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- Porque diabos o Chace não consegue parar de olhar pra cá? - rolei os olhos para Maite, enquanto ela trançava os cabelos do Chloe, revezando entre a tarefa e o cappuccino que tomava.

- Você não vai deixar ele estragar seu dia vai? Hoje nada pode dar errado - sorriu, me reconfortando.

- Só de pensar nos problemas que eu tenho que encarar ao chegar em casa, já tenho vontade de que o dia não acabe nunca mais - suspirei, sentindo um beijo quente na minha nuca.

- E quem foi que disse que eu vou deixar você ir pra casa hoje? - sussurrou no meu ouvido. Se não estivéssemos em público, eu seria capaz de gemer com aquele gesto tão sutil e excitante - Você já esqueceu que dia é hoje?

Eu quase havia esquecido.

- Dia dos namorados - murmurei com um meio sorriso, sentindo as carícias das mãos dele entre os meus cabelos.

- Como eu tenho a melhor namorada do mundo todo, dona Ruth não se importou nem um pouco em ficar até mais tarde e me dar uma pequena folga. Quero te levar em um lugar especial, topa?

- Eu topo qualquer coisa com você.

As nove Alfonso passou em casa tomar banho e me pegar. Como era de prever, mamãe ainda estava la. Christopher ja arrumava a própria "cama" no sofá, enquanto ela se apossava do quarto de hóspedes.

- Aonde você vai? - ela me fitou dos pés a cabeça. Eu usava um vestido vinho, com sapatos pretos de salto fino e um sobretudo escuro combinando com o tom do sapato. Borrifei perfume, e voltei a atenção a ela.

- Eu vou sair com Alfonso.

- Quem é Alfonso? - franziu o cenho curiosa, eu me limitei a suspirar.

- Ele é meu namorado mamãe.

- E quando é que você pretende apresenta-lo? Eu sou sua mãe.

Eu quase ri.

- Quando foi que você se preocupou em saber sobre mim? - disse seca.

Mamãe tomou ar, os cabelos desgranhados e os olhos úmidos, como se pudessem chorar a qualquer momento.

- Eu sou uma péssima mãe - ela disparou, entre dentes - Eu não posso acreditar que falhei tanto ao ponto de você guardar esse rancor tão grande.

- Mãe - parei com as mãos na cintura - Você não falhou. Você fez suas escolhas, nossa vida toda é feita delas. Foram erradas, você sabe que sim. Mas esse não é o momento pra falarmos disso. Eu ainda não me sinto plenamente preparada pra termos essa conversa.

- Você está linda - confessou, arrumando alguns fios do meu cabelo.

- Obrigada - sorri, pela primeira vez. Ajustes a bolsa, e segui rumo a porta.

- Aonde vai? - Chrisropher pediu, assim que minhas chaves giraram, na fechadura.

- Sair com Alfonso - sorri - Vamos jantar, hoje é dia dos namorados.

- Hoje é um péssimo dia, obrigada por me lembrar disso - rolou os olhos. Eu ri, me abaixando até ele.

- É um péssimo dia porque você quer. Até quando vai continuar ai, sentado, vendo seus sonhos e a mulher da sua vida escapar por entre os seus dedos?

Ele ficou pensativo, e eu saí, na esperança de que ele resolvesse me ouvir e ir atrás de Dulce, antes que fosse tarde demais.

- Porque você não me conta aonde vamos? - resmunguei por trás da venda - Você sabe que odeio surpresas, amor.

Alfonso riu, passeando a mão pela minha perna em um carinho singelo.

- Você é tão teimosa - riu rouco - Já estamos chegando. Relaxa.

- Você está sendo cruel - mordi os lábios insatisfeita.

- Cruel foi você ao colocar essa roupa hoje - sussurrou no meu ouvido - Não sei se vou conseguir me controlar até o jantar com você aqui.

- Quem disse que quero que você se controle? - respondi com a voz trêmula ainda pela proximidade dos lábios dele com a minha pele.

- Nós vamos ter muito tempo, hoje você é toda minha.

- Hoje e sempre - respondi.

Assim que chegamos, ele retirou minha venda, revelando um pequeno chalé, em meio ao campo. Haviam duas tochas acesas na frente, e um pequeno caminho de pedras que dava acesso a porta de entrada.

- Você gostou? - ele pediu, abraçando minha cintura por trás.

Eu lhe sorri.

- É tudo perfeito. Eu amo você.

- Vamos entrar, tem mais surpresas la dentro - beijou minha bochecha, me guiando pelo trajeto, ainda abraçados.

Assim que girei a maçaneta, me deparei com uma cama coberta de pétalas de rosa, e o cheiro delas exalava pelo ambiente. A mesa estava posta, com belas taças de Cristal, e a louça era branca. O vinho estava sobre a mesa também.

- Você pensou em tudo - sorri, juntando meus lábios aos dele, enquanto trançava seu pescoço com meus braços.

- Eu quero que essa noite seja perfeita e inesquecível - beijou meus lábios com carinho - Eu amo você. Feliz dia dos namorados - sussurrou.

- Feliz dia dos namorados, amor.


Já era a terceira vez que nos amávamos, nossos corpos caíram suados sobre a cama. Alfonso abraçou minha cintura, enquanto distribuía pequenos beijos belos meus ombros, cabelos, nuca..

- Obrigada - sorri, me virando pra ele.

- Pelo que? - olhou-me divertido.

- Por ter entrado na minha vida, por ter me tirado do casulo em que eu vivia, por ter me feito poder confiar em outra pessoa novamente. Você me fez viver outra vez.

Ele me olhou emocionado.

- E eu agradeço por ter me aceitado como sou, mesmo com tantos defeitos, com uma filha pequena, mesmo que eu não possa te dar tudo o que merece ou - o interrompi, levando o indicador até seus lábios.

- Você me dá muito mais do que eu preciso. Você é tudo o que sempre sonhei.

Alfonso se remexeu na cama, esticando o braço, apanhando a embalagem que havia lá e que só agora eu havia me dado conta. Retirou duas alianças douradas, depositando uma no meu anelar, sem pedir licença. Eu sorri.

- Essas, são apenas para oficializarmos - beijou minha mão, e eu retribui, colocando a aliança no dedo dele.

- Oficialmente noivos? - me abraçou enchendo-me de pequenos beijos, enquanro eu me aconchegava ainda mais em seu peito.

- Oficialmente noivos - concordei passando o nariz lentamente pó seu pescoço. Foram precisos apenas alguns segundos até meu estômago embrulhar. Definitivamente eu precisava parar de beber vinho, ou sabe-se la quanto tempo meu fígado ainda suportaria.

- Pronto? - Alfonso pediu, ainda segurando meus cabelos com as mãos.

Assenti com a cabeça.

- Desculpe fazer você passar por isso - lamentei, escovando os dentes, apoiada na pia do banheiro.

- Esta tudo bem - beijou a curva do meu pescoço - Se não estiver se sentindo bem podemos ir pra casa.

Neguei.

- Eu quero ficar. Foi só um mal estar, logo vai passar.

O Antídoto Onde histórias criam vida. Descubra agora