- Se você alegar isso vai perder a causa - passei os olhos novamente pela petição que Chad havia me entregado - Sugiro outros argumentos, impossível que você não tenha conseguido pensar em algo melhor.
- Porque você e Edward não estão mais conversando? - fitou-me sobre a pilha de processos que haviam sobre a minha mesa.
- Vocês são melhores amigos, é bem provável que ele tenha te contado....
- Não, ele não contou. Só disse que você o estava evitando e que ele não fazia idéia dos motivos - eu quase ri.
- Enfim, você veio até aqui para que eu te ajude com a reclamatória ou veio pra falar de Edward? Porque se a resposta for a segunda opção, perdeu seu tempo - virei de costas, enchendo o copo de água e bebendo-o de uma única vez. Falar disso ainda conseguia me deixar arrepiada.
- ANAHÍ VOCÊ NÃO SABE O QUE ACABOU DE....Ah, oi Chad - ruborizou pelo escândalo que estava prestes a armar - Sam disse que eu podia entrar, pensei que você estivesse sozinha.
- E estou, Chad já estava indo pra sala dele pensar em argumentos melhores pra reclamatória trabalhista que está movendo....
Chad me fitou com cara de bunda, mas eu pouco liguei. Então ele apanhou os papéis sobre a mesa e saiu, batendo a porta a suas costas.
- Ual, que temperamental - Maite disse num suspiro, enquanto se esparramava pela cadeira a minha frente.
- O que você quer Maite? - disse sem desgrudar os olhos do laptop.
- Acho que já entendi porque Chad saiu daqui daquela forma - rolou os olhos - Você consegue ser terrivelmente insuportável quando quer.
Suspirei.
- É só que não estou muito bem humorada hoje.
- E quando é que você está? - ela riu, mas se arrependeu assim que meu olhar nada contente pairou sobre ela - Você já viu seu e-mail?
- Eu nem tive tempo pra respirar hoje....
- Eles acabaram de lançar o novo Banner, e garota, pasme: Botas Prada 70% OFF.
- Botas? Você tem noção do calor que está fazendo lá fora? - arqueei a sobrancelha.
- An, são botas Prada a CEM dólares! Poderiam estar chovendo labaredas de fogo! - eu ri.
- Ok, e porque não vai até lá e acaba com o seu cartão de crédito de vez?
- Porque eu quero ir com você é óbvio - deu de ombros.
- Acho melhor você convidar a Dulce, eu estou atolada de trabalho até o natal de 2075....
- Qual é? Dulce não sabe sequer a diferença entre salmão e fúcsia, quebra essa pra mim? - me olhou com a maior cara de cachorro abandonado.
Eu suspirei, semi cerrando os olhos.
- Quer saber? Eu preciso mesmo me atolar em uma tigela de frozen.
- E o trabalho? - ela me olhou achando graça, enquanto eu apanhava a bolsa.
- Dane-se o trabalho.
Eu e Maite fomos até a Barney's, ela comprou alguns seis pares de botas que possívelmente ela não usaria nem dois, e depois fomos até a sorveteria. Sentamos nas cadeiras amadeiradas que haviam lá fora, enquanto eu escolhia pelo mais cheio de confeitos e calda de chocolate. Parecia uma criança de cinco anos. Chloe. Ela certamente adoraria estar aqui. Céus, porque eu estava pensando nisso agora?
- Mas me conta, como ela reagiu?
- Normal. Na verdade eles já não estavam mais juntos, ela sabia que não teria mais volta e você conhece bem como Christopher é quando coloca alguma coisa na cabeça - expliquei, enchendo a boca com iogurte.
- E ele já tirou tudo de lá?
- Quase tudo, ficaram apenas algumas roupas de inverno.
Subitamente o assunto morreu e eu me peguei fitando algumas crianças que brincavam na pequena praça que havia ali. Algumas desciam pelo longo escorregador enquanto outras giravam na imensa roda.
- Você ainda pensa nisso? - Maite me despertou dos devaneios. A voz era terna e calma, uma voz completamente compreensiva, incomum para ela.
- Nisso o que? - despistei.
- Você sabe do que eu estou falando....
- Ah, algumas vezes sim - confessei suspirando -Queria tanto que acontecesse comigo um dia
Nos calamos.
- Quem sabe não acontece? - tentou me animar, enquanto eu olhava pro pote de iogurte, tentando não pensar nisso.
- Você sabe que as possibilidades são infinitamente pequenas....
- Mas ainda assim existem. Enquanto existir 1% de chance de acontecer, você tem que manter a esperança An.
- Não quero criar expectativas Mai. Definitivamente.
- Não se trata de criara expectativas mas enfim, não quero te chatear com isso - se calou.
- Melhor deixarmos isso pra lá - sugeri - Me dá um pouco do seu, nunca provei o de abacaxi - roubei com uma colher e ela riu.
- Você consegue ser mais abusada que o seu irmão - ri - Por falar nisso, como anda o rolo com o hm - pensou - Alfonso, o vizinho amigo do Chris.
- O que tem ele? - a olhei bancando a desentendida.
- Além de abusada é cara de pau - negou com a cabeça - Quero detalhes, você sabe que eu sou curiosa...
- E quem disse que eu vou matar a sua curiosidade? - ergui a sobrancelha - E não me olha com essa cara não, eu e Alfonso não temos nada.
- Como nada? Você até levou a filha dele pra escola! Conta outra Anahí - bufou.
- Apenas uma gentileza entre vizinhos, afinal, ele me emprestou o chuveiro - justifiquei - Além disso, era no caminho para o trabalho, não me custou absolutamente nada deixá-la lá.
- Você não vai mesmo me contar não é? - olhou indigada.
- Você sabe que não.
- Pois então eu não conto sobre o meu encontro com o Koko - eu ri.
- Muito Obrigada, não sabe o favor que você me faz.
Ela me atirou um guardanapo, enquanto eu ria da brincadeira que fazia com ela. Era óbvio que ela faria questão de me contar todos os mínimos detalhes do encontro como a maneira como as mãos de Koko tocavam seu braço, ou a cor das toalhas do restaurante, ou ainda as flores que haviam no arranjo da recepção. E foi entre a fala incansável de Maite que meu olhar se perdeu encontrando o de alguém bastante conhecido que entrava pela porta da sorveteria acompanhado do dono dos olhos verdes mais lindos do mundo todo.
O que Poncho fazia ali com Rodrigo?
VOCÊ ESTÁ LENDO
O Antídoto
AcakAnahí Portilla é uma garota nova-iorquina de 27 anos. Moderna e bem-sucedida, ela só quer uma coisa da vida: ser feliz! No entanto, quando não está tentando salvar o mundo - ela é advogada de uma ONG que trata de assuntos ambientais - ela está lutan...
