Sétimo Capítulo

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Madame Georgette, uma senhora que beirava aos 60, me saudou animadamente, junto com Anelize, sua provável sucessora.

- Oh! Veja Anelize! É mademoiselle Marrina!- ela acenou quando entrei no ateliê.

- Olá madame Georgette. Como vai?

- Muito bem! Empolgadissíma porr confecionar seu vestido chérri! Serrá o mais belo deste século, acrredite!- sorri para ela.

- Não tenho dúvida disso!- mamãe e Analu entraram logo após, um dos comerciantes havia abordado elas.

- Senhorra Clarrke! Mademoiselle Laurra! É um prazerr recebe-las novamente.

- O mesmo dona Georgette.- mamãe sorriu e minha irmã mostrou as adoráveis covinhas.

- Anelize! Venha, tirre as medidas da senhorra Clarrke e de mademoiselle Laurra. Cuidarrei pessoalmente desta marravilhosa dama!- olhei de súbito para minha irmã que estava empolgada demais para perceber meu desconforto. Tentei mamãe. Parecia dividir o mesmo terror.

- Não dá pra usar as antigas?- sempre corajosa, opinou. Madame a olhou de súbito.

- Serria um ultrrage se eu errasse uma só medida! Esse baile marcarrá a histórria, com cerrteza!- disse, com uma expressão ofendida.

- Eu sei madame, mas eu não engordei nadinha!- ela tentou convencer.

- Senhorra Clarrke! Absolutamente não! Anelize não vai espeta-la. Fique calma.- com um gesto, a ajudante de Madame levou-as para um reservado.- Venha chérri, vamos para o espaço que reserrvo parra as noivas.- ela levantou as sobrancelhas sugestivamente.- Depois do vestido que irrei fazer, logo voltarrá parra aquela ala.- piscou o olho. Por todas as galinhas! Seguimos a direita e entramos em um quarto cheio de vesidos, fitas, tecidos, botões. Um grande espelho dispunha de frente para uma espécie de palco de pequeno porte.- Suba ali senhorrita.- ela apontou para o palquinho que eu olhava de forma curiosa. Subi e me olhei no espelho. Afofei minha saia e uma coisa vermelha se sobre-saltou. Ai caramba. Os tênis! Olhei e Madame estava compenetrada no trabalho de achar a fita de medidas. Teria que agir rápido.

- Ahn... Madame, será que a senhora teria uma caixa para me emprestar?- olhei em volta.

- Uma caixa? Clarro, clarro. Pode pegar ali no canto chérri? Anelize deve ter pego...- ela continuou falando, mas não ouvi nada. Peguei a caixa rapidamente e tirei os tênis, colocando-os ali dentro. Trouxe para a beira do relevo e subi novamente. Bem na hora.- Muito bem, vamos verr. Levante os braços chérri.- passamos os próximos quinze minutos tirando medidas de todas as possíveis partes do meu corpo. Quando madame se deu por satisfeita, trouxe o livro com seus desenhos.- Veja, essa nova moda da Eurropa trouxe muitas deverrssidade este ano! Qual serrá a cor?

- Azul, mas Madame Geor...

- Azul novamente, senhorrita? Talvez um lilás, um rosa parra experimentar.

- Ahn... Talvez um vestido para dia lilás seja aceitável, mas rosa não. Deixe-os para Analu.- ela anuiu.

- Cerrto, farrei um. Veja este, cairrá com perfeição!- ela se animou.

- Hm, na verdade eu já tenho o modelo.- sorri para a vendedora. Ela não sorriu de volta. Parecia bem aborrecida na verdade.

- O encomendou de outrra modista?- tentou disfarçar a voz ofendida, sem muito sucesso.

- Não, não... Eu mesma o fiz.- abri o bolso interno e tirei de lá o desenho. Entreguei para Madame e ela o olhou atentamente, algo chispando no olhar.

- A senhorrita que crriou isto?- disse, mortificada. Adeus vestido.

- Sim... Sei que não se encontra na mesma qualidade que os seus, mas gostaria que seguisse este.- era muito vergonhoso mostrar seus rabiscos amadores para uma especialista, mas o idealizava havia um ano! Não iria abrir mão por vergonha!- Então, a senhora concorda?- ela ponderou por um momento e já fazia as contas de quantas moedas à mais teria que lhe oferecer.

- Serrá um prazerr produzirr sua primeirra obra chérri!- ela sorria. Aquilo era de fato muito estranho. Mamãe me contou que madame quase lhe cortou a cabeça quando quis se casar de branco.- Querrida, depois querria conversar sobrre esses desenhos, mas porr enquanto focarremos no seu baile! Lhe prrometo que ficarrá magnif!- concordei com a cabeça.- Fez algum modelo de sapato também?- me olhou interessada. Encrespei o senho.

- Hm... Não. Mas gostaria de um novo.

- Ah... Cerrto! Venha, vou lhe mostrarr os mais novos chegados da Eurropa.

- Agora vende sapatos também Madame?

- Ah sim senhorrita Marrina. Fiz um acorrdo com o sapateirro.- ela sorriu, maliciosa. Pela expressão eles não se limitavam à uma simples sociedade. Saímos do reservado e tive que ir descalça, já que madame não saía de meu encalce. Mamãe olhava entediada para o livro ao passo que Analu dava instruções à Anelize. Segurei a caixa contra meu peito. Não podia perder aquele tesouro!

- Aleluia!- disse minha mãe, aliviada.

- Agorra basta ir ao sapateirro que lhe darei o modelo. Já escolheu o seu, senhorra Clarrke?

- Já! Tá tudo no esquema.- ela sorriu e desviou o olhar. Mentindo descaradamente. Tive que rir.

- Foi um prazer Madame Georgette, voltaremos para pegar a encomenda.- Analu disse, sorrindo.

- Faço questão de entregarr eu mesma o vestido de Senhorrita Marrina e de sua bela família!- disse altiva.

- Ham... Certo. Até mais.- nos encaminhamos para a saída e fomos direto para a loja do sapateiro.

- Meninas, eu tenho que comprar umas coisas na barraca do seu Henrico. Podem ir.- Mamãe deu um beijo nas nossas bochechas e foi para a botica. No caminho encontramos Elisabeth, a filha da senhora Valentina Navas.

- Senhorita Marina! Senhorita Laura! Que prazer encontra-las.- a menina loira de olhos verdes sorriu angelicalmente. 

- Como passa?- Analu perguntou.

- Muito bem! Viajarei para a Europa em breve!- olhamos espantadas.

- Vão se mudar novamente?

- Oh não, não. Só eu irei. Minha família continuará na Espanha. Vou assumir os negócio do meu pai- um pequeno desconforto aconteceu em meus pés. As pedras da rua estavam muito quentes. Comecei a movei o pé, de um para o outro. Enquanto conversava com a menina, Analu me olhou curiosamente.

- Ahn, temos que nos apressar senhorita Elisabeth. Foi um grande prazer vê-la.- minha irmã disse, para meu alívio. Fomos caminhando o mais rapido possível para a loja.- Precisa usar o banheiro?- minha irmã sussurrou.

- Não! Eu estava com os tênis da mamãe e tive que tira-los para que Madame Georgette não os visse e...- algo espetou meu pé. Então um dor muito forte e latejante começou a se espalhar. Tentei apoia-lo no chão, o que quase me fez urrar de dor. Ai, droga.

AguardadaOnde histórias criam vida. Descubra agora