi, juliette. Eu sei que você acabou de passa por um sequestro, seu filho corre risco de vida e tal, mas eu acho que sou sua mãe. Vamos fazer o teste? - digo - E se der negativo? Todos vamos ficar frustrados.
- Claro que não, coitada, ela passou por tanta coisa.
- E o que você pretende fazer?
- Eu to pensando em conseguir um pouco do cabelo dela.
- Você sabe que isso é ilegal, né?
- Você acha mesmo que eu tô me importando com isso? Eu sou médica e conheço muita gente que pode me ajudar.
- Continua sendo ilegal, Geanna. Você pode perder sua licenciatura. Não que eu me importe, mas você deveria.
- Eu não tive a chance de ficar com minha filha antes. Agora eu tenho a oportunidade, eu não me importo de perder a licenciatura se vou ganhar a minha filha de volta
Eu dei de ombros
- Não acredito que vou dizer isso. - respirei fundo - No que eu posso ajudar?
- Você podia se aproximar dela e de alguma forma arrange um pouco do cabelo dela. Eu não sou da área que cuida do íntimo do paciente, então iria ser estranho.
- Ok. Eu posso fazer isso, minha amiga é cunhada dela.
- Mais uma coisa, não conte para ninguém ainda sobre isso. Nem para a sua tia. Quero eu mesma falar com ela mais para frente.
- Não vou, e não seria bom pra ela nesse momento de qualquer jeito.
- Podemos ir? - falei ao encontrar o Chan com Kevin na cafeteria do hospital.
- Achei que não viria mais.
- Eu fiquei um pouco tonta. - cruzei os braços - Precisei de algum tempo pra me recuperar, eu estava com a Trubel, no quarto da Juliette.
- Ok, vamos então. - ele se levantou - Tchau, cara. - falou com Kevin.
- Tchau, Kevin. - falei - Sua namorada ainda está no quarto da Juliette, acho. Vá procura-lá.
- Tudo bem. - falou - Tchau.
Ele saiu em direção ao saguão do hospital.
- Você tem certeza de que está bem? - Chan perguntou ao entrarmos no taxi.
- Eu tô bem. - minto - Acho que eu só preciso descansar um pouco.
Ele passou o braço em volta de meus ombros e eu coloquei a minha cabeça em seu peito sentindo algumas lágrimas descerem pelo meu rosto, enquanto o taxi partia para nossa casa.
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Era Pra Ser (Completo)
FanfictionLivro 1 da trilogia "Era pra Ser". Katelyn Nacon, de 17 anos, perdeu os pais, e com eles a sua vontade de viver. Desde então foi como se ela tivesse perdido o ar e vivesse no automático. Então ela o conheceu, e foi como se ela pudesse respirar nova...
