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Dois dias haviam se passado. Christopher fora passar uma semana com nossos pais em Orange County, o que significava poder ver minhas séries preferidas ao invés de aguentar os gritos histéricos dele durante o jogo dos Yankes.

Alfonso e eu não havíamos nos visto desde a festa de Chloe. Quer dizer, ele me mandou um sms pedindo como eu estava na segunda-feira, mas nosso assunto se limitou a isso. Provavelmente ele devia estar ocupado demais com o trabalho, tentando suprimir as folgas dos últimos dias, usadas na organização da festa, deduzi.

Cheguei super cansada em casa. Além de ter um dia completamente exaustivo, ainda tive que acompanhar Maite em uma esticada em um café das redondezas pra que ela pudesse desabafar o fora que Koko havia dado nela no último final de semana, quando os dois se encontraram "acidentalmente" em um bar da 7th. Maite jurava que eu cairia nessa e que ela não havia importunado Blake para que ela investigasse o paradeiro do herdeiro Stambuk no sábado a noite.

Girei as chaves fechando a porta e as jogando sobre o aparador. Atirei os sapatos em um canto qualquer, ja que meu corpo gritava por um bom banho e uma camisola confortável. Coloquei as roupas mo cesto do banheiro, separando brancas e escuras. Stancy London morreria se me visse lavar um cardigã Marc Jacobs na máquina de lavar.

Soltei os cabelos, o dia estava frio, mas nada que o secador de cabelos não fosse capaz de ajudar.

Tirei os chinelos e abri o chuveiro. Um estouro foi ouvido e o apagão se fez presente, sem falar na água fria que me fazia sentir como se estivesse correndo pelada na Times Square em pleno inverno.

- Merda - murmurei fechando o chuveiro com rapidez e me enrrolei na toalha.

Apanhei o celular, mandando uma mensagem para Maite. Que diabos estava acontecendo?

Aonde você está?

Como aonde? Em casa, você acabou de me deixar aqui.

Eu estou completamente no escuro.

Você pagou a conta de luz?

É claro que eu paguei Maite, que pergunta! Estava no banho e simplesmente apagou. Na verdade, eu estava indo tomar banho.

Ihhhh isso tem cara de fusível! Justo no dia em que Christopher não está? Parece que a sorte não está do seu lado Queen A.

Definitivamente.

Não tem nenhum vizinho que você possa chamar?

Mordi o lábio. Inevitável pensar em Alfonso. Mas eu estava só de toalha e encontrar uma roupa decente no meio daquela escuridão era com encontrar um jeans ideal em uma liquidação barata da Barney's: uma chance em um milhão.

Você não tem o telefone de um eletricista ou sei lá, de algum faz tudo?

Ninguém vai atender a um chamado. Não a essa hora da noite. Talvez de você quiser desembolsar duzentos dólares...

Por duzentos dólares eu consigo Brad Pitti pra resolver o problema enquanto o U2 faz um show privado aqui na minha sala.

Você está enrascada.

Eu vou resolver, obrigada.

Pelo que mesmo?

Me limitei a rir. Então calcei os chinelos e me enrrolei mais a toalha amarrando-a na altura do busto. Não tinham muitas saídas a não ser apelar para o vizinho da frente.

- Anahi? - ele arqueou as sobrancelhas confuso enquanto coçava os olhos - Aconteceu alguma coisa?

Eu até ficaria feliz em vê-lo e ficaria ainda mais apaixonada com aquela cara fofa de quem havia acabado de acordar e... ai meu Deus, eu havia o acordado.

- Eu te acordei? Desculpa Alfonso eu não tive a - ele me interrompeu com um meio sorriso. Devia ser bizarro eu estar ali na porta dele de toalha e chinelos. Eu me sentia tão patética!

- Não, você não me acordou. Na verdade, eu estava fazendo a Chloe dormir...ela está meio febril hoje, e ai você sabe...esses filmes infantis não são muito a minha praia - fez uma careta - Mas o que aconteceu pra você estar assim?

Então fiz o relato resumido do ocorrido. Alfonso se dispôs as ir até o meu apartamento, conferiu os fusiveis constatando que Maite poderia ganhar muito dinheiro como vidente. Ela tinha razão.

- E então? - mordi o lábio - Tem algo que de pra fazer? - gritei do lado de fora do banheiro.

- Na verdade não - fez uma careta, enxugando as mãos enquanto eu segurava a lanterna - Você vai ter que esperar até amanhã de manhã e chamar um eletricista.

- Droga, que ótimo - murmurei irônica.

- Pode terminar seu banho la em casa, se você quiser, claro.

- Eu não quero encomodar...

- Não vejo muitas saídas pra você! - ele brincou e eu dei-lhe um tapa leve no braço.

- Muito obrigada pelo apoio - rolei os olhos o fazendo rir.




- Pode me fazer um favor? - ele pediu assim que sai do banheiro, vestida e enxugando os cabelos molhados.

- Claro.

- Pode dar uma olhada na Chloe, enquanto faço um café?

- Café? - franzi o cenho - Já é quase uma da manhã.

- Digamos que eu esteja estudando, algumas coisas e esse é o único horário livre - sorriu, simples.

- Eu fico de olho nela, pode ficar tranquilo.

Assim que ele saiu, me sentei na cama ao lado dela. Haviam algumas folhas espalhadas, enquanto Chloe dormia tranquilamente, com uma mão no rosto. Era incrível a semelhança dela com Alfonso. Então apanhei uma das folhas com curiosidade. Era uma planta baixa, de um pequeno espaço. Tinham alguns orçamentos, cálculos, resumos....ao me descuidar por alguns segundos, a pequena mão, antes no rosto dela, agora segurava a minha mão livre, enquanto eu segurava uma das folhas com a outra. Sorri quando tentei me desvencilhar sendo barrada por ela. Continuei lendo o conteúdo da folha enquanto ela continuava agarrando minha mão. Não senti meus olhos se fecharem e meu corpo relaxar. Eu estava realmente muito cansada.

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