Capítulo 19

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—Harry, como a Hermione consegue fazer essas coisas?

—Ela é muito inteligente, Ron. Achei que você já soubesse disso. Aliás, o que ela foi fazer la em cima e por que demora tanto? — Harry começa a ficar preocupado.

—Sei lá. Ela é meio estranha. — Ron diz se concentrando no fogo novamente.

—Espera aí que eu vou lá em cima ver se está tudo bem. — Harry diz e se levanta do sofá. Do pé da escada ele pôde ver a porta do quarto de Hermione fechada.

Subiu as escadas calmamente. Cada degrau em que pisava, fazia um rangido diferente. Era uma casa muito antiga. Chegou à frente do quarto e bateu na porta.

—Hermione, está tudo bem? — disse, colando seu ouvido na porta de madeira. — Hermi? Você está aí? — bateu na porta de novo, mas não obteve resposta. Puxou sua varinha. — Alohomora!

A porta se abriu, mas o quarto estava vazio. As coisas dele e de Ron estavam espalhadas pelo quarto, mas as de Hermione não. Ele sentiu falta de dois pertences seus no meio daquela bagunça:  o seu mapa e a capa da invisibilidade.

—Ron, a Hermione sumiu! — gritou do quarto em que estava.

—Ajude-me, por favor. — Hermione sussurrava. Toda a sua força e energia havia ido embora junto com o sangue que perdera.

—O que faz aqui, sangue-sujo? — perguntou com desdém, olhando para o canto mal iluminado em que a colega de classe se encontrava.

—Bellatrix me encontrou. — ela disse e se encolheu mais.

—Ah, então você teve a sorte de se esbarrar por aí com minha tia? — perguntou retoricamente e deu uma risada. — Bom pra você. Seria pior ter sido pega pelo Lobo Greyback. Tia Bella viu o que você fez comigo e ela não gostou muito. Não posso negar que tem cicatrizado rápido. Porém, eu fico, infelizmente, devendo um favor a você. — ele disse com um careta.

Puxou as mangas da camisa para cima e pegou a garota no colo. Levou-a até o seu quarto e a colocou deitada em sua cama.

—Minha mão vai ficar irada quando ver que tem sangue de trouxa espalhado pelo meu quarto e a biblioteca. — dizia abrindo e fechando gavetas. Estava à procura de algo.

Encontrou então alguns lenços. Limpou cuidadosamente todo o sangue que havia se espalhado pelo corpo da garota.

—Espero que não se importe, mas você querendo ou não, tenho que tirar sua blusa pra fazer um curativo. — ele disse despreocupado. Hermione o olhou, mas não disse nada.

Então Malfoy cortou com uma tesoura a blusa ensopada de sangue. Teve o deslumbre de ver um sutiã de rendas. Supôs que uma vez tenha sido branco, mas agora se apresentava vermelho.

—Não pense que estou gostando de ver isso, Granger. Só faço isso pois é o necessário a ser feito. Eu não sei costurar uma pessoa. Então eu vou te enfaixar e quando você voltar pro mundo trouxa você pede para alguém te costurar. — disse.

Ele encheu os cortes com algodão e passou faixas em volta. Pegou uma camisa sua e vestiu na garota.

—Assim que melhorar, pode ficar com a camisa de recordação. Só te dei uma camisa minha por que se minha mãe te ver semi-nua na minha cama vai pensar coisas erradas. E eu não quero que ela pense que eu me envolveria com uma sangue-de-lama. — disse e saiu do quarto. Hermione morria de fome. Tentou aparatar, mas estava muito fraca, e a mansão é protegida.

Puxou da meia a bolsinha de contas. Pegou sua varinha e mesmo com dor se levantou. Sairia deste lugar. Não é bem vinda aqui.

Levantou-se com dificuldade e sentiu uma dor aguda no abdome. Curvou-se para a frente com a mão sobre a barriga. Fez uma careta de dor e conteve um grito.

Caminhava a passos lentos. Não podia aumentar a velocidade com tantos cortes assim. Quando chegava ao topo da escada, pronta para desce-la quando sente uma mão enorme e gelada tocar seu pescoço. Escutou uma risada.

—Ora ora, o que temos aqui. Se não é uma nascida trouxa. — disse Greyback. Hermione sentiu um arrepio percorrer-lhe a espinha. Conseguiu esconder a varinha dentro da manga da camisa sem que o lobisomem visse.

Eis que o lobo a segura pelo cabelo e a puxa pela casa, afim de torturá-la. Via que ela estava machucada, e ria da situação. Quando se via pronto para desnudar a garota no porão, foi estuporado.

—Granger, eu pensei que você fosse mais inteligente. — Malfoy passava por cima do corpo inerte de Greyback e pegava Hermione no colo. — Essa casa está cheia de comensais, se você ficar passeando por aí, vai ser pega por alguém. Não sei nem por que estou te salvando. Já paguei o favor que devia. Não cometa o suicido de sair do meu quarto, sua tonta. — disse carregando-a até sua cama.

—Malfoy, obrigada. — disse com a pouca energia que restava. Ele a olhou e sorriu convencido. Tinha Hermione Granger lhe agradecendo.

—Está fraca. Vou trazer algo para você comer. — disse e saiu do quarto, trancando a porta com um feitiço.

Para Hermione, os poucos minutos de espera se pareciam horas. Estava exausta, com dor e fome. Queria não ter sido burra o suficiente pra ter saído de um lugar seguro como o Largo Grimmauld.

Logo Malfoy chegou com uma bandeja.

—Obviamente eu não trouxe um banquete por que você é apenas a Granger e a minha mãe me mataria se eu trouxesse as melhores comidas da casa pra uma sangue-sujo. Mas eu trouxe dois mistos-quentes, uma maçã e um copo de suco de laranja. — largou a bandeja no criado mudo ao lado da cama.

Hermione olhou para a bandeja como se inspecionasse se encontraria veneno ou algo não-natural. Draco Malfoy deu uma risada.

—Você acha que eu coloquei veneno na sua comida? — perguntou e riu mais uma vez. — Eu não coloquei. Ou coloquei. Não se sabe. Mas é a única coisa que você tem para comer. Tenho que sair. Talvez eu volte meia noite. Tchau, Granger. — ele disse e saiu pela porta do quarto, trancando-a de novo.

Ela olhou para o lanche. Estava com fome. Inspecionou o alimento com o auxilio da varinha e constatou que estava 'limpa'. Devorou em menos de cinco minutos.

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