Senti um aroma másculo envolvendo meus sentidos. Inspirei mais fundo, sentindo-me instantaneamente calma. Hum. Porquê estava tudo tão escuro? Ah, estou de olhos fechados. Ora, não me lembro de ter ido dormir e porque não consigo abri-los? Analisei meus sentidos numa tranquilidade que não me era comum. Alguma coisa me dizia que eu estava segura. Bom, eu estava repousada em algo quente e rígido, mas ao mesmo tempo tão confortável... Não sentia vontade de sair dali. Um burburinho começou a ficar mais alto, pertubando o silêncio bem-vindo.
-...me ajude! Ela desmaiou quando viu a senhora Clarke...- uma voz máscula, parecendo bastante agoniada, disse. Hum. Reparando bem, eu estava perto de algo bem retumbante. Parecia o barulho de um... coração? Ora, estava bem disparado! De quem será que eles estavam falando? E quem viu minha mãe? Algo começou a espetar meu cérebro. Eu tentava lembrar de alguma coisa que parecia estar ali na minha frente...- Acorda Marina, volta pra mim...- falou. Senti uma leve carícia em meu braço. Acho que alguém queria muito que eu acordasse e aquilo pareceu funcionar. A névoa que estava permeando minha consciência foi se dissipando e voltei a tomar controle de meus sentidos. Abri os olhos minimamente, com a claridade me atingindo. Aos poucos fui enxergando cada vez mais, deparando-me com um rosto retorcido em preocupação, a boca prensada, formando uma linha pálida. Então tudo voltou como um turbilhão. Minha mãe!
- Caleb...- sussurrei, atraindo sua atenção. Seus olhos voltaram pra mim em um súbito, parecendo desesperados.
- Marina...- falou, como se meu nome fosse uma prece.
- Nina!- uma voz embargada gritou.
- O que houve?- falei, rouca. Porquê estávamos balançando? E como eu estava andando sem andar? Assim que comecei a me ambientizar, percebi que estava aninhada a Caleb, em seus braços, como no dia do incidente com o caco de vidro. Meu coração disparou com a proximidade.
- Você desmaiou - falou, escrutinando meu rosto. Aquilo me fez corar, mas eu tinha maiores preocupações no momento. Vi que Analu nos acompanhava, me olhando com os olhos cheios de lágrimas.
- Como está mamãe? Onde ela está?- disse, olhando ao meu redor, ele estava me levando até a sala. Segurei em seu casaco, tentando me pôr de pé. Tudo começou a girar novamente. Hum, talvez não me matasse ficar mais um pouquinho ali...
- Tio Lu-lucas está cuidando dela. Papai a levou para o qua-quarto...- o soluço de minha irmã deixou-me ainda mais angustiada.
- Preciso vê-la! Me leve até ela!
- Não acho uma boa ideia, você está muito pálida.- Caleb falou, colocando-me no sofá. Um frio me sobreveio, fazendo-me querer voltar para o aconchego de seus braços. Minha irmã tentava conter os soluços, abraçando-se.
- Eu estou bem!- disse, tentando sentar. Apertei a mão de Analu, ainda confusa com a situação.
- Lucas já vai vir examina-la. Por favor, tome isso.- falou, entregando-me uma taça com suco e outra para Analu. Ela virou tudo de uma vez só. Encrespei o cenho.
- Não quero beber nada, quero ver minha mãe!- ordenei. Caleb apenas continuou me estendendo o líquido, em completa calma. Bom, quase isso. Seus olhos estavam nublados e urgentes.
- Aparentemente sua pressão ficou baixa devido a falta de alimentação. Por favor, beba algo e levarei-a onde quiser.- suplicou, colocando o recipiente em minhas mãos. Suspirei, engolindo o suco de laranja.
- Porque acha que não me alimentei?- perguntei, ponderando. Na verdade eu não havia comido nada desde o almoço.
- Sua irmã informou que não lhe viu comer nada. Nem eu. Concluímos que no restante do tempo passou dançando.- falou, em um tom reprovador. Corei, bebendo o restante.
VOCÊ ESTÁ LENDO
Aguardada
RomansaA história de Marina Alonzo Clarke. Nina nunca foi uma pessoa propensa as regras do século 19. Diferente da irmã Analu, sempre foi mais "saidinha", nas palavras de Sofia. Agora com 18 anos, ela enfrentará o maior desafio de sua vida, conhecendo algo...
