Beatriz
O dia de tirar aquela bota enfim chegou. Eu já não aguentava mais depender daquilo — e muito menos do Dante para ir e vir. Mesmo contra a vontade dele, eu voltaria para a faculdade no próximo semestre. Faltava apenas um período para me formar. Ele odiou a ideia... mas acabou aceitando.
Era engraçado: a cada dia eu me dava melhor com o Dante. Era diferente. Combinávamos em tantas coisas que parecia que namorávamos há anos.
Depois de tudo o que aconteceu, acabei trazendo minhas coisas para a casa dele. Nem sei exatamente por quê. Em uma conversa com a Ana, ela disse que, se brigássemos ou se algum de nós se sentisse sufocado, o apartamento dela estaria disponível para mim. Agora, com fechaduras trocadas e tudo organizado.
Isso me deixou mais tranquila.
Desde que Dante começou com a história de que eu deveria "ficar um tempo" na casa dele — fazendo companhia enquanto eu estivesse de férias e sem poder trabalhar — tivemos muitas discussões, até entrarmos em um acordo: sinceridade total. Se um dos dois não estivesse bem, eu iria embora. Sem mágoas.
Mentira.
Eu ficaria magoada. Muito.
Era sábado de manhã e estava um calor absurdo. Dante tinha a péssima mania de dormir praticamente em cima de mim. Mesmo incomodando, eu já havia me acostumado.
Levantei com cuidado e decidi preparar algo para comermos. Ele me mimava demais. Eu queria retribuir.
Fui ao banheiro, fiz minha higiene, prendi o cabelo em um coque frouxo e saí do quarto em silêncio para não acordá-lo.
Ainda não sentia dor ao andar... mas ainda precisava usar aquela maldita bota.
Desci as escadas devagar — quase já tinha caído dias atrás, se não fosse um dos seguranças me segurar, provavelmente teria quebrado o outro pé também.
Na cozinha preparei nosso café e organizei tudo em uma bandeja. Só havia um problema: eu não conseguiria levar aquilo sozinha.
Enviei uma mensagem:
"GUILHERME, PRECISO DE VOCÊ AGORA."
Menos de cinco minutos depois ele apareceu na sala, praticamente armado para guerra.
— Senhorita Beatriz? Está tudo bem?!
Prendi o riso.
— Fala baixo, o Dante está dormindo.
Ele me olhou confuso.
— Preciso só que você leve essa bandeja até o quarto.
Ele suspirou, aliviado.
— Nunca mais faça isso. Pensei que algo grave tivesse acontecido.
Guilherme e eu acabamos criando certa amizade. Ele me acompanhava em todos os lugares e praticamente evitou minha queda da escada. Tinha idade para ser meu pai, mas insistia em me chamar de "senhorita".
Subimos. Ele me entregou a bandeja na porta.
— Pode tirar o resto do dia de folga — sussurrei.
— Negativo.
— Guilherme, se eu te vir aqui hoje ainda, mando o Dante te demitir.
Ele arregalou os olhos... e foi embora.
Entrei no quarto.
Dante estava completamente largado na cama, bagunçado, sereno... e lindo. Senti até pena de acordá-lo.
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Cláusulas do Destino
RomanceEle vive por regras. Ela nasceu para quebrá-las. Quando Beatriz Alcântara começa a estagiar no Escritório Montenegro, descobre que seu chefe, Dante Montenegro, é arrogante, controlador... e perigosamente atraente. Apaixonar-se nunca fez parte do con...
