Vigésimo Terceiro Capítulo

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Senti um aroma másculo envolvendo meus sentidos. Inspirei mais fundo, sentindo-me instantaneamente calma. Hum. Porquê estava tudo tão escuro? Ah, estou de olhos fechados. Ora, não me lembro de ter ido dormir e porque não consigo abri-los? Analisei meus sentidos numa tranquilidade que não me era comum. Alguma coisa me dizia que eu estava segura. Bom, eu estava repousada em algo quente e rígido, mas ao mesmo tempo tão confortável... Não sentia vontade de sair dali. Um burburinho começou a ficar mais alto, pertubando o silêncio bem-vindo.

-...me ajude! Ela desmaiou quando viu a senhora Clarke...- uma voz máscula, parecendo bastante agoniada, disse. Hum. Reparando bem, eu estava perto de algo bem retumbante. Parecia o barulho de um... coração? Ora, estava bem disparado! De quem será que eles estavam falando? E quem viu minha mãe? Algo começou a espetar meu cérebro. Eu tentava lembrar de alguma coisa que parecia estar ali na minha frente...- Acorda Marina, volta pra mim...- falou. Senti uma leve carícia em meu braço. Acho que alguém queria muito que eu acordasse e aquilo pareceu funcionar. A névoa que estava permeando minha consciência foi se dissipando e voltei a tomar controle de meus sentidos. Abri os olhos minimamente, com a claridade me atingindo. Aos poucos fui enxergando cada vez mais, deparando-me com um rosto retorcido em preocupação, a boca prensada, formando uma linha pálida. Então tudo voltou como um turbilhão. Minha mãe!

- Caleb...- sussurrei, atraindo sua atenção. Seus olhos voltaram pra mim em um súbito, parecendo desesperados.

- Marina...- falou, como se meu nome fosse uma prece.

- Nina!- uma voz embargada gritou.

- O que houve?- falei, rouca. Porquê estávamos balançando? E como eu estava andando sem andar? Assim que comecei a me ambientizar, percebi que estava aninhada a Caleb, em seus braços, como no dia do incidente com o caco de vidro. Meu coração disparou com a proximidade.

- Você desmaiou - falou, escrutinando meu rosto. Aquilo me fez corar, mas eu tinha maiores preocupações no momento. Vi que Analu nos acompanhava, me olhando com os olhos cheios de lágrimas.

- Como está mamãe? Onde ela está?- disse, olhando ao meu redor, ele estava me levando até a sala. Segurei em seu casaco, tentando me pôr de pé. Tudo começou a girar novamente. Hum, talvez não me matasse ficar mais um pouquinho ali...

- Tio Lu-lucas está cuidando dela. Papai a levou para o qua-quarto...- o soluço de minha irmã deixou-me ainda mais angustiada.

- Preciso vê-la! Me leve até ela!

- Não acho uma boa ideia, você está muito pálida.- Caleb falou, colocando-me no sofá. Um frio me sobreveio, fazendo-me querer voltar para o aconchego de seus braços. Minha irmã tentava conter os soluços, abraçando-se.

- Eu estou bem!- disse, tentando sentar. Apertei a mão de Analu, ainda confusa com a situação.

- Lucas já vai vir examina-la. Por favor, tome isso.- falou, entregando-me uma taça com suco e outra para Analu. Ela virou tudo de uma vez só. Encrespei o cenho.

- Não quero beber nada, quero ver minha mãe!- ordenei. Caleb apenas continuou me estendendo o líquido, em completa calma. Bom, quase isso. Seus olhos estavam nublados e urgentes.

- Aparentemente sua pressão ficou baixa devido a falta de alimentação. Por favor, beba algo e levarei-a onde quiser.- suplicou, colocando o recipiente em minhas mãos. Suspirei, engolindo o suco de laranja.

- Porque acha que não me alimentei?- perguntei, ponderando. Na verdade eu não havia comido nada desde o almoço.

- Sua irmã informou que não lhe viu comer nada. Nem eu. Concluímos que no restante do tempo passou dançando.- falou, em um tom reprovador. Corei, bebendo o restante.

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