CAPÍTULO 13 - Sob Observação

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Beatriz

O dia de tirar aquela bota enfim chegou. Eu já não aguentava mais depender daquilo — e muito menos do Dante para ir e vir. Mesmo contra a vontade dele, eu voltaria para a faculdade no próximo semestre. Faltava apenas um período para me formar. Ele odiou a ideia... mas acabou aceitando.

Era engraçado: a cada dia eu me dava melhor com o Dante. Era diferente. Combinávamos em tantas coisas que parecia que namorávamos há anos.

Depois de tudo o que aconteceu, acabei trazendo minhas coisas para a casa dele. Nem sei exatamente por quê. Em uma conversa com a Ana, ela disse que, se brigássemos ou se algum de nós se sentisse sufocado, o apartamento dela estaria disponível para mim. Agora, com fechaduras trocadas e tudo organizado.

Isso me deixou mais tranquila.

Desde que Dante começou com a história de que eu deveria "ficar um tempo" na casa dele — fazendo companhia enquanto eu estivesse de férias e sem poder trabalhar — tivemos muitas discussões, até entrarmos em um acordo: sinceridade total. Se um dos dois não estivesse bem, eu iria embora. Sem mágoas.

Mentira.

Eu ficaria magoada. Muito.

Era sábado de manhã e estava um calor absurdo. Dante tinha a péssima mania de dormir praticamente em cima de mim. Mesmo incomodando, eu já havia me acostumado.

Levantei com cuidado e decidi preparar algo para comermos. Ele me mimava demais. Eu queria retribuir.

Fui ao banheiro, fiz minha higiene, prendi o cabelo em um coque frouxo e saí do quarto em silêncio para não acordá-lo.

Ainda não sentia dor ao andar... mas ainda precisava usar aquela maldita bota.

Desci as escadas devagar — quase já tinha caído dias atrás, se não fosse um dos seguranças me segurar, provavelmente teria quebrado o outro pé também.

Na cozinha preparei nosso café e organizei tudo em uma bandeja. Só havia um problema: eu não conseguiria levar aquilo sozinha.

Enviei uma mensagem:

"GUILHERME, PRECISO DE VOCÊ AGORA."

Menos de cinco minutos depois ele apareceu na sala, praticamente armado para guerra.

— Senhorita Beatriz? Está tudo bem?!

Prendi o riso.

— Fala baixo, o Dante está dormindo.

Ele me olhou confuso.

— Preciso só que você leve essa bandeja até o quarto.

Ele suspirou, aliviado.

— Nunca mais faça isso. Pensei que algo grave tivesse acontecido.

Guilherme e eu acabamos criando certa amizade. Ele me acompanhava em todos os lugares e praticamente evitou minha queda da escada. Tinha idade para ser meu pai, mas insistia em me chamar de "senhorita".

Subimos. Ele me entregou a bandeja na porta.

— Pode tirar o resto do dia de folga — sussurrei.

— Negativo.

— Guilherme, se eu te vir aqui hoje ainda, mando o Dante te demitir.

Ele arregalou os olhos... e foi embora.

Entrei no quarto.

Dante estava completamente largado na cama, bagunçado, sereno... e lindo. Senti até pena de acordá-lo.

Cláusulas do DestinoOnde histórias criam vida. Descubra agora