Madame Georgette, uma senhora que beirava aos 60, me saudou animadamente, junto com Anelize, sua provável sucessora.
- Oh! Veja Anelize! É mademoiselle Marrina!- ela acenou quando entrei no ateliê.
- Olá madame Georgette. Como vai?
- Muito bem! Empolgadissíma porr confecionar seu vestido chérri! Serrá o mais belo deste século, acrredite!- sorri para ela.
- Não tenho dúvida disso!- mamãe e Analu entraram logo após, um dos comerciantes havia abordado elas.
- Senhorra Clarrke! Mademoiselle Laurra! É um prazerr recebe-las novamente.
- O mesmo dona Georgette.- mamãe sorriu e minha irmã mostrou as adoráveis covinhas.
- Anelize! Venha, tirre as medidas da senhorra Clarrke e de mademoiselle Laurra. Cuidarrei pessoalmente desta marravilhosa dama!- olhei de súbito para minha irmã que estava empolgada demais para perceber meu desconforto. Tentei mamãe. Parecia dividir o mesmo terror.
- Não dá pra usar as antigas?- sempre corajosa, opinou. Madame a olhou de súbito.
- Serria um ultrrage se eu errasse uma só medida! Esse baile marcarrá a histórria, com cerrteza!- disse, com uma expressão ofendida.
- Eu sei madame, mas eu não engordei nadinha!- ela tentou convencer.
- Senhorra Clarrke! Absolutamente não! Anelize não vai espeta-la. Fique calma.- com um gesto, a ajudante de Madame levou-as para um reservado.- Venha chérri, vamos para o espaço que reserrvo parra as noivas.- ela levantou as sobrancelhas sugestivamente.- Depois do vestido que irrei fazer, logo voltarrá parra aquela ala.- piscou o olho. Por todas as galinhas! Seguimos a direita e entramos em um quarto cheio de vesidos, fitas, tecidos, botões. Um grande espelho dispunha de frente para uma espécie de palco de pequeno porte.- Suba ali senhorrita.- ela apontou para o palquinho que eu olhava de forma curiosa. Subi e me olhei no espelho. Afofei minha saia e uma coisa vermelha se sobre-saltou. Ai caramba. Os tênis! Olhei e Madame estava compenetrada no trabalho de achar a fita de medidas. Teria que agir rápido.
- Ahn... Madame, será que a senhora teria uma caixa para me emprestar?- olhei em volta.
- Uma caixa? Clarro, clarro. Pode pegar ali no canto chérri? Anelize deve ter pego...- ela continuou falando, mas não ouvi nada. Peguei a caixa rapidamente e tirei os tênis, colocando-os ali dentro. Trouxe para a beira do relevo e subi novamente. Bem na hora.- Muito bem, vamos verr. Levante os braços chérri.- passamos os próximos quinze minutos tirando medidas de todas as possíveis partes do meu corpo. Quando madame se deu por satisfeita, trouxe o livro com seus desenhos.- Veja, essa nova moda da Eurropa trouxe muitas deverrssidade este ano! Qual serrá a cor?
- Azul, mas Madame Geor...
- Azul novamente, senhorrita? Talvez um lilás, um rosa parra experimentar.
- Ahn... Talvez um vestido para dia lilás seja aceitável, mas rosa não. Deixe-os para Analu.- ela anuiu.
- Cerrto, farrei um. Veja este, cairrá com perfeição!- ela se animou.
- Hm, na verdade eu já tenho o modelo.- sorri para a vendedora. Ela não sorriu de volta. Parecia bem aborrecida na verdade.
- O encomendou de outrra modista?- tentou disfarçar a voz ofendida, sem muito sucesso.
- Não, não... Eu mesma o fiz.- abri o bolso interno e tirei de lá o desenho. Entreguei para Madame e ela o olhou atentamente, algo chispando no olhar.
