- Não eu não vou - bufou irritado.
- Sim você vai.
- Não Anahí, eu já disse que não vou - olhou-me de cara feia - E será que você pode sair da frente da televisão? Eu estou tentando ver o canal de esportes.
Cruzei os braços irritada com um bico gigante. Era a primeira vez que eu pedia um favor a ele. Tudo bem que não era um favor comum como comprar pão ou regar as plantas, era mais do tipo buscar-o-seu-namorico-de-adolescência-com-quem-você-transou-loucamente-no-aeroporto,
mas mesmo assim não era um favor tão impossível de ser realizado.
- Luis - o chamei enquanto sentava ao lado dele no sofá. Christopher sabia que eu sempre usava essa tática quando queria convencê-lo de alguma coisa. Era uma tática velha, mas sempre funcionava.
- O que você quer Anahí? - rolou os olhos dando um gole na cerveja.
- Eu quero que você faça o favor que eu te pedi - fui direta - Poxa, eu sou sempre tão legal com você! - ele estreitou os olhos pra mim - Tudo bem, não fui exatamente legal naquele dia em que expulssei aquelas garotas daqui, nem naquele dia em que eu não quis dividir a pizza com você mas - mordo o lábio inferior - Você sabe que sou a melhor irmã caçula do mundo todo.
E ai eu deu o meu sorriso mais falso. Xeque mate.
- Tudo bem - ele concordou ainda meio contrariado - Eu busco a Dulce pra você.
E a Batalha estava ganha. Por WO. Então resolvi deixa-lo em paz. Não iria correr o risco de fazê-lo mudar de idéia. Fui para o meu quarto, e vesti uma roupa de ginástica. Não que eu amasse esportes ou algo so tipo mas eu estava beirando os trinta e não arriscaria pegar alguma doença articular por conta do meu sedentarismo.
Passei pela sala e Christopher sequer notou minha presença. Eu estava começando a acreditar que ele era obcecado por aqueles homens suados correndo atrás de uma bola, algo que eu sequer conseguia encontrar a graça. Então esperei alguns minutos pelo elevador. Estava prestes a entrar e apertar o térreo quando uma voz máscula e grossa soou naquelas única três palavras que me fizeram estremecer: Segura pra mim. Ah sim Alfonso, claro que eu seguro, mas bem que poderia ser outra coisa de preferência no meu quarto sem a supervisão ridícula do meu irmão mais velho.
- Obrigada - ele disse com aquele sorriso irritantemente alinhado enquanto observavamos as portas do elevador se fecharem.
- De nada - murmurei meio sem graça.
- Vai malhar? - ele pediu gentil. Não vou escalar o Monte Everest, pensei.
- É bom praticar exercícios as vezes - falei. Eu estava me saindo a melhor das patéticas.
- Então tá - ele deu outro daqueles sorrisos assim que o elevador chegou ao hall do prédio - Um bom exercício pra você.
- Obrigada - agradeci enquanto o via virar de costas rumo a porta da garagem. Que raios de conversa tinha sido aquela?
Eu estava prestes a sair do prédio afim de iniciar minha caminhada pelo Central Park, ainda sentindo as pernas bambas devido ao efeito Alfonso Herrera, quando meu blackberry começou a tocar. Era Dulce, me ligando provavelmente pra saber as novidades das redondezas antes do seu retorno.
- Oi D - atendi olhando meu reflexo na porta de vidro do prédio. Eu definitivamente precisava perder uns 3 quilos e baixar meu índice de massa corporal.
- Oi A - nos tratavamos assim desde que havíamos saído das fraldas. Dulce gostava de dizer que era nosso apelido secreto. Até que Chace descobriu e passou a me chamar assim também. E em questão de dias o escritório todo me chamava assim também - Como estão as coisas?
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O Antídoto
RandomAnahí Portilla é uma garota nova-iorquina de 27 anos. Moderna e bem-sucedida, ela só quer uma coisa da vida: ser feliz! No entanto, quando não está tentando salvar o mundo - ela é advogada de uma ONG que trata de assuntos ambientais - ela está lutan...
