CAPÍTULO 16 - Quase Tarde Demais

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Dante

— Não, Dante... não tem. — Beatriz saiu do próprio transe. — A princípio, temos uma viagem para começar hoje.

Nunca imaginei ouvir aquilo dela.

— O voo de vocês sai daqui quarenta minutos, meninas — avisou tio Carlos.

— Beatriz, você não vai sem antes me ouvir — pedi.

Ela deu um passo para trás e fez sinal negativo.

— Beatriz, por favor...

Tentei me aproximar, mas ela simplesmente recuou.

— Dante... eu tenho uma viagem para começar. Não era isso que você queria? Que eu sumisse? Então é isso que estou fazendo. Tchau... até algum dia.

Ela se despediu de todos e entrou com tio Carlos, Ana e o restante do pessoal.


Beatriz

Tratar o Dante daquele jeito acabou comigo.

Nunca pensei que seria capaz.
Nunca pensei que o que eu sentia por ele pudesse mudar.

Na verdade... não mudou.

Mas nada seria como antes.

Entramos no aeroporto e Ana se engancha em mim.

— Tudo vai se acertar — sussurrou.

— Por que ele veio?

— Pra tentar te ter de volta, amiga. Como sempre, ele acha que pode tudo.

— Não quero cometer o mesmo erro duas vezes.

— Às vezes, o que sentimos é maior que o erro da pessoa — ela suspira. — Ele é um babaca? É. Mas pensa nisso durante a viagem.

Fico em silêncio.

Talvez esse tempo longe seja bom para nós dois. Tudo aconteceu rápido demais.

Seguimos até uma área reservada do aeroporto, onde havia um avião enorme com o sobrenome Montenegro estampado na fuselagem.

— AI MEU DEUS — digo boquiaberta.

— Sim... vamos num jatinho — Ana completa sorrindo.

Tio Carlos nos abraçou e pediu notícias quando chegássemos.

Entramos.

Sentei na janela e fiquei olhando a pista.

— Foto do momento! — Ana diz, tirando uma selfie nossa.

Dante

Quando todos foram embora, Rodrigo bateu no meu ombro.

— Vamos, cara... você tentou. Sabia que não seria fácil.

— Ela não podia ter feito isso...

— E você? Podia ameaçar sem ouvir? Agora aguenta.

Fiquei em silêncio o caminho inteiro.

Eu precisava falar com ela. Nem que fosse por mensagem, carta ou sinal de fumaça. Ela precisava saber a verdade... e também o que eu sentia.

— Já pensou no que fazer? — Rodrigo perguntou ao estacionar em frente à minha casa.

Dei de ombros.

Entrei e me joguei no sofá. Olhei cada canto da casa pensando na merda que fiz.

Conheço a Ana. Ela vai arrastar a Beatriz pra festas, boates...

Cláusulas do DestinoOnde histórias criam vida. Descubra agora