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O desfecho da noite e daquele final de semana era o pior. Edward sendo levado por uma ambulância com um corte no abdômen, eu com as mãos cobertas de sangue, segurando tremulamente uma faca, igualmente ensanguentada. Depois a delegacia, as pessoas cochichando supostos motivos para que eu estivesse ali. O medo estampado nos meus olhos que só desaparecer quando Christopher me abraçou com força e eu me deixei chorar em seu colo, como um bebê.

- Não, não estava - respondi, me encolhendo ainda mais no cobertor felpudo com o qual Christopher me abracava. Eu bebia um café, tentado me esquentar ali, no vigésimo terceiro distrito.

- A Senhorita conseguiu observar se o senhor Westeick estava sob efeito de drogas, álcool...

- Álcool.

- Nós estávamos em um bar, no centro da cidade, Edward estava bebendo o tempo todo - Christopher acrescentou.

- Vou precisar coletar suas digitais, e será ouvida em juízo - o delegado explicou - Para oficializar os fatos afirmados, assim como serão intimados o Senhor Edward Westwick e o Senhor Thomas Muller.

- Tudo bem, sou advogada doutror, conheço o procedimento.

- Ótimo, vou buscar o material.

Assim que o Delegado Stefans se afastou, Christopher beijou meus cabelos como um pedido de desculpas.

- Você não precisava passar por isso, eu fui um péssimo irmão, eu devia ter ficado ao seu lado e - o interrompi.

- A culpa não foi sua Chris, não havia como prever que uma situação dessas aconteceria, foi tudo premeditado...

- Mesmo assim - segurou meu rosto entre as mãos - Se eu estivesse com você jamais deixaria com que nada acontecesse - suspirou - Ele machucou você?

- Apenas minha alma - soltei o ar de uma vez - Jamais pensei passar por algo assim, você sabe que eu não seria capaz de fazer mal a uma mosca sequer - ergui os olhos tentando conter o choro. Maite vinha até a caminhonete, acompanhada de Alfonso. Assim que entrei em seu campo de visão, ele caminhou apressado, e eu levantei, até nossos corpos se chocarem, e eu abraça-lo, chorando.

- Pequena! O que foi que aconteceu? - apertou-me entre os lábios e eu solucei em resposta - Ele machucou você? Me diz o que ele fez Annie! - segurou meu rosto, tentando enxugar as lágrimas que insistiam em cair.

- Ele estava descontrolado, não sei como consegui arrancar a faca das mãos dele, ele ia cortar meu rosto, eu senti o pontiagudo da faca sobre a minha bochecha.

Alfonso cerrou os punhos com ódio, ainda abraçado a mim.

- Esta tudo bem agora meu amor, eu não vou mais me afastar de você, eu juro que nunca mais vou a lugar algum - selou meus lábios diversas vezes, em desespero.

- Eu tive tanto medo...

- Agora eu estou aqui e nenhum mal vai te acontecer. Confia em mim não confia? - acenti com a cabeça - Então vamos, eu vou te levar pra casa.

O caminho de volta foi tranquilo, Maite arrumou minhas malas e eu e Alfonso fomos na frente, por insistência minha, o que o fez acabar cedendo. Dormi quase a viagem toda com os calmantes que Dulce me dera. Alfonso hora acariciava meus cabelos, hora prestava a atenção na estrada.

Quando chegamos, descemos juntos, ele levando as malas, e eu abrindo a porta para que ele passasse. Tomei um demorado banho e vesti um pijama quente e felpudo. Então deitamos na cama, Alfonso de frente pra mim, a respiração pesada, enquanto a mão acariciava minhas têmporas.

- Quando Maite me ligou contando o que havia acontecido, eu bem - suspirou - Senti meu coração ser esmagado de inúmeras formas. Tive medo de que você houvesse se machucado ou do que sabe-se lá Deus o que aquele psicopata pudesse ter feito com você!

Sorri fraquinho pra ele, elevando minha mão de encontro a sua, entrelaçando nossos dedos.

- Está tudo bem agora não está? Eu estou aqui com você, de onde não pretendo sair tão cedo.

Alfonso abriu um lindo sorriso. Um dos mais lindos já vistos por mim até então.

- Eu não quero viver mais nenhum segundo sem você ao meu lado - beijou minha mão - Tudo isso, toda essa situação, so me fez perceber que eu não saberia o que fazer se você não mais estivesse comigo.

Meu olhar umideceu. Dei um pequeno beijo em seus lábios antes que ele continuasse a falar.

- Eu sei que você mereceria um belo jantar, um buquê imenso de flores e a mais bela jóia de diamantes que eu pudesse comprar mas é que - riu baixo, rouquinho - É que eu simplesmente não posso mais esperar pra que diga isso a você.

- O que você quer me dizer amor? - brinquei com a gola do pijama dele, em um misto de curiosidade.

- Eu quero me casar com você Annie - soltou, sério, fazendo meus olhos arregalarem diante das palavras dele.

- Amor eu - fui interrompida.

- Eu sei que estou indo rápido demais. Pode ser o calor da emoção, o medo em te perder, mas eu sei que jamais vou me arrepender, sei que jamais voltaria atrás nessa decisão. Eu quero me casar com você Anahí. Você é tudo o que eu poderia querer, a mulher da minha vida.

Algumas lágrimas timidas escaparam pelos meus olhos, e ele as secou com cuidado, sem descolar os olhos de mim um segundo sequer.

- Se você quiser um tempo pra pensar, bem, eu posso espe - o interrompi.

- Eu não preciso de tempo algum - respondi, convicta, com um enorme sorriso nos lábios - Eu quero me casar com você. Eu serei a mulher mais feliz do mundo ao me casar com você! Eu te amo e só aqui - aconcheguei-me mais no abraço em que ele me envolvia - Só aqui eu me sinto segura. É nunca estive tão certa sobre algo como estou agora.

Alfonso selou meus lábios, e era como se beijasse meu coração, como se o acariciasse e pudesse arrancar dele todo o medo e a dor que eu viesse a sentir.




- Você tem que ficar quietinha Chloe, eu preciso arrumar os seus cabelos pra irmos encontrar o seu pai - expliquei - Você não está com fome?

- Eu estou, mas no restaurante do papai não tem batatinha frita - resmungou, chorosa.

- Mas nós podemos comer panquecas, olha só que gostoso? Você não gosta de panquecas?

Antes que Chloe pudesse responder a campainha no meu apartamento soou.

- Fica aqui paradinha, eu já volto.

Segui até a porta, e assim que a abri, era como se uma avalanche estivesse a ponto de desmoronar.

- Mãe? O que você está fazendo aqui? - cruzei os braços na altura dos seios, com a cara de poucos amigos.

- Oh querida, eu vim visitar você e Christopher que se quer se dignam a saber sobre a pobre mãe de vocês - entrou empurrando as malas - Isso aqui está o verdadeiro caos - olhou em volta, torcendo o nariz - Escuta Anahí porque você - a voz parou ao ver Chloe sentada no sofá da sala - Ai meu Deus, quem é essa garotinha encantadora? Não me diga que está fazendo um bico como babá Anahí, não foi pra isso que eu e seu pai pagamos um horror para que você estudasseem Harvard.

Eu me limitei a rolar os olhos. Parece que eu estava em uma encrenca das grandes.

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