- A senhorrita que crriou isto?- disse, mortificada. Adeus vestido.
- Sim... Sei que não se encontra na mesma qualidade que os seus, mas gostaria que seguisse este.- era muito vergonhoso mostrar seus rabiscos amadores para uma especialista, mas o idealizava havia um ano! Não iria abrir mão por vergonha!- Então, a senhora concorda?- ela ponderou por um momento e já fazia as contas de quantas moedas à mais teria que lhe oferecer.
- Serrá um prazerr produzirr sua primeirra obra chérri!- ela sorria. Aquilo era de fato muito estranho. Mamãe me contou que madame quase lhe cortou a cabeça quando quis se casar de branco.- Querrida, depois querria conversar sobrre esses desenhos, mas porr enquanto focarremos no seu baile! Lhe prrometo que ficarrá magnif!- concordei com a cabeça.- Fez algum modelo de sapato também?- me olhou interessada. Encrespei o senho.
- Hm... Não. Mas gostaria de um novo.
- Ah... Cerrto! Venha, vou lhe mostrarr os mais novos chegados da Eurropa.
- Agora vende sapatos também Madame?
- Ah sim senhorrita Marrina. Fiz um acorrdo com o sapateirro.- ela sorriu, maliciosa. Pela expressão eles não se limitavam à uma simples sociedade. Saímos do reservado e tive que ir descalça, já que madame não saía de meu encalce. Mamãe olhava entediada para o livro ao passo que Analu dava instruções à Anelize. Segurei a caixa contra meu peito. Não podia perder aquele tesouro!
- Aleluia!- disse minha mãe, aliviada.
- Agorra basta ir ao sapateirro que lhe darei o modelo. Já escolheu o seu, senhorra Clarrke?
- Já! Tá tudo no esquema.- ela sorriu e desviou o olhar. Mentindo descaradamente. Tive que rir.
- Foi um prazer Madame Georgette, voltaremos para pegar a encomenda.- Analu disse, sorrindo.
- Faço questão de entregarr eu mesma o vestido de Senhorrita Marrina e de sua bela família!- disse altiva.
- Ham... Certo. Até mais.- nos encaminhamos para a saída e fomos direto para a loja do sapateiro.
- Meninas, eu tenho que comprar umas coisas na barraca do seu Henrico. Podem ir.- Mamãe deu um beijo nas nossas bochechas e foi para a botica. No caminho encontramos Elisabeth, a filha da senhora Valentina Navas.
- Senhorita Marina! Senhorita Laura! Que prazer encontra-las.- a menina loira de olhos verdes sorriu angelicalmente.
- Como passa?- Analu perguntou.
- Muito bem! Viajarei para a Europa em breve!- olhamos espantadas.
- Vão se mudar novamente?
- Oh não, não. Só eu irei. Minha família continuará na Espanha. Vou assumir os negócio do meu pai- um pequeno desconforto aconteceu em meus pés. As pedras da rua estavam muito quentes. Comecei a movei o pé, de um para o outro. Enquanto conversava com a menina, Analu me olhou curiosamente.
- Ahn, temos que nos apressar senhorita Elisabeth. Foi um grande prazer vê-la.- minha irmã disse, para meu alívio. Fomos caminhando o mais rapido possível para a loja.- Precisa usar o banheiro?- minha irmã sussurrou.
- Não! Eu estava com os tênis da mamãe e tive que tira-los para que Madame Georgette não os visse e...- algo espetou meu pé. Então um dor muito forte e latejante começou a se espalhar. Tentei apoia-lo no chão, o que quase me fez urrar de dor. Ai, droga.
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Aguardada
RomanceA história de Marina Alonzo Clarke. Nina nunca foi uma pessoa propensa as regras do século 19. Diferente da irmã Analu, sempre foi mais "saidinha", nas palavras de Sofia. Agora com 18 anos, ela enfrentará o maior desafio de sua vida, conhecendo algo...
