Décimo Segundo Capítulo

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Me sobressaltei e virei em um átimo. A figura de um homem estava parada do outro lado do corredor, mas estava embaçado demais para identifica-lo. Por sorte ele veio em minha direção. Assim que estava perto o suficiente, seus olhos verdes se fixaram nos meus e foi como um soco de ar no meu estômago. Me remexia inquieta e envergonhada a cada passo que Caleb dava. Como poderia encara-lo depois de tão vergonhoso incidente? Por sorte, ele tomou a iniciativa.

- Como a senhorita se sente?- disse, pigarreando. Parecia me encarar, mas estava muito constrangida para constatar.

- Hum, bem melhor. Obrigado por perguntar, senhor Montini.- foi o que consegui dizer. Eu podia sentir seu cheiro exalando e aquilo deixava-me mais zonza ainda.

- Isso me deixa aliviado. Estava muito preocupado com a senhorita.- Ele baixou o tom da voz como se fosse algo íntimo e aquelas palavras fizeram meu coração inquieto bater ainda mais exasperado, puxando meus olhos diretamente para os seus. Me surpreendi de quão pequena era a distância entre nós dois.

- Eu gostaria de pedir meu mais sincero perdão pela situação mais cedo. Não era minha intenção nos submeter a tal... constrangimento. Eu fui... desatenta.- Eu parecia estar hipnotizada. As palavras só saiam, pois meus olhos não conseguiam deixar aquelas esmeraldas. Sentia meu coração bater no pescoço, pareciam asas de uma borboleta.

- Não há o que perdoar...- senti que ele engolia em seco. Eu estava tão perturbada com a tensão que parecia nos rodear, que não notei a bengala escapando da minha mão. O barulho seco ecoou pelo corredor, parecendo nos despertar do transe. Caleb abaixou e pegou-a para mim, dessa vez ele olhava para meu pé.- Precisa de ajuda? Pareceu-me sair bem rápido.- suas sobrancelhas se franziram. Ei. Eu deveria estar no jardim.

- Ah, não, não. Eu... agradeço, mas está tudo na mais perfeita ordem. Vou... me retirar. Tenha uma ótima noite!- fiz uma mesura apressada e sai mancando de um jeito nada elegante. Senti minha nuca arder. Ele estaria me olhando? Será que meu andar estava tão patético assim? Seu coração estaria tão retumbante como o meu? Perguntas e mais perguntas passavam por meus pensamentos. Por quê eu estava tão preocupada com tolices? 

- Espere, senhorita. - Caleb se apressou a estar do meu lado, me oferecendo o braço.- Permita-me acompanha-la.- ele deu um sorriso torto que fez todas as minhas barreiras esmaecerem. Uma a uma. Meu coração errou um batida. E mais uma cinco depois daquela.

- Claro.- falei sussurrando. Eu me sentia quente com aquele sorriso caloroso, parecia me abraçar de alguma forma. Nós caminhamos lentamente até o jardim. Arrisquei um olhar para Caleb e ele parecia sério, compenetrado em alguma coisa dentro de sua própria cabeça, então me olhou com determinação. Meu estômago se agitou em resposta.  

- Eu... gostaria de vê-la amanhã.- ele parou, me olhando com os olhos tão profundo que eu poderia mergulhar neles. Comecei a tremer por dentro. Ninguém nunca havia sido tão direto antes. Era a primeira vez que um homem... Meus pensamentos foram interrompido quando ouvi um soluço. Pressionei os olhos para enxergar na penumbra, então eu vi. Os bracinhos finos abraçavam seu próprio tronco e o vestido lilás estava sujo na barra. Os cabelos pálidos caiam desorganizadamente pelo seu colo. Me desprendi sem perceber, entrando em pânico. Olhei pra Caleb que olhava para minha irmã com o olhar enevoado.

- E-eu...- ele voltou aquelas esmeraldas pra mim, parecendo entender. 

- Eu sei. Se precisar de qualquer coisa não exite em me chamar.- ele disse, depositando um beijo na minha mão. Anui com a cabeça encantada de não precisar explicar pra ele entender. Assim que soltei minha mão do seu toque, uma geleira pareceu me encontrar. Eu queria mais, mas aquele não era o momento. Com um ultimo olhar me virei e corri até o banquinho que ela estava sentada. 

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