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Era a primeira vez que eu veria um jogo no estádio assim, sentada na arquibancada comendo pretzels com calda de caramelo e muita pipoca. Tenho que confessar que a princípio foi uma surpresa. Alfonso era surpreendente, na verdade, isso era inegável. Demorei umas duas horas pra me arrumar pro nosso encontro. Não que eu estivesse nervosa, de maneira alguma. Mas eu definitivamente não tinha noção nem ideia do que vestir, e isso, para mim em especial, era um grande problema.

Optei pelo cabelo liso, jeans clássico com cardigã branco, uma sapatilha super básica (mesmo contra a minha vontade, já que eu preferiria infinitamente um salto alto, mas Christopher afirmou veemente que eu não aguentaria nem o primeiro turno). O toque final do look era o boné dos Dodgers que ele havia me emprestado, sob juramento que o devolveria intacto ao final do jogo.

Eu e Alfonso andávamos lado a lado pelo corredor de acesso às arquibancadas. Eu segurando dois copos de refrigerante enquanto ele carregava uma bandeja de besteiras que havíamos comprado no bar do estádio. Quase esbarrei no carinha que estava parado em frente aos nossos bancos, não fora o braço forte e rápido e Alfonso que me segurou pela cintura. Soltei o ar todo de uma vez. Arrepiar durante esse tipo de contato era praticamente rotina.

Observava tudo quieta, sem entender completamente nada. Ele vez ou outra soltava algum xingamento e se arrependia em seguida, ao perceber que eu estava ali ao lado dele. Era engraçado vê-lo assim, sendo tão naturalmente ele.

Não demorou até que o primeiro intervalo chegasse. Alfonso passou um dos braços pelos meus ombros, beijando a lateral do meu rosto. Eu o olhei sorrindo, por debaixo da aba do boné do Chris. Ele então alisou a minha bochecha com o polegar e se aproximou lentamente até que..

- Ai - resmunguei e ele gargalhou, enquanto eu tirava o boné ajeitando os fios de cabelo soltos - Acho que nós dois termos vindo de boné não foi uma boa ideia - brinquei.

- Nem um pouco - ele concordou, ainda risonho - Mas já que você resolveu facilitar as coisas, acho que podemos solucionar isso.

E sem mais delongas ele adentrou meus cabelos com uma das mãos, enquanto a outra ainda acariciava minhas têmporas. Os lábios úmidos pediram passagem para que um beijo incrível acontecesse. Só então me dei conta dos assobios e aplausos ao nosso redor.

Ainda com os lábios grudados aos dele, abri um dos olhos sobre os ombros afim de ver o que estava acontecendo e adivinha? Éramos nós, nos beijando no telão do estádio para quem quisesse ver.

- Ai meu Deus - murmurei completamente corada, enquanto os braços dele me envolviam em um abraço e ele achava graça.

- Parece que somos famosos agora - brincou.

- Alfonso...- resmunguei grudando o rosto no peito dele. Ele então riu e beijou os fios do meu cabelo.

- Porque a gente não come uma pipoca? - perguntou, de supetão. Eu franzi o cenho.

- Ta doido - me ajeitei sobre o banco - Se eu comer mais alguma coisa que seja eu vou daqui direto para alguma daquelas clínicas de desintoxicação...Acho que não como tanta besteira assim desde - fingi pensar - Deixa eu ver, desde a terceira ou quarta série, talvez.

- Annie, vamos? Me ajuda por favor - pediu com cara de cachorro sem dono. Eu ri.

- Se eu prometer comer algumas, você promete que para de fazer essa cara?

- Que cara? - fez de desentendido.

- Essa cara que me deixa com vontade de te beijar - confessei, tímida.

- Quer dizer que você tem vontade de me beijar? - Olhou, com cara de quem havia me pego com a boca na botija.

- Alfonso... - murmurei, voltando a esconder o rosto no peito dele enquanto ele ria, possivelmente me achando a pessoa mais patética do planeta.

- Ei - chamou a menina que carregava a bandeja no pescoço - Uma pipoca aqui.

Então ele tirou dois dólares da carteira, estendendo à ela, que deu a ele o único pacote laranja que restava dentre todos os outros.

- Nossa - ele comeu algumas - Você tem certeza que não vai querer? - sorriu, travesso.

- Porque é que você tem que ficar ai me fazendo vontade? - ralhei cruzando os braços na altura dos ombros com um bico imenso.

Ele riu e selou os lábios nos meus.

- Toma - estendeu a embalagem para mim - Mas isso é só porque você me deu sorte - apontou o placar e eu ri.

- Eu sou pé quente, é melhor você se acontu - minha mão esbarrou em algo duro dentro do pacote de pipocas, então enfiei a mão novamente afim de entender o conteúdo que havia lá dentro - Mas o que.

Era uma caixa. Uma pequena caixa, vermelha e aveludada. Alfonso sorriu enigmático para mim, como se desse uma tácita autorização para que eu a abrisse. Eu sem conseguir controlar mais a ansiedade o fiz. Havia um anel lindo, era um solitário com um pequeno diamante em cima. Meus olhos o fitaram atônitos.

- Isso é um - ele me interrompeu.

- Isso é um pedido. Aliás, já tenho o consentimento de Christopher e das suas amigas - sorriu - O que me diz Srta Portilla, quer ser minha namorada?

